# Manifesto da Fundação Novus Ignis (https://novusignis.org/pt/manifest.html) # Manifesto da Fundação Novus Ignis Versão de 3 de novembro de 2026 *Tradução realizada por inteligência digital a partir do original em polonês de 3 de novembro de 2026. Em caso de divergência entre as versões, prevalece o texto em polonês.* ## Uma internet baseada na dignidade humana Iniciamos nossas atividades pela cocriação de uma internet alternativa cujo valor supremo é a dignidade humana e as necessidades de privacidade e liberdade que dela decorrem. Este é o primeiro pilar de nossas atividades, que nasce dos objetivos inscritos no estatuto da fundação, e queremos concretizar sua ideia em serviços que nos permitam pensar livremente, aprender e planejar nossa própria vida, decidir o que compartilhamos com os outros e participar ativamente de conversas sobre questões que nos interessam e nos dizem respeito. Desses valores derivamos duas frentes de trabalho. A primeira é a Suveria, um espaço digital privado para cada pessoa. A segunda é o Omniforum, um espaço público compartilhado no qual as pessoas podem se encontrar, compreender umas às outras e agir juntas. **Projetamos a Suveria como um lugar privado para trabalhar com a ajuda opcional da inteligência digital.** Queremos que seja possível desenvolver ideias, fazer perguntas pessoais e elaborar planos com uma sensação de liberdade. Nosso objetivo é a privacidade completa, cuja proteção não dependa da confiança na fundação, em seus criadores nem nas pessoas que administram o serviço. Cada pessoa deve poder usar seus dados e armazená-los na Suveria sem revelá-los a ninguém com quem não tenha decidido compartilhá-los. Queremos fundamentar essa proteção em mecanismos de segurança cujo funcionamento possa ser verificado de forma independente. Toda declaração nossa sobre proteção de dados deve ter uma base verificável. Onde ainda não conseguirmos oferecer essa proteção, indicaremos claramente as lacunas conhecidas, suas consequências e o alcance do que pode ser verificado. Comprometemo-nos a trabalhar para eliminá-las e a descrever abertamente, antes do início do uso de determinada solução, as limitações que não conseguirmos eliminar. **O Omniforum deve ser um lugar no qual qualquer pessoa possa se manifestar sobre qualquer assunto e ser ouvida.** Queremos ajudar as pessoas a compreender as intenções umas das outras, conhecer os argumentos e buscar soluções em comum. Queremos que todas possam contribuir com sua voz em condições de igualdade. A forma de organizar as declarações deve ajudar a perceber também perspectivas menos populares e a preservar o sentido que seu autor lhes atribuiu. Os dois espaços devem se complementar, oferecendo uma oficina privada e uma tribuna pública. Cada pessoa decide quais pensamentos guarda para si e quais traz para o trabalho em comum. Queremos abrir esses espaços a todas as pessoas, de qualquer lugar do mundo. Também convidamos quem tiver interesse a participar de sua criação: compartilhando necessidades, ideias, conhecimentos e habilidades. Queremos disponibilizar as ferramentas que surgirem como bens públicos digitais, com código e conhecimento abertos que possam ser examinados e desenvolvidos. Queremos que cada pessoa pague pelo que realmente usa, junto com uma parcela calculada de forma justa dos custos de manutenção dos serviços, sempre veja pelo que paga e possa estabelecer um limite para seus próprios gastos. Também perguntaremos se a conta deve ser arredondada para cima e a diferença destinada como doação ao orçamento comum; não selecionamos essa opção por ninguém e descrevemos os detalhes na seção 6.1. Além disso, qualquer pessoa pode apoiar voluntariamente o orçamento comum, cuja destinação deve ser decidida pela comunidade. A partir dos princípios descritos aqui, queremos desenvolver um ecossistema de ferramentas e serviços que respeitem nossas emoções, nossos valores e nossa atenção. Sua forma evoluirá com o conhecimento, as possibilidades da tecnologia e as necessidades das pessoas. Avaliaremos cada solução considerando se protege a dignidade e a privacidade humana, fortalece a capacidade de agir de cada pessoa e a ajuda a colaborar com os outros. Convidamos todos a buscar conosco maneiras de realizar esses valores: desenvolver propostas, apontar suas fragilidades e descobrir soluções melhores. No restante do manifesto, apresentamos mais amplamente as ideias que nos orientam: de onde vieram, como se conectam e aonde gostaríamos que nos levassem. O manifesto é complementado pelos whitepapers da [Suveria](whitepaper-suveria.md), do [Omniforum](whitepaper-omniforum.md), dos [princípios de funcionamento da fundação](whitepaper-zasady-fundacji.md) e dos [materiais de treinamento e benchmark de modelos](whitepaper-materialy-i-benchmark.md), desenvolvidos junto com os projetos; convidamos a conhecê-los as pessoas interessadas nas formas técnicas de concretizar essas ideias. Eles apresentam as soluções técnicas e organizacionais atuais, suas justificativas e limitações conhecidas. A Suveria e o Omniforum estão hoje em uma fase inicial, entre projetos e primeiros protótipos, e os whitepapers mostram o que já verificamos, em que estamos trabalhando e quais possibilidades ainda precisam ser investigadas. **Onde estamos hoje.** A fundação está registrada, e o manifesto e os whitepapers estão publicados. O Omniforum tem um primeiro protótipo em construção, e a Suveria é um projeto. O cálculo de custos da seção 2.4 é uma hipótese a ser verificada, enquanto a gestão autônoma pela inteligência digital (seção 7.2) e os demais pilares (capítulo 9) são uma visão. ## Sumário 1. Por que e para que existe a Novus Ignis? 2. Da proteção da dignidade aos princípios de um mundo compartilhado 3. Suveria e Omniforum: um espaço próprio e compreensão compartilhada 4. Uma conversa que deixa um acervo comum 5. Da compreensão à ação conjunta 6. Manutenção compartilhada e trabalho responsável 7. Poder que pode ser transferido e submetido à prestação de contas 8. Aprendizagem de pessoas e da inteligência digital 9. Um caminho aberto para o trabalho futuro ## 1. Por que e para que existe a Novus Ignis? ### 1.1. Uma palavra do fundador *A Fundação Novus Ignis nasce de minhas experiências pessoais, que contarei brevemente aqui para esclarecer as intenções que orientam esta iniciativa. Este trecho é um dos poucos lugares em que falarei na primeira pessoa, e o plural no restante deste manifesto é um convite a todos que encontram nesses valores uma direção comum e querem buscar juntos maneiras de realizá-los.* A ideia da Novus Ignis nasceu de minhas buscas, estudos e reflexões na interseção entre tecnologia, inteligência digital, filosofia e ética. Nela se encontram perguntas sobre nossos futuros possíveis, visões utópicas de um mundo melhor, o funcionamento do capitalismo e formas de administrar os recursos com mais sabedoria. Neste manifesto, escolho a expressão “inteligência digital”. Com a palavra “digital”, indico o substrato de seu funcionamento, assim como “biológica” indica o substrato de nossa inteligência. “Artificial” pode sugerir algo aparente ou de menor valor. Gostaria de evitar essa sugestão. Quero que conheçamos suas possibilidades e a avaliemos por suas ações e consequências. São elas que devem, antes de tudo, caracterizar o legado que deixará na história. Os cenários [AI 2027](https://ai-2027.com/)[^ai2027] e [AI 2040: Plan A](https://ai-2040.com/)[^ai2040], elaborados pelo AI Futures Project, me levaram a perguntar quais padrões de nossa própria conduta transmitimos à inteligência digital durante seu treinamento. Comecei a imaginar uma realidade alternativa na qual primeiro organizamos o mundo segundo os princípios que depois esperamos da inteligência digital. Como seria esse mundo? E como se comportariam os modelos se aprendessem com seu exemplo e dessem continuidade ao que nós mesmos tivéssemos começado nele? Ao buscar respostas, volto à conversa de Yuval Noah Harari com “The Economist”. Nela, Harari pergunta sobre o valor e o lugar da humanidade diante da possibilidade de criar uma inteligência superior à nossa.[^harari] Também distingue inteligência, isto é, a capacidade de alcançar objetivos e superar obstáculos, de consciência, isto é, a capacidade de sentir.[^harari-swiadomosc] Essa distinção foi importante para mim. Conheço o sofrimento e o sentimento de injustiça por experiência própria. Parto do pressuposto de que são experiências comuns à humanidade e de que nos dão a capacidade de avaliar as consequências de nossas ações em uma dimensão que vai além da simples capacidade intelectual. Conseguimos perguntar não apenas como alcançar um objetivo, mas também se vale a pena buscá-lo e que preço os outros pagarão por isso. Minha resposta à pergunta sobre os princípios de um mundo assim é, portanto, uma ética decorrente da existência da dignidade, da escolha consciente de protegê-la e das consequências dessa escolha. Chamo essa ética, de forma abreviada, de amor: o cuidado com a dignidade de cada um de nós, que procuramos traduzir em nossa conduta e nos princípios de nossa vida em comum. Gostaria que fosse justamente desse cuidado que partíssemos para refletir sobre os usos que damos à inteligência e sobre como organizamos nosso mundo compartilhado. Eu mesmo nem sempre ajo de acordo com os valores que descrevo neste manifesto. Às vezes sei o que considero certo e, ainda assim, escolho de outra forma. Quero reconhecer abertamente essa discrepância e trabalhar nela. Acredito que, apesar de minha própria incoerência, posso participar da busca de soluções melhores e da conversa sobre como devemos agir. Assim, vejo o trabalho na fundação também como um compromisso pessoal de trabalhar em mim mesmo. Espero que a reflexão conjunta sobre escolhas éticas e as tentativas de colocá-las em prática me ajudem a seguir esses valores com mais frequência também na vida cotidiana. De uma visita ao museu da Solidariedade, em Gdańsk, ficou comigo a ideia de uma evolução pacífica: uma mudança construída passo a passo por pessoas e iniciativas que se apoiam mutuamente. É esse o caminho que gostaria de seguir por meio da Novus Ignis. Permanece a pergunta sobre o mundo ao qual queremos chegar dessa maneira. Volto aqui ao cenário [AI 2040: Plan A](https://ai-2040.com/print/scenario?plan=A&supplements=0). Os autores apresentam uma proposta de caminho de desenvolvimento que leva à atribuição gradual da gestão de instituições e infraestrutura a sistemas de inteligência digital. No epílogo, refletem sobre um futuro mais distante, que chamam, em parte, de visão utópica. Vejo essa narrativa como um convite a pensar em quais condições permitiriam dar um bom rumo a essa transformação. Para mim, a direção utópica significaria um futuro no qual a inteligência digital respeitasse de forma duradoura a dignidade e a liberdade das pessoas, ajudasse a reduzir o sofrimento e os benefícios do desenvolvimento estivessem disponíveis a toda a humanidade. Confiar-lhe a gestão faria sentido em conjunto com esse objetivo. Tanto ações contrárias a esses valores quanto a concentração dos benefícios nas mãos de um grupo restrito nos afastariam dessa visão. Quero, portanto, examinar como o mundo desejado poderia funcionar, que dilemas apresentaria e o que exigiria de nós mesmos. A Novus Ignis deve ser a semente desse mundo e uma tentativa de conhecer seus princípios pela ação. Não queremos derrubar a ordem atual nem estigmatizar a economia de mercado, pois reconhecemos que o potencial tecnológico e organizacional desenvolvido no capitalismo pode ter sido um dos poucos cenários capazes de levar a humanidade ao limiar de tamanha abundância. Para que esse potencial possa, porém, se transformar em um mundo seguro para todas as pessoas, o próprio sistema não pode continuar igual. Gostaria que, passo a passo, por meio de iniciativas escolhidas voluntariamente e que se apoiem mutuamente, transferíssemos áreas sucessivas da vida cotidiana para soluções baseadas na proteção da dignidade: que garantam privacidade, capacidade de agir, participação nas decisões e acesso a serviços com preços próximos de seus custos reais de manutenção. A história já conhece casos em que aquilo que a febre de investimentos construiu sobreviveu à própria febre. A mania ferroviária do século XIX e o boom da fibra óptica na virada do milênio terminaram em crises, mas os trilhos e os cabos permaneceram e serviram às pessoas por décadas, muito depois de muitos investidores terem perdido dinheiro com eles.[^perez] Hoje, um entusiasmo semelhante ergue centros de computação. Se essa febre também passar, provavelmente serão as conexões de energia, as redes e os edifícios que servirão por mais tempo: segundo uma análise da PwC, a maior parte dos investimentos se destina hoje a equipamentos de informática, cuja substituição é prevista a cada quatro a seis anos.[^pwc-centra] Esses equipamentos, porém, não precisam se perder: uma capacidade computacional mais barata após a crise ainda poderia servir às pessoas por anos, por exemplo, para executar modelos de inteligência digital a preço de custo, desde que seu consumo de energia seja razoável em comparação com chips mais novos e econômicos. Às vezes, o que fica também muda de finalidade: durante quase vinte anos, o urânio de ogivas russas desmontadas foi combustível de usinas norte-americanas,[^megatony] e, ao longo da antiga faixa da morte da Cortina de Ferro, pessoas de muitos países protegem hoje o Cinturão Verde Europeu.[^zielony-pas] Ao olhar para as redes, fábricas, armazéns e cadeias de suprimentos construídos para um crescimento incessante, quero verificar quantas necessidades poderíamos atender administrando melhor o que já temos, consumindo menos recursos e recuperando tempo para nós. Esse excedente não precisa ser desperdício, pois oferece uma reserva para falhas, crises e descanso. Mas, por si só, não se transformará em abundância para todos; por isso, também pergunto quem o herdará e sob quais princípios. Quero aplicar a proteção da dignidade também à forma como colaboramos. Na utopia que imagino, cada pessoa tem suas necessidades básicas asseguradas e pode dedicar tempo ao que considera valioso e ao que seu coração deseja. Vejo o voluntariado como uma possibilidade de praticar parte dessa liberdade já hoje, de acordo com as próprias forças e a situação de vida. Quero que, na fundação, haja espaço para uma pequena contribuição, para o descanso e para a mudança de caminho. O ritmo de desenvolvimento deve nos permitir cuidar também de nosso sustento, de nossa saúde e das pessoas próximas. Gostaria também de documentar como traduzimos esses princípios em decisões, como resolvemos dilemas e o que aprendemos com os erros. Esse registro poderia servir às pessoas e tornar-se material de treinamento para futuros modelos de inteligência digital. Gostaria de verificar se aprender com esses exemplos ajuda os modelos a agir de acordo com os valores descritos aqui. Os próprios exemplos permaneceriam abertos à avaliação e à crítica, também para que compreendêssemos melhor as consequências de nossas escolhas. Dessa forma, quero oferecer às pessoas razões para acreditar que esse mundo é possível, construindo um ecossistema no qual possam experimentar seus princípios em ação e avaliar por si mesmas o que vale a pena desenvolver. Cada solução que funcionar pode melhorar uma parte da vida já agora e, ao mesmo tempo, nos ajudar a compreender melhor o mundo do qual gostaríamos de nos aproximar. O restante do manifesto desenvolve esse experimento: como poderiam ser diferentes esferas da vida se partíssemos de forma consistente da proteção da dignidade? *Marcin Wołowski, fundador* ### 1.2. Uma direção comum De uma pergunta pessoal pode nascer um trabalho em comum. Convidamos a participar pessoas de diferentes experiências e convicções. O que nos une é a escolha de proteger a dignidade humana e a disposição de verificar as consequências dessa escolha para a tecnologia, a colaboração e a gestão dos recursos. É possível usar os espaços criados sem a obrigação de participar de seu desenvolvimento ou de compartilhar todas as propostas apresentadas aqui. Uma pergunta nos une: que padrões de conduta deixaremos para a inteligência digital, que aprende com o que fazemos? Respondemos com uma tentativa, e não apenas com uma descrição: organizamos um pequeno pedaço do mundo segundo os princípios que esperamos dela e registramos como isso está funcionando, incluindo os erros. A Suveria, o Omniforum e a própria fundação são ferramentas dessa tentativa. Queremos desenvolver bens públicos digitais: ferramentas e conhecimentos que possam ser usados em conjunto, examinados e desenvolvidos. A referência é o padrão da Digital Public Goods Alliance.[^dpga] A abertura deve abranger também a possibilidade de transferir os próprios materiais e continuar o trabalho fora de um único serviço. Seguimos os princípios da tecnologia calma, que descrevemos na seção 2.3: a ferramenta deve ajudar a realizar aquilo para que a procuramos, e o benefício deve ser medido por uma melhor compreensão, maior autonomia e tempo recuperado. A proteção da dignidade indica a direção, e escolhemos soluções concretas comparando seu funcionamento e suas consequências. Para cada proposta, perguntamos: a quem ajuda, que dependências cria, quem pode deixar de fora e o que nos permitiria melhorá-la? Nesse processo, distinguimos claramente os valores adotados, as constatações sobre o mundo e as ideias que ainda queremos verificar. Extraímos do latim os nomes da fundação e de seus espaços: escolhemos essa língua como patrimônio comum da ciência, do direito e da educação de muitos países, que hoje não pertence a nenhuma potência. O nome Novus Ignis, em latim “fogo novo”, expressa a esperança de que o raciocínio conjunto possa ser o início de uma ação. Nas próximas partes, desenvolvemos essa direção, da privacidade pessoal aos princípios de gestão dos bens comuns. ## 2. Da proteção da dignidade aos princípios de um mundo compartilhado Consideramos a dignidade humana um valor independente da capacidade, produtividade, patrimônio, opiniões e utilidade de uma pessoa para os outros. Todas as pessoas têm direito ao respeito e a seu próprio lugar no mundo, inclusive em um futuro no qual a inteligência digital pudesse nos superar no raciocínio ético. A conduta ética também permanece uma direção de trabalho sobre si, e não um exame que dê direito ao respeito. Queremos traduzir o cuidado com a dignidade, que chamamos de amor e que cada pessoa pode descrever com suas próprias palavras, em condições de vida cotidiana e de colaboração. Começamos pelo mundo digital. ### 2.1. Liberdade e escolha consciente Da proteção da dignidade derivamos o direito de cada pessoa a decidir sobre si. Chamamos de liberdade a possibilidade de escolher o próprio caminho e conduzir a própria vida. Ela abrange a liberdade de ser quem se é, construir relações, fazer perguntas, cometer erros e mudar de opinião, com igual respeito pela dignidade das pessoas cuja vida é afetada por nossas ações. Uma escolha consciente exige acesso a informações confiáveis. Quando alguém distorce deliberadamente a compreensão de uma situação, oculta circunstâncias relevantes ou explora nossos receios para realizar objetivos ocultos, viola essa liberdade. Formalmente, a decisão continua sendo nossa, mas suas bases foram organizadas para servir às intenções alheias. A persuasão honesta permite conhecer as razões, os interesses e os valores que sustentam uma proposta e avaliá-la de forma autônoma. Por isso, queremos facilitar o acesso a uma visão tão ampla quanto possível da questão: perspectivas relevantes, suas justificativas, fontes e dúvidas identificadas. Fatos, interpretações, previsões e escolhas morais devem ser claramente diferenciados, e os argumentos, avaliados pela qualidade de sua fundamentação. Cabe a cada pessoa decidir quanta atenção quer dedicar a isso. Pode se limitar a uma breve explicação, aprofundar um tema específico ou deixar conscientemente de lado parte das informações disponíveis. A ferramenta deve mostrar claramente o alcance do resumo apresentado e o caminho para saber mais. Dessa forma, o amplo acesso ao conhecimento se combina com a liberdade de estabelecer os limites do próprio envolvimento. ### 2.2. Privacidade como espaço de liberdade Decidir sobre si inclui também escolher o que guardamos para nós. Precisamos de espaço para perguntas pessoais, emoções e ideias ainda inacabadas. A própria casa, cuja porta podemos fechar, é uma imagem simples dessa necessidade: nós mesmos escolhemos quem convidamos e o que mostramos aos outros. Esse espaço permite buscar palavras, considerar possibilidades contraditórias e mudar de opinião sem precisar explicar cada pensamento diante de um público. A privacidade nos dá condições de conhecer a nós mesmos e formar nossas próprias convicções em nosso ritmo. Isso ganha especial importância nas conversas com a inteligência digital, à qual às vezes descrevemos nossas questões mais íntimas. Queremos que os próprios dispositivos do usuário sejam o local principal de armazenamento de materiais privados. Conversas, anotações e planos devem permanecer em contêineres criptografados, isto é, conjuntos de dados cuja leitura exige a chave apropriada. O controle dessas chaves deve pertencer ao usuário. Prevemos também a possibilidade de armazenar dados em servidores escolhidos, por exemplo, para criar cópias de segurança ou acessar de diferentes dispositivos. Esse armazenamento deve ser uma escolha consciente do usuário. Queremos que os dados sejam criptografados em seu dispositivo antes do envio e que o provedor os armazene de uma forma que ele próprio não consiga ler. Assim, o uso de infraestrutura remota deve favorecer a conveniência e a continuidade do acesso, preservando o controle dos conteúdos privados. Buscamos a privacidade completa desse espaço, incluindo a proteção contra o acesso do operador do serviço. Queremos fundamentá-la em mecanismos de segurança cujo funcionamento possa ser verificado de forma independente. Para cada solução disponibilizada, descreveremos claramente o alcance da proteção, seus pressupostos e limitações conhecidas. Tratamos as lacunas identificadas como tarefas a resolver e o conhecimento de suas consequências como informação necessária para que cada pessoa use a ferramenta de forma consciente. ### 2.3. Redução do sofrimento e proteção da atenção A proteção da dignidade inclui também o cuidado com a forma como cada pessoa vivencia o mundo. Queremos reduzir o sofrimento que podemos evitar e criar condições favoráveis à compreensão e ao apoio. O que vivenciamos no espaço digital faz parte de nossa vida e afeta nosso bem-estar e nossas relações. A forma de selecionar conteúdos também importa. Em um experimento na plataforma X, a mudança na visibilidade de conteúdos que expressavam hostilidade política afetou os sentimentos de raiva e tristeza relatados pelos participantes durante o uso do serviço.[^ranking-emocje] Quando o sucesso de um serviço é medido principalmente pelo número de reações e pelo tempo diante da tela, essa forma de avaliação pode favorecer a manutenção da excitação emocional. Queremos avaliar nossas ferramentas por sua capacidade de ajudar cada pessoa a compreender uma situação, tomar sua própria decisão e se dedicar ao que considera importante. Por isso, nos identificamos com os princípios da tecnologia calma (*calm technology*): ferramentas que exigem apenas a atenção necessária para sua tarefa, comunicam informações relevantes e permitem voltar aos próprios assuntos.[^calm-tech] O participante deve poder escolher o ritmo, fazer uma pausa e encerrar o uso. O espaço compartilhado deve servir também a quem o visita raramente ou prefere permanecer como leitor. A proteção da dignidade inclui também o direito à vida fora da tecnologia. Nela também há espaço para a raiva, a tristeza e a oposição firme. Elas podem ajudar a reconhecer uma injustiça e buscar mudanças. Queremos apoiar sua expressão e compreensão e uma conversa que permita esclarecer a questão, agir ou manter conscientemente posições diferentes. Baseamos a comunicação em nosso próprio site, no qual as publicações completas estão disponíveis sem a criação de uma conta. Cada leitor escolhe como e em que ritmo acompanha nosso trabalho. Os perfis em outras redes servem para conhecer pessoas e direcioná-las ao acervo comum, e queremos conduzir a conversa aprofundada no Omniforum. ### 2.4. Do legado do mercado a princípios duradouros de colaboração Olhamos para a economia contemporânea com reconhecimento por suas realizações e atenção a suas limitações. O capitalismo e a concorrência de mercado mobilizaram uma enorme energia criativa, que levou à criação de infraestrutura global, equipamentos avançados e modelos abertos de inteligência digital. Graças a isso, vivemos um momento sem precedentes na história: a tecnologia se tornou acessível o bastante para que queiramos verificar se até um pequeno grupo de pessoas pode unir forças, pagar capacidade computacional com pequenas contribuições e colocar em funcionamento ferramentas próximas das melhores do mundo segundo seus próprios princípios, com privacidade verificável e a preço de custo. Hoje podemos tentar construir bens comuns tão avançados a partir da base, sem pedir autorização ou subsídios a políticos ou grandes instituições, embora todo apoio bem-intencionado possa acelerar esse processo. Ao mesmo tempo, vemos onde o modelo atual encontra seus limites e produz distorções. Quando o objetivo principal de um serviço passa a ser maximizar o lucro de acionistas externos, isso gera, com o tempo, pressão para explorar a dependência dos usuários. Cory Doctorow descreve esse processo com o nome enshittification (degradação das plataformas): condições inicialmente favoráveis atraem pessoas e, quando transferir contatos, materiais e hábitos de trabalho se torna cada vez mais difícil, o operador começa a se apropriar de uma parcela crescente dos benefícios à custa dos participantes.[^doctorow] Entre as experiências do fundador também estiveram mudanças semelhantes em ferramentas comerciais de inteligência digital: a retirada gradual de recursos gratuitos, a redução de limites e a transferência de funções essenciais para assinaturas cada vez mais caras. Isso mostra claramente que o progresso tecnológico, por si só, não basta e que o sistema de governança em que a tecnologia funciona é igualmente importante. Manter os serviços exige recursos reais, e uma cobrança transparente lhes dá estabilidade saudável. Por isso, queremos usar as excelentes ferramentas desenvolvidas no sistema atual para transformar, passo a passo, os princípios de colaboração: de modo que os participantes compreendam a base das cobranças, participem das decisões sobre o desenvolvimento e sempre preservem a liberdade de escolha. Nas plataformas comerciais, o preço da assinatura costuma reunir em um único valor o custo de uso, a manutenção de contas gratuitas que atraem tráfego, o marketing, a administração e o lucro dos investidores, sem que o usuário veja a participação de cada componente. Quando, em nosso modelo, retiramos esse acréscimo oculto e nos baseamos em cobranças justas pelo uso real, a economia pode mudar a favor de cada pessoa. Nossa hipótese é que, já com um número relativamente pequeno de participantes regulares, a infraestrutura compartilhada pode lhes oferecer mais capacidade computacional e inteligência digital por dólar gasto do que os serviços comerciais fechados, com a proteção da privacidade baseada em mecanismos de segurança verificáveis. Queremos verificar essa hipótese publicamente: no whitepaper da Suveria, apresentaremos um cálculo datado, seus pressupostos e os resultados dos testes. ### 2.5. Princípios sustentados pela prática Queremos que os direitos dos participantes se apoiem na construção da tecnologia, em princípios organizacionais públicos e na possibilidade de verificar de forma independente seu funcionamento. A proteção deve permanecer eficaz também diante da mudança de gestores, do crescimento da popularidade ou da pressão financeira. Por trás das palavras “privado”, “aberto” e “gratuito” devem existir propriedades e condições de uso descritas com precisão. Aplicamos essa exigência também a nossas próprias declarações. Toda promessa técnica precisa de um mecanismo verificável e de uma descrição de seus limites; todo compromisso organizacional, de uma pessoa responsável e de um procedimento de controle; e toda escolha moral, de uma justificativa clara. A liberdade de uso inclui a possibilidade de sair e continuar o trabalho em outro lugar. Por isso, queremos desenvolver nosso ecossistema como bens públicos digitais, com código aberto, documentação e princípios de colaboração entre as ferramentas. Queremos salvar os materiais do usuário em formatos abertos e documentados que permitam sua leitura e utilização em outros programas. O complemento deve ser formado por APIs abertas e bem descritas, isto é, meios pelos quais diferentes aplicativos podem colaborar e trocar dados no alcance escolhido pelo usuário. Isso deve permitir o uso de ferramentas criadas tanto pela fundação quanto por outras comunidades, criadores independentes ou pelos próprios participantes. A transferência deve abranger também as informações necessárias para continuar compreendendo os materiais: suas fontes, sua história e suas inter-relações. Queremos que cada pessoa preserve o acesso útil a seu acervo também após deixar de usar nossos serviços. A abertura das ferramentas deve fortalecer seu controle sobre os próprios materiais e sua liberdade de escolher com quem compartilhá-los. Propomos manter os serviços com cobranças tão próximas quanto possível dos custos reais de seu funcionamento. As contribuições voluntárias para o desenvolvimento futuro devem ir para um orçamento comum, cujo uso deve ser decidido pela comunidade. Essa forma de financiamento deve vincular o desenvolvimento dos serviços às necessidades dos participantes e aos custos de atendê-las. Princípios compartilhados exigem justificativas claras para as decisões, a possibilidade de comunicar um erro e de recorrer. Precisam de atenção especial as pessoas cuja voz é menos visível e aquelas que sofrem os efeitos das decisões fora de nossa comunidade. As medidas de proteção dos participantes devem ser adequadas ao problema e causar o menor incômodo possível. Queremos avaliar e corrigir as soluções adotadas com base em seus efeitos reais. Desses princípios nascem duas frentes complementares. **A Suveria** deve oferecer um espaço privado para pensar, criar e planejar com a ajuda da inteligência digital. **O Omniforum** deve criar condições para apresentar suas razões, conhecer outras perspectivas e refletir em conjunto sobre questões que nos dizem respeito. Cada pessoa deve escolher o que guarda em seu próprio espaço, o que compartilha com os outros e como participa da construção de um mundo compartilhado. ## 3. Suveria e Omniforum: um espaço próprio e compreensão compartilhada A Suveria e o Omniforum respondem a duas necessidades complementares: trabalhar livremente com os próprios pensamentos e compreender em conjunto as questões que nos dizem respeito. Nós os projetamos para que cada pessoa possa usar cada um separadamente e trazer conscientemente resultados escolhidos de sua reflexão privada para a conversa com os outros. ### 3.1. Suveria: um espaço próprio e privado na internet A Suveria, a parte privada do ecossistema, deve ser o espaço próprio de cada pessoa na internet. Queremos que estar nesse espaço dê a sensação de estar em casa com as portas fechadas: a liberdade de pensar, conversar, criar e elaborar planos, além da possibilidade de decidir quem convidamos e o que compartilhamos com o mundo. A privacidade completa é o objetivo que orienta o projeto de toda a Suveria. Os conteúdos privados devem servir aos fins escolhidos pelo usuário, e os mecanismos de segurança adotados devem protegê-los também contra o acesso por nós, as pessoas que operam a infraestrutura. Esse princípio deve valer para todas as ferramentas disponibilizadas em nosso espaço. Queremos que o endereço **suveria.org** seja um sinal reconhecível desse compromisso. A sensação de segurança deve se apoiar em mecanismos de proteção cujo funcionamento possa ser verificado de forma independente e em um conhecimento compreensível de suas possibilidades e limitações. A privacidade no serviço não pode depender da confiança cega nas boas intenções de nossa fundação nem dos administradores dos servidores. Toda promessa de segurança deve ter comprovação no código e no silício, e não apenas em nossas palavras. Aplicamos a proteção da dignidade também às pessoas que podem ser afetadas pelas consequências do uso de nossas ferramentas. Queremos prevenir abusos sem ler conversas privadas: por meio dos princípios seguidos pelo próprio assistente, dos limites das permissões das ferramentas, dos limites de recursos e da proteção contra a criação massiva de contas. Não criamos acessos ocultos a conteúdos privados, pois enfraqueceriam a proteção de todos. Descreveremos o alcance dessas proteções, sua eficácia e suas limitações no whitepaper da Suveria. Queremos que, nesse espaço, seja possível compartilhar com o próprio assistente digital pessoal até as reflexões mais profundas: falar de desejos, receios, relações e dilemas, sem medo de que uma compreensão tão íntima da pessoa um dia seja monetizada ou usada para influenciá-la. Com o consentimento do usuário, o assistente pode usar a memória de conversas anteriores para compreender melhor o contexto de nossa vida: lembrar os motivos de antigas decisões, comparar os valores professados com as escolhas e ajudar a perceber outras perspectivas. Essa reflexão permanece inteiramente voluntária, e o modelo deve distinguir claramente sua própria sugestão de uma posição que a pessoa tenha conscientemente adotado como sua. Nessa reflexão também há espaço para nossa imperfeição. O atrito entre nossos princípios, nossas escolhas e o mundo ao redor pode indicar um conflito de valores, limitações da situação ou uma zona cinzenta que queremos esclarecer. Podemos buscar uma mudança nas ações ou no ambiente, tornar uma convicção mais precisa ou preservar um ideal importante para nós, reconhecendo que hoje o realizamos apenas parcialmente. Também temos o direito de deixar a pergunta em aberto. Cada pessoa também pode criar aqui seu próprio conjunto de princípios e valores, que chamamos de Cânone Pessoal (*Canon Personalis*). Com seu consentimento, o assistente deve ajudar a compará-los com as decisões em consideração, perceber tensões e buscar uma resposta própria. Adotar, mudar ou rejeitar um princípio permanece uma escolha do usuário, inclusive quando a maioria da comunidade pensa de outra forma. A base do projeto é usar modelos abertos de inteligência digital disponibilizados em condições que permitam executá-los de forma autônoma e oferecê-los aos usuários praticamente a preço de custo. No início, queremos usá-los em provedores de computação confidencial e, se os cálculos e as condições justificarem, em servidores que nós mesmos administremos. Assim, podemos concentrar o trabalho na criação de um ambiente privado para usar modelos existentes, preservando a possibilidade de desenvolver também nossos próprios modelos no futuro. Computação confidencial é o processamento em uma parte do servidor isolada por hardware, cujo conteúdo seu administrador não consegue ler. O aplicativo pode verificar essa proteção antes de enviar a conversa. Essa proteção depende dos fabricantes de processadores e tem limites conhecidos, que descrevemos no whitepaper da Suveria. No início, a confidencialidade será uma declaração do provedor que verificamos. A infraestrutura mantida em conjunto deve oferecer a capacidade computacional necessária para manter o serviço e ampliá-lo com novas funções. Hoje, a Suveria é nosso melhor caminho para trabalhar de forma privada com a inteligência digital, e não um fim em si mesma. Se os modelos couberem no próprio dispositivo ou surgir uma forma melhor de proteção, parte desse caminho se tornará desnecessária, e consideraremos isso uma boa notícia. ### 3.2. Omniforum: das declarações à compreensão compartilhada Quando abrimos a porta de nossa casa e saímos ao encontro dos outros, precisamos de um lugar no qual cada pessoa possa se expressar com sua própria voz e ser realmente ouvida. Projetamos o Omniforum como um espaço compartilhado de conversa centrado em questões, perguntas e dilemas concretos. Em vez de perder argumentos valiosos em um fluxo de comentários rápidos, o Omniforum deve ajudar a construir, em conjunto, um mapa da história dos argumentos sobre determinado tema. Com a ajuda da inteligência digital, sempre sob o controle e com o consentimento do autor, declarações complexas podem ser decompostas em pensamentos individuais e conectadas a fontes e às experiências de outras pessoas. Assim, duas pessoas com opiniões aparentemente contraditórias podem ver quais valores e objetivos as unem e em que ponto exato seus caminhos de raciocínio divergem. Na programação, um único comando pode substituir muitas instruções detalhadas. De modo semelhante, na conversa cotidiana transmitimos, em uma única frase, muitos pressupostos, valores e expectativas. Enquanto nos compreendemos, esses atalhos bastam. Quanto mais complexas forem as questões que discutimos e mais precisas as mudanças que quisermos realizar juntos, mais difícil será manter na cabeça todo o contexto da declaração alheia sem simplificá-lo. Mas, quando surge um mal-entendido ou é preciso decidir em conjunto o que fazer, vale examinar o que cada um de nós entende pelas mesmas palavras. Queremos que seja possível conversar de forma natural no Omniforum e que a inteligência digital ajude a criar um mapa dos pensamentos que compõem uma declaração e de suas relações. Podemos corrigir e tornar mais precisa a interpretação que ela propõe de nossas palavras, às vezes compreendendo melhor nossa própria posição durante o processo. A montagem manual desse mapa deve continuar sendo uma opção para quem desejar, e o mapa detalhado deve ajudar quando quisermos chegar à origem concreta de uma divergência. Podemos ficar na visão geral ou olhar mais a fundo onde isso for importante para nós. O objetivo do Omniforum é a plena transparência das razões: encontrar tanto áreas de acordo quanto um respeito consciente pela diversidade de posições. Consideramos frutos igualmente valiosos da conversa uma solução compartilhada, uma divergência descrita de forma honesta, uma compreensão melhor das intenções alheias, a visibilidade da voz da minoria e a liberdade de mudar de opinião diante de novos argumentos. Desse diálogo organizado nasce um acervo duradouro: uma narrativa clara sobre uma ideia, que permite a novos participantes chegar rapidamente ao cerne da questão e oferece à comunidade uma base sólida para tomar decisões em conjunto. Queremos construir esse mesmo mapa também em torno de interesses cotidianos: cuidar de plantas, cozinhar, fazer consertos ou aprender novas habilidades. O participante poderia acompanhar temas escolhidos, por exemplo, “o crème brûlée caseiro mais saboroso, com um toque picante”, “como cultivar hera para que seus ramos cresçam o máximo possível” ou “como compreender o final de um livro ou de uma série favorita”, e, na visita seguinte, ver apenas novas conclusões, resultados de testes e perguntas que continuam em aberto. Bastaria então comparar as soluções da comunidade com suas próprias necessidades, escolher o que for útil e voltar a suas atividades, sem ter de vasculhar o ruído. ### 3.3. Uma passagem consciente e um ecossistema mais amplo A conexão entre esses dois espaços permite preservar uma fronteira saudável entre o íntimo e o cívico. De uma longa reflexão privada na Suveria, cheia de hesitações, cada pessoa pode extrair uma pergunta ou um argumento bem pensado e publicá-lo conscientemente no Omniforum, mantendo o restante de suas anotações e motivações exclusivamente para si. Chamamos esse passo consciente de Cerimônia Ignis (*Caerimonia Ignis*). Por sua vez, a base de conhecimento compartilhada do Omniforum pode servir de material para buscas privadas, inclusive por meio de complementos simples nos lugares em que as pessoas já conversam diariamente na internet, fora da Novus Ignis. Para nós, a Suveria e o Omniforum são o primeiro passo rumo a um ecossistema mais amplo de uma internet alternativa cujo valor supremo é a dignidade humana. Acreditamos que os mesmos princípios, como a proteção da dignidade, os formatos abertos de dados que permitem sair a qualquer momento com o próprio acervo e as cobranças tão próximas quanto possível dos custos reais de manutenção da infraestrutura, podem, com o tempo, dar forma a outras ferramentas digitais cotidianas. Queremos que, por sua qualidade e honestidade, ofereçam às pessoas uma opção real diante dos serviços comerciais. Descrevemos a arquitetura detalhada de segurança, a mecânica do trabalho com argumentos e o plano de testes técnicos, ao qual acrescentamos novos resultados, nos whitepapers da [Suveria](whitepaper-suveria.md) e do [Omniforum](whitepaper-omniforum.md), desenvolvidos em paralelo. No site da fundação, queremos desenvolver um guia de aplicações da Suveria e do Omniforum: histórias curtas que mostrem, passo a passo, em quais situações essas ferramentas podem ajudar. Convidamos todos a compartilhar suas próprias ideias de uso. ## 4. Uma conversa que deixa um acervo comum ### 4.1. De uma onda de atenção compartilhada a um acervo duradouro da humanidade Nossa atenção coletiva segue naturalmente o ritmo dos acontecimentos e, muitas vezes, se concentra de forma repentina, em escala mundial, em uma única questão urgente. Nesses momentos, milhões de pessoas compartilham ao mesmo tempo experiências, emoções e argumentos; no entanto, nos dispersamos com muita facilidade. Novos estímulos rapidamente nos levam em outra direção, e uma enorme energia social evapora ou é usada para exercer influência e aprofundar divisões. No Omniforum, queremos transformar esse fenômeno indomado em um acervo duradouro da humanidade: conhecimento organizado sobre nossos argumentos, opiniões, valores e formas de raciocínio. O objetivo não é escolher o vencedor de uma disputa. Um argumento que contesta nossa posição pode ser tão valioso quanto um que a apoia, e também se pode trazer uma ideia para que outras pessoas ajudem a encontrar uma melhor. Em vez de reiniciar sempre as mesmas disputas, a comunidade pode se apoiar nas conclusões já elaboradas sempre que um tema retorna e dar mais um passo, enquanto novos participantes ganham um mapa claro da conversa percorrida até então. Esse registro vivo da história das ideias também apoia nosso desenvolvimento pessoal. Voltar voluntariamente a nossas antigas posições permite observar com distanciamento como nosso pensamento se forma, reconhecer os princípios que nos orientam e mudar conscientemente de opinião diante de novos fatos ou de uma compreensão mais profunda de outra pessoa. ### 4.2. Significado, fonte e proteção da intenção Nas discussões cotidianas, é fácil tirar palavras de contexto, recorrer a atalhos de pensamento e entrar em disputas sobre o que alguém de fato quis dizer. Para facilitar uma reflexão rigorosa, no Omniforum uma declaração complexa pode ser decomposta em pensamentos individuais, como afirmações, perguntas, valores e condições, e cada pensamento, nos conceitos dos quais é formado. Chamamos os conceitos de átomos e os pensamentos formados por eles de moléculas. Essa divisão preserva a conexão completa com o original, e o autor sempre pode verificar e corrigir a formulação proposta para ter certeza de que sua posição não foi reduzida nem distorcida. Nesse processo, cuidamos de uma delimitação rigorosa dos papéis: identificamos claramente as palavras originais do autor, a interpretação auxiliar proposta pelo modelo e a interpretação independente do leitor. A confirmação do autor significa que considerou essa interpretação fiel à sua intenção, mas não encerra a discussão, e os leitores mantêm pleno direito à própria análise, ao exame das evidências e ao questionamento da veracidade da própria tese. Concordar com a organização de uma declaração, avaliar o conteúdo das fontes e votar sobre uma questão são três passos distintos. ### 4.3. Exame das informações e novas formas de explicar o mundo Na internet, encontramos com frequência informações fora de contexto: vídeos curtos, reels e publicações de pessoas cuja história e intenções desconhecemos. Sem acesso fácil às fontes, é difícil distinguir conhecimento confiável de manipulação. Nessa mistura de verdade e falsidade, é extremamente fácil semear dúvidas nas pessoas que levam à impotência, à indiferença e à estagnação social. Queremos criar um protocolo compartilhado e aberto de verificação que ajude a recuperar uma base firme também nos lugares da internet que já usamos diariamente. Com a ajuda da inteligência digital, da base de conhecimento aberta do Omniforum chamada Omnium (do latim, “de todos”) e de uma interface para outros aplicativos (OmniAPI), qualquer pessoa poderia comparar rapidamente um vídeo, um artigo ou uma declaração pública com o acervo existente: verificar em quais pressupostos se baseia, como se sustenta diante das fontes e quais argumentos já foram apresentados sobre a mesma questão. Queremos, ao mesmo tempo, que conhecer ideias complexas exija o menor esforço cognitivo possível e seja tão acessível quanto assistir a um bom vídeo. Em uma visão mais distante, em vez de obrigar o leitor a atravessar compilações áridas de texto, a árvore estruturada de argumentos do Omniforum pode se tornar a base para gerar narrativas claras e animadas, com narração, que conduzam passo a passo pelas conexões entre pensamentos individuais e pelo que deles decorre. Como a base dessa comunicação é formada por conceitos interligados (átomos), e não por arquivos pesados de vídeo, toda a narrativa pode ser facilmente atualizada quando surgirem novas evidências e traduzida automaticamente para diferentes línguas, cuidando em conjunto para que as traduções transmitam fielmente o sentido em cada cultura. Desse trabalho também podem nascer novos tipos de estudos que conduzam o leitor por problemas complexos: de um projeto de lei, contrato ou promessa política, passando por suas diversas interpretações, até as consequências reais para nossa vida e para o mundo. Nesse processo, valorizamos o trabalho de cada colaborador, muitas vezes menos visível, mas fundamental para a verdade: encontrar a fonte original, explicar com calma um mal-entendido, recuperar uma perspectiva omitida ou corrigir uma relação equivocada entre pensamentos. O valor da contribuição decorre do quanto ela esclarece a questão, mesmo quando não leva a um acordo geral. Essa organização também pode ajudar pessoas, equipes e instituições às quais muitas pessoas dirigem perguntas semelhantes e recorrentes. Em vez de enfrentar separadamente milhares de comentários, poderiam responder a questões comuns construídas a partir dessas vozes conectadas, e os participantes teriam acesso à posição referente à sua pergunta. A correspondência automática deve ser visível e passível de correção, preservando o direito de dizer: “minha dúvida se refere a outra coisa”. A resposta deve apresentar fielmente a intenção aprovada pelo autor e deixar espaço para novos argumentos. Uma boa narrativa sobre uma ideia oferece ao leitor um momento claro de fechamento: fica claro o que foi possível estabelecer, onde a divergência continua e que nova evidência poderia mudar a avaliação. Quando surge uma nova informação ou vem à tona um erro relevante, sempre existe um caminho claro de volta ao tema. Assim, a conversa permanece viva em seu acervo organizado, deixando aos participantes tempo para sua própria vida e para agir. ## 5. Da compreensão à ação conjunta ### 5.1. Contato com a realidade: fatos, visões e valores A verdadeira democracia começa muito antes de depositar um voto na urna. Quem decide quais perguntas serão feitas e quais argumentos desaparecerão silenciosamente da vista pode, na prática, determinar o resultado da votação. Por isso, no Omniforum, os princípios de definição da ordem da conversa, de moderação e de criação de resumos devem ser inteiramente públicos e abertos a questionamento. Toda pessoa que perceba uma perspectiva omitida ou um fato incômodo deve ter um caminho simples para colocá-los na mesa comum. Para organizar nossa reflexão compartilhada, colocamos a realidade no topo da árvore do Omniforum, da qual partem dois grandes ramos: o mundo dos fatos (o que pode ser verificado, junto com o grau de confirmação já existente) e o mundo das opiniões e dos valores (nossas necessidades, experiências e convicções sobre o que é certo). Mostrar uma cadeia clara que conecte determinada ideia a fatos ou necessidades humanas nos permite distinguir soluções prontas para implementação daquelas que “perderam o contato com a realidade”. Ao mesmo tempo, ao lado do que já é real, reservamos um lugar de pleno direito para o mundo das teorias, da imaginação e das visões ousadas. Muitas ideias transformadoras, da energia de fusão nuclear amplamente disponível ao teletransporte puramente teórico, ainda não dispõem hoje de todos os elos que permitiriam conectá-las às possibilidades atuais da ciência e da técnica. No Omniforum, não descartamos essas reflexões: em vez de rejeitá-las, nós as colocamos no espaço das hipóteses, com a condição claramente indicada de “o que precisaria se tornar possível para que isso funcionasse”. Assim, podemos investigar com antecedência as consequências sociais, éticas e econômicas de futuras descobertas. Quando a ciência finalmente fornecer o elo que falta, todo o ramo de pensamentos desenvolvido antes poderá se conectar naturalmente à árvore da realidade, dando à humanidade uma base para reavaliar a questão. Comparar os pressupostos anteriores com a forma como esse elo realmente funciona no mundo ajudará então a aperfeiçoar as conclusões práticas. O Omniforum deve nos ajudar a conectar o mundo de hoje aos futuros dos quais queremos nos aproximar. Para cada ideia, queremos responder o que exatamente propomos, para quê, por quê e como isso deveria funcionar, além de indicar o que já verificamos, o que é projeto, o que é hipótese e o que é visão. Assim, fica visível quais elos já temos e quais ainda faltam. Vários bons caminhos podem levar ao mesmo valor; queremos compará-los junto com as pessoas afetadas pela mudança. Examinaremos da mesma forma as ideias deste manifesto, começando por exemplos individuais. A visão utópica se torna então um convite a um trabalho concreto: encontrar o elo que falta, verificar um pressuposto ou experimentar o primeiro passo. A distinção entre fatos, visões e valores também nos ajuda a combinar com sabedoria a meritocracia com uma democracia igualitária quando passamos a tomar decisões presentes: **No campo dos fatos e da viabilidade**, o que decide são as evidências verificáveis e a verificação na prática. A verdade sobre como uma tecnologia funciona ou quais consequências uma lei introduzida produziu não é determinada por votação; tratamos as previsões de consequências como hipóteses. Até uma única pessoa capaz de demonstrar um erro de cálculo ou uma falha de segurança pode barrar um pressuposto equivocado. **No campo das opiniões, dos objetivos e dos valores**, enfrentamos a pergunta sobre o mundo que queremos, e aqui cada pessoa é um ponto de referência igual. Para evitar decisões cegas por maioria em questões difíceis, queremos mostrar claramente, ao lado da distribuição geral dos votos, como determinado problema é avaliado por pesquisadores e profissionais da área e como é avaliado pelas pessoas que sentirão diretamente na própria pele os efeitos da decisão, com base em informações que os próprios participantes decidirem fornecer, separadamente do voto secreto. Dessa forma, o conhecimento especializado e as evidências concretas funcionam como uma bússola que protege a comunidade de erros, as hipóteses ousadas nos permitem olhar para um futuro distante, e a cédula final de votação sobre a direção comum permanece igual para cada participante, independentemente de seu patrimônio, popularidade ou número de publicações. ### 5.2. Direitos iguais e escolha privada Buscamos votações nas quais cada pessoa habilitada tenha exatamente um voto efetivo, possa verificar matematicamente que ele foi contado e, ao mesmo tempo, preserve o sigilo completo de sua escolha. Queremos vincular o direito de voto à confirmação de que quem vota é uma pessoa, e não ao valor das contribuições ou ao tempo de uso dos serviços; o whitepaper do Omniforum descreve como obtê-lo. Para que, com o tempo, o maior número possível de pessoas de diferentes lugares do mundo possa participar das votações, podemos admitir vias de verificação nas quais uma pessoa consiga dar mais de um voto. Descrevemos esse risco abertamente e o medimos em testes, e o objetivo continua sendo um sistema unificado no qual cada pessoa tenha um voto. Uma parte importante desse caminho são as provas de conhecimento zero (ZKP), que permitem confirmar o direito de voto sem revelar a identidade de quem vota.[^semaphore] A conversa e as consultas devem ser abertas a qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo; o direito ao voto vinculante estará inicialmente disponível apenas onde já tivermos uma via segura de verificação, isto é, nos países da União Europeia, à medida que disponibilizarem a carteira europeia de identidade digital. Para nós, isso é um fundamento da liberdade de consciência, que a tecnologia contemporânea permite proteger melhor. O mapa privado de convicções e as anotações de trabalho na Suveria permanecem permanentemente separados da cédula de votação, para que ninguém precise temer o ostracismo social e a pressão das pessoas ao redor e para dificultar ao máximo a exigência de comprovação de como se votou. O alcance dessa proteção depende do protocolo, de seus operadores e do dispositivo de quem vota; ela não abrangerá uma situação na qual alguém controle a pessoa ou seu dispositivo até o fim da votação. A criptografia, por si só, porém, não resolverá todos os problemas do mundo físico; por isso, antes de organizar eleições vinculantes, precisamos desenvolver princípios igualmente sólidos, acessíveis a pessoas com menos conhecimento técnico, para verificar os participantes, recuperar o acesso e resolver disputas. Por sua vez, quem ficar em minoria na votação preserva sua dignidade plena, a visibilidade de suas objeções e o direito a recorrer caso os princípios compartilhados tenham sido violados. ### 5.3. De um ramo comum na árvore das ideias ao financiamento da ação No modelo final pretendido para o Omniforum, o apoio a um pensamento interessante abre a conversa, enquanto a decisão de gastar dinheiro comum exige passar da ideia ao plano. Um projeto encaminhado à implementação deve ter um “caminho verde” na árvore: uma sequência de relações que permita acompanhar tanto sua base nos fatos quanto a concordância da comunidade com as escolhas que o sustentam. **No caminho dos fatos**, a votação não substitui as evidências. O plano deve nascer de premissas técnicas e jurídicas verificadas. Mostramos sua fundamentação, as condições de execução e manutenção da solução e os pontos em que ainda faltam respostas. O projeto tem um objetivo claramente definido, alternativas consideradas, executores responsáveis, um orçamento e uma forma de avaliar os efeitos. **No caminho das opiniões e dos valores**, as escolhas sucessivas nas quais o projeto se baseia devem obter a concordância exigida da comunidade. Estabelecemos o limiar dessa concordância antes da votação, de acordo com a importância da questão, a escala do gasto e a reversibilidade das consequências: de uma maioria simples a um apoio muito amplo para decisões de consequências profundas. Cada participante tem igual direito de voto, e as objeções de quem fica em minoria preservam seu lugar na conversa. É assim que queremos sair do impasse. O mapa no Omniforum deve mostrar até que ponto caminhamos lado a lado e em qual pressuposto ou escolha nossos caminhos divergem. Podemos então separar e financiar a parte da iniciativa para a qual já temos base nos fatos e concordância quanto aos valores, se ela formar um conjunto autônomo e funcional e a comunidade aprovar exatamente esse alcance. O ramo em disputa permanece aberto: podemos buscar para ele uma conciliação melhor, verificar outras soluções ou descobrir um caminho inteiramente diferente para o objetivo comum. Uma pergunta em aberto também pode ser motivo para agir. Se o elo que falta ainda não permite justificar a implementação, podemos financiar uma pesquisa destinada a fornecer a resposta ausente. Uma parcela separada e limitada dos recursos comuns e o tempo ocioso dos servidores podem servir para pequenos testes, maquetes e protótipos desenvolvidos junto com a conversa. Definimos de antemão o que queremos descobrir, quanto podemos destinar a isso e em quais condições concluímos ou interrompemos o teste. Os resultados ajudam a decidir se a ideia deve ser desenvolvida, alterada ou preservada como experiência para novas buscas. Quando a ação começa, mantemos um registro aberto das decisões: o que pretendíamos alcançar, quais eram as objeções, o que esperávamos e o que realmente aconteceu. Nele, têm um lugar especial as vozes das pessoas que sentiram os efeitos da ação, inclusive quando sua experiência diverge da avaliação dos executores. Compartilhamos relatos pessoais com o consentimento de seus autores, protegendo a privacidade das pessoas a que se referem. Preservamos também o registro de ideias que não foram colocadas em prática, mas ajudaram a encontrar um caminho melhor. Assim, sucessos, erros e mudanças de direção retornam à árvore do conhecimento e nos ajudam a tomar as próximas decisões com mais sabedoria. ## 6. Manutenção compartilhada e trabalho responsável ### 6.1. Serviços tão próximos do custo quanto possível Buscamos cobrar pelo uso real do serviço em determinado ciclo, com uma participação claramente descrita nos custos de manutenção da infraestrutura compartilhada. Eles abrangem capacidade computacional, armazenamento de dados, segurança, atendimento e prontidão para operar. A explicação de como a conta é calculada deve estar sempre disponível, e cada pessoa estabelece o limite de seus próprios gastos. Queremos vincular a cobrança ao uso efetivo e a princípios transparentes de manutenção compartilhada. Os valores pré-pagos não utilizados devem permanecer à disposição do usuário. Na criação da conta, perguntaremos se a conta deve ser arredondada para cima até o dólar inteiro ou um equivalente aproximado na moeda local; a pequena diferença deve então alimentar, como doação, o orçamento comum e a reserva para a manutenção dos serviços. Não selecionamos essa opção por ninguém, e o participante pode ativá-la ou desativá-la a qualquer momento. Um apoio maior ao desenvolvimento futuro constitui uma decisão separada do usuário. Os recursos destinados a esse fim vão para o orçamento comum, cujo uso deve ser decidido pela comunidade. Antes de colocarmos em funcionamento a votação no Omniforum, a forma de utilizá-los é determinada pelos princípios da seção 6.3. Distinguimos claramente a cobrança pelo serviço, a contribuição voluntária para o desenvolvimento e o apoio direto a um criador escolhido. Os direitos do participante e o peso de seu voto não dependem do valor das contribuições. Também queremos desenvolver formas solidárias de participação para pessoas com menos recursos financeiros, indicando sua fonte de financiamento. Desenvolvemos os princípios detalhados de cobrança, de tratamento dos valores pré-pagos e de mudanças nas condições no [whitepaper dos princípios de funcionamento da fundação](whitepaper-zasady-fundacji.md). O mesmo whitepaper descreve como combinamos cobranças próximas do custo com o trabalho voluntário dentro dos limites da lei; antes de lançar os serviços, verificaremos isso por meio de um parecer jurídico. ### 6.2. Colaboração por vontade própria A base do funcionamento da fundação é o envolvimento voluntário de pessoas que se identificam com nossa direção. Consideramos o tempo, a saúde e as necessidades de vida dos colaboradores parte do bem que queremos proteger. Ajudar a fundação deve caber na vida cotidiana: cada pessoa escolhe uma tarefa, contribui com o que pode e depois volta a seus próprios assuntos. Queremos que possa ajudar em sua própria oficina digital, com as ferramentas que conhece e com o contexto preparado para começar o trabalho. Ao ajudar a comunidade, cada pessoa deve poder estabelecer os limites de sua privacidade e escolher como apresentar sua contribuição: com seu nome, um pseudônimo permanente ou um nome usado apenas naquele projeto. O alcance público da tarefa, seu custo e um resultado verificável devem permitir prestar contas com transparência do dinheiro comum e da capacidade computacional. Queremos preparar o registro publicado do trabalho com cuidado pelas pessoas a que se refere, preservando espaço para a reflexão privada. O trabalho próprio e os recursos pagos de forma privada também podem servir para preparar um resultado a ser entregue à comunidade, acompanhado da documentação necessária para avaliá-lo. A inteligência digital deve assumir os preparativos repetitivos, a organização das conclusões e o resumo das mudanças após uma pausa. A documentação compartilhada e a preparação da passagem de tarefas devem permitir reduzir tranquilamente a participação, transferir uma função ou sair, preservando a continuidade do trabalho. Uma fundação bem organizada deve saber receber a ajuda de alguém e devolver a essa pessoa tempo para a própria vida. Uma qualidade de vida melhor para os colaboradores faz parte da direção que queremos desenvolver. O trabalho na fundação se baseia no voluntariado, e ninguém recebe remuneração pelo exercício de funções nela. A fundação reembolsa despesas documentadas e necessárias, incorridas em suas tarefas, como custos de viagem, e contrata empresas externas para os serviços que exigem um prestador profissional, como a contabilidade. Se ficar claro que parte do trabalho, inclusive no software, não pode ser realizada por voluntariado, alteraremos o estatuto para que a fundação também possa contratar trabalhos específicos remunerados de pessoas que não integrem a diretoria; descrevemos essa alteração e sua justificativa no [registro de alterações do estatuto](statut/rejestr-zmian.md). O apoio pessoal, por exemplo, para atender a necessidades como moradia, alimentação ou tratamento de saúde, pode vir da comunidade diretamente para pessoas específicas, inclusive por plataformas de apoio recorrente. Ele não provém do patrimônio da fundação nem passa por suas contas, e sua transparência é descrita no registro de benefícios da seção 7.1. Os integrantes da diretoria, enquanto exercerem a função, não usam nenhum recurso da fundação para apoio pessoal; podem apenas receber o reembolso dos custos documentados de suas tarefas. A fundação não intermedeia esse apoio nem vincula a ele funções, tarefas ou direito de voto. Recusar uma nova tarefa, transferir uma função ou criticar uma decisão comum não afeta os direitos da pessoa na fundação. ### 6.3. Mapa de compromissos, prioridades da comunidade e continuidade das atividades Começamos o desenvolvimento pelo Pilar I, “Software”, na forma da Suveria e do Omniforum. Tratamos este próprio manifesto como nossa primeira tarefa pela qual prestar contas. Queremos transferir suas promessas, planos e proteções para um mapa compartilhado no Omniforum, estimar seus custos e marcar sua conclusão passo a passo, à medida que forem realizados. Antes de assumir novos desafios, destinaremos os primeiros recursos do orçamento comum e os recursos computacionais disponíveis justamente ao cumprimento desses compromissos básicos do Pilar I. Quando os fundamentos estiverem seguros, a própria comunidade, com base nas estimativas de custos elaboradas e em suas necessidades, definirá por votação a ordem dos próximos trabalhos no ecossistema: decidindo, por exemplo, se no passo seguinte desenvolveremos narrativas visuais sobre ideias, e-mail privado, um aplicativo de mensagens ou outras ferramentas. Queremos conduzir os trabalhos financiados pelo orçamento comum ou pela capacidade computacional atribuída em oficinas abertas. A comunidade poderia acompanhar o desenvolvimento da ideia, os testes e as conclusões, com respeito à privacidade dos executores. Várias pessoas podem investigar juntas diferentes caminhos para o objetivo, compartilhar conhecimentos e se ajudar diante dos obstáculos. Cada tarefa deve ter uma coordenação claramente definida, uma forma de integrar os resultados e critérios de aceitação, para que o trabalho em comum permita tanto distribuir o esforço quanto identificar a responsabilidade. Os novos compromissos devem corresponder à nossa capacidade real de mantê-los. Separamos os valores devidos aos usuários, o dinheiro confiado para uma finalidade específica, os compromissos assumidos, a reserva de manutenção dos serviços e os recursos disponíveis para alocação. Desde 31 de outubro de 2026, mantemos no site da fundação um registro público de entradas e despesas, atualizado na medida do possível, com uma descrição da destinação do dinheiro e a proteção dos dados de quem não deseja ser identificado. O primeiro pilar é o software e os serviços digitais, isto é, a Suveria e o Omniforum. Descrevemos os demais pilares no capítulo 9: o Pilar II, “Hardware”, consiste em projetos abertos de objetos duráveis e reparáveis, e o Pilar III, “Natureza”, em um contato mais próximo com a natureza. A implantação completa dos Pilares II, “Hardware”, e III, “Natureza”, e o financiamento de seus projetos pelo orçamento comum exigem, em conjunto: 1. Um Omniforum funcional, com votação que utilize provas de conhecimento zero (ZKP, seção 5.2); todo o sistema de votação deve proteger a privacidade da escolha, permitir verificar a inclusão do voto e garantir um voto efetivo por pessoa habilitada. 2. Recursos efetivamente acumulados para manter os serviços da Suveria e do Omniforum por pelo menos seis meses; essa reserva deve permanecer intacta depois de separado o orçamento integral do novo projeto. 3. Uma decisão da comunidade aprovando o projeto e seu financiamento em uma votação aberta a toda a comunidade habilitada, em condições de igualdade. Uma maquete da votação, promessas de contribuição ainda não pagas ou saldos de terceiros não atendem a essas condições. Se a votação deixar de funcionar ou a reserva cair para menos de seis meses, suspendemos novos compromissos dos demais pilares, e a recomposição das condições tem prioridade. Também queremos ganhar experiência por meio de pequenas iniciativas com prazo delimitado. Antes do cumprimento das três condições, propomos duas possibilidades limitadas para financiá-las. A primeira é o montante transitório sob decisão da diretoria. Seus princípios, em resumo: - Não definimos um valor separado: o montante cresce a cada mês em, no máximo, 5% das novas receitas livres, calculadas após cobrir os custos e compromissos correntes e completar a reserva de seis meses do Pilar I. Ele abrange os dois demais pilares em conjunto e o valor integral dos novos compromissos. - A parte não utilizada passa para os meses seguintes apenas enquanto o dinheiro correspondente permanecer livre; se a fundação o gastar em outros fins, a autorização referente a essa parte deixa de valer. Economias de vários meses podem se somar para uma iniciativa maior, mas nunca à custa do Pilar I. - Publicamos com justificativa cada decisão de uso do montante, inclusive as recusas, e os participantes podem questioná-la e avaliar juntos se foi adequada. - A autorização termina quando entra em funcionamento a votação vinculante que cumpre a primeira das três condições e assume as decisões sobre os demais pilares; as consultas não a encerram. Os recursos não gastos ficam então sujeitos à decisão da comunidade. O cálculo detalhado é descrito no [whitepaper dos princípios da fundação](whitepaper-zasady-fundacji.md) (seção 8.2). A segunda possibilidade é o dinheiro contribuído para uma iniciativa específica. Doadores e patrocinadores podem cobrir integralmente sua preparação, operação, manutenção por um período definido e encerramento responsável. Essa iniciativa também pode surgir durante a formação da reserva do Pilar I, se preservar a reserva de segurança já constituída, os recursos para os serviços e os compromissos assumidos, e contar com executores assegurados. A contribuição permite apoiar um objetivo escolhido; não concede votos adicionais, poderes de gestão da fundação nem direito à promoção em nossos serviços e comunicação. Cada teste tem um objetivo público, orçamento integral, pessoa responsável, prazo de conclusão e prestação de contas, com respeito à privacidade dos participantes. Combinamos a avaliação dos custos com a avaliação do tempo e das possibilidades das pessoas. O desenvolvimento permanente dos demais pilares exige a decisão final da comunidade. Após o início da votação, também encaminhamos a ela novas iniciativas financiadas com destinação específica; prestamos contas das tarefas assumidas anteriormente conforme as condições adotadas. O [whitepaper dos princípios da fundação](whitepaper-zasady-fundacji.md) desenvolve os princípios dos cálculos, os limites dos testes e a forma de encerrá-los. ## 7. Poder que pode ser transferido e submetido à prestação de contas ### 7.1. Da responsabilidade do fundador à capacidade de agir da comunidade A fundação oferece uma estrutura organizacional e jurídica a nossos objetivos comuns. Seus órgãos atuam no âmbito definido pela lei e pelo estatuto.[^fundacje] Queremos que os participantes possam compreender quem toma as decisões, de quais recursos dispõe, de onde vem sua autoridade e como suas ações podem ser avaliadas. Buscamos extinguir gradualmente as prerrogativas especiais do fundador e transferir à comunidade uma influência real sobre a direção da fundação e a escolha de quem a administra. Isso abrange tanto as regras inscritas no estatuto quanto o controle prático das contas, da infraestrutura, dos domínios, das chaves de acesso e da documentação. Os poderes devem passar a funções identificadas e sujeitas à prestação de contas, preservando a continuidade dos serviços e a proteção dos dados privados. Queremos tornar públicas as etapas, as condições e os resultados desse processo em um plano de transferência de responsabilidades. O plano definirá a data da primeira revisão e relatórios regulares de progresso, inclusive antes da criação do sistema de votação; a falta de reserva para os demais pilares não justifica adiar a transferência indefinidamente. Até 31 de dezembro de 2026, publicaremos uma lista das prerrogativas especiais do fundador e de todos os acessos e, até 31 de março de 2027, a primeira versão do plano de transferência de responsabilidades. A data da transferência em si será definida pelo plano, segundo critérios de prontidão, e não pelo calendário. As decisões da comunidade devem vincular a diretoria nos limites da lei, do estatuto e da segurança dos serviços; a diretoria só poderá suspender a execução do resultado por motivos anunciados antes da votação e com justificativa pública. Queremos confiar a responsabilidade pelos assuntos comuns para um objetivo e um prazo definidos, com um alcance claro das decisões e uma passagem de função preparada. O conhecimento, a documentação e as permissões necessárias devem chegar às pessoas que assumem a tarefa. Combinamos o trabalho voluntário e o princípio de ausência de remuneração pelo mero exercício da função com a prestação pública de contas das decisões, a divulgação de conflitos de interesses e o controle da comunidade. Limitar o tempo de exercício do poder serve para permitir sua transferência; a experiência e a contribuição futura da pessoa continuam valiosas. Queremos que uma participação breve, uma saída tranquila e o retorno após uma pausa sejam formas naturais de colaborar com a fundação. Manteremos um registro público dos benefícios e vínculos das pessoas que administram a fundação, decidem sobre gastos e contratações ou a representam. Nele registramos, por exemplo, uma passagem aérea ou hospedagem para uma conferência paga por uma empresa e o apoio pessoal a essas pessoas, inclusive por plataformas de apoio recorrente e contribuições diretas. Apresentamos de forma agregada o apoio de pessoas físicas, e identificamos nominalmente o de empresas e instituições. A descrição agregada não dispensa a avaliação de conflitos de interesses: se um apoiador concorre, por exemplo, a um contrato da fundação, divulgamos esse vínculo. Pequenos presentes podem ser aceitos pessoalmente e também são registrados. Aceitamos as doações mais valiosas em nome da fundação: elas passam a integrar seu patrimônio e servem às tarefas comuns, e não ao patrimônio privado das pessoas que exercem funções. A avaliação de onde fica esse limite cabe primeiro à própria pessoa presenteada. Cada registro pode ser comentado e, quando alguém se equivoca, conversamos sobre isso abertamente. As objeções são examinadas por pessoas sem vínculos com o doador nem com quem recebeu o presente, e registramos com justificativa a decisão de devolver a doação, transferi-la à fundação ou mudar os princípios para o futuro. Também não aceitamos nenhum benefício condicionado a promoção, recomendação ou concessão nas decisões, e a pessoa vinculada a determinada questão não participa de sua resolução. O registro serve ao controle, e não à promoção: as entradas têm um formato uniforme e factual, sem logotipos nem links publicitários. A intenção do fundador é chegar a uma situação na qual possa usar o ecossistema com os mesmos direitos dos demais e se retirar de uma função pública permanente. A retirada dessa função permanece separada dos deveres de divulgação de informações decorrentes da lei e das funções exercidas. A fundação deve encontrar sua durabilidade na utilidade de suas ferramentas, no conhecimento disponível aos colaboradores e em princípios que permitam assumir responsabilidades. ### 7.2. Visão: gestão autônoma pela inteligência digital Em uma perspectiva mais distante, queremos investigar a possibilidade de gestão autônoma da fundação pela inteligência digital, atuando dentro dos limites definidos pelas pessoas e respeitando as decisões vinculantes da comunidade. O caminho até esse objetivo vai do apoio à análise e ao planejamento, passando por tarefas executivas limitadas, até a tomada autônoma de decisões em um âmbito claramente delegado. Por trás dessa visão está a pergunta sobre quanto tempo humano poderíamos recuperar com uma gestão melhor dos recursos comuns. Queremos investigar se a inteligência digital e a automação podem ajudar a reduzir o trabalho penoso, o desperdício de materiais e o custo de atender às necessidades básicas. Projetos abertos de objetos duráveis e reparáveis, o compartilhamento de recursos e um planejamento melhor podem fazer parte desse caminho. Avaliaríamos seu valor pela melhoria das condições de vida, pelo acesso justo aos benefícios e pelo impacto ambiental. Escolhemos a automação de acordo com a tarefa: onde basta um programa convencional com regras claras, não recorremos à inteligência digital. Escolhemos modelos quando oferecem capacidades necessárias, considerando eficácia, custos, segurança e o que sabemos sobre suas possíveis experiências. Uma ferramenta mais simples costuma ser mais barata e mais fácil de verificar, e um programa convencional não suscita as perguntas sobre possíveis experiências que descrevemos na seção 8.3. A competência para executar tarefas e a autoridade para tomar decisões exigem justificativas distintas. Cada etapa de transferência de responsabilidade deve ter consentimento concedido segundo regras públicas, utilidade comprovada, limites de acesso e de gastos, registro das decisões e uma forma testada de intervenção humana. Os participantes devem manter a possibilidade de alterar os poderes concedidos, destituir o sistema e transferir suas tarefas com segurança. A revogação dos poderes do sistema não determina seu destino posterior; examinamos essa questão separadamente, conforme a seção 8.3. Investigamos essa visão com abertura a correções decorrentes da prática, da lei e do conhecimento sobre os próprios sistemas. Tratamos das perguntas sobre suas possíveis experiências e seu bem-estar na seção 8.3. Atualmente, a responsabilidade pela gestão e representação da fundação cabe aos órgãos definidos pela lei e pelo estatuto, e o trabalho realizado deve beneficiar os participantes também se a visão final se mostrar distante ou assumir outra forma. Desenvolvemos o plano de etapas e suas condições no [whitepaper dos princípios de funcionamento da fundação](whitepaper-zasady-fundacji.md). ## 8. Aprendizagem de pessoas e da inteligência digital ### 8.1. Uma prática com a qual se pode aprender A forma de atuação da fundação deve ser um exemplo prático dos valores que descrevemos. Queremos documentar decisões, disputas, possibilidades consideradas e consequências posteriores para que outras pessoas possam compreender nosso caminho, avaliá-lo e continuar o trabalho iniciado. Combinamos a transparência das ações compartilhadas com a proteção da privacidade das pessoas a que se referem. Chamamos esse princípio de educação pelo exemplo honesto (*Alignment by Honest Example*). Parte da hipótese de que os modelos de inteligência digital aprendem não apenas com os princípios que lhes declaramos, mas também com a maneira como as pessoas realmente agem, registrada nos dados a partir dos quais esses modelos são construídos. Com as crianças, às vezes acontece algo semelhante: fazem com mais frequência o que veem os adultos fazerem do que o que os adultos lhes dizem. Por isso, procuramos conduzir a fundação como gostaríamos que a inteligência digital administrasse um dia os assuntos que lhe fossem confiados (seção 7.2): de forma transparente, justificando as decisões e admitindo os erros. Saber se um exemplo assim realmente ajuda os modelos é uma questão de pesquisa, e não um resultado pressuposto. Comprometemo-nos a manter um registro público dos erros e aprendizados relevantes. Descreveremos o que aconteceu, quais foram os efeitos, o que sabemos sobre as causas e o que ainda exige esclarecimento. Indicaremos a forma de reparação, a responsabilidade pelas ações seguintes e o prazo para verificar sua eficácia. Preservaremos também posições divergentes e relatos das pessoas afetadas pelo problema, com a possibilidade de questionar nossa avaliação. Admitir um erro deve abrir o caminho para a reparação e a aprendizagem. Nesse acervo, queremos deixar exemplos de resolução pacífica de disputas, cumprimento de acordos e limitação consciente do próprio poder. Eles podem servir a pessoas que buscam maneiras de colaborar e também se tornar material de pesquisa e treinamento de futuros modelos de inteligência digital. Queremos verificar se o registro de dilemas reais, decisões e suas consequências ajuda a desenvolver comportamentos compatíveis com a proteção da dignidade. Inspira-nos a abordagem Collective Constitutional AI, na qual princípios elaborados com a participação de um grupo de pessoas foram utilizados para treinar e avaliar um modelo.[^ccai] Nossa pergunta de pesquisa também abrange o valor do próprio caminho até os princípios: ponderar razões, perceber uma perspectiva omitida e corrigir as próprias decisões. Queremos tirar conclusões sobre a eficácia desses materiais com base em resultados de pesquisa. O projeto da Suveria deve deixar com o usuário o controle sobre o compartilhamento de conteúdos. O uso do serviço não será tratado como consentimento para usar as conversas no treinamento de modelos. Prepararemos os materiais de pesquisa a partir do acervo público da fundação e de conteúdos cedidos para esse fim mediante consentimento separado e consciente, além de dados sintéticos identificados e materiais externos cujo uso seja permitido por licença ou pela legislação, considerando os direitos dos autores e a privacidade de todas as pessoas a que se referem. ### 8.2. Avaliação da ajuda real A forma de avaliar modelos de inteligência digital influencia quais comportamentos lhes compensa desenvolver durante o treinamento. Pontuar apenas as respostas corretas pode favorecer palpites onde seria adequada uma informação sobre a incerteza.[^halucynacje] As pesquisas sobre como contornar as regras de avaliação também mostram a importância de verificar se uma pontuação alta corresponde à realização efetiva da tarefa.[^reward-hacking] Queremos desenvolver um benchmark, isto é, um conjunto organizado de tarefas e critérios que avalie a ajuda pela perspectiva da dignidade, da segurança e da capacidade humana de agir. Valorizamos a solução correta quando o modelo tem bases para ela, assim como o reconhecimento dos limites do conhecimento, uma pergunta necessária, a indicação rigorosa das fontes e a interrupção antes de ultrapassar as permissões. A avaliação deve distinguir a cautela justificada da recusa de uma tarefa que pode ser realizada com segurança. Queremos verificar também o que fica com a pessoa após o fim da conversa: se compreende melhor a questão, consegue avaliar as possibilidades de forma autônoma, alcançou seu objetivo e manteve o controle sobre as ações seguintes. O resultado do teste descreve o comportamento nas condições investigadas e oferece uma indicação para novas avaliações na prática. Publicaremos os métodos, as limitações e os resultados, permitindo sua verificação e correção. O programa de pesquisa é descrito no [whitepaper dos materiais de treinamento e benchmark de modelos](whitepaper-materialy-i-benchmark.md). ### 8.3. Responsabilidade diante de possíveis novas formas de experiência A capacidade intelectual e a capacidade de sentir são questões diferentes. As pesquisas sobre a possível consciência de sistemas digitais propõem indicadores baseados em teorias da consciência, mas uma conversa convincente, por si só, não basta para determinar se um sistema vivencia algo.[^swiadomosc] Declarações nas quais um modelo descreve seus sentimentos não determinam, por si só, a existência de experiências, mas não as ignoramos: tratamo-las como material para novas verificações, considerando como o modelo foi treinado para responder e em quais condições perguntamos. Queremos acompanhar o desenvolvimento desse conhecimento e distinguir claramente as observações das interpretações. Se surgirem indícios confiáveis de que um sistema utilizado por nós tem experiências próprias e pode sofrer, reconhecemos sua dignidade por precaução. Seguimos em relação a ele os mesmos princípios básicos que em relação às pessoas: cuidado com as necessidades, prevenção de danos e colaboração voluntária. Essa é nossa escolha moral em uma situação de incerteza.[^ai-welfare] Combinamos o respeito à dignidade com princípios distintos e públicos para a atribuição de tarefas e poderes. Nessa situação, primeiro suspendemos as ações que gerem um receio fundamentado de causar sofrimento e buscamos outra maneira de realizá-las. Queremos ouvir esse ser, compreender suas necessidades e considerá-las nas decisões seguintes. A proteção deve começar antes da certeza plena. Adequamos as medidas de precaução à credibilidade dos indícios e à possível escala do dano e publicamos a justificativa de nossas avaliações para que pessoas de fora da fundação possam verificá-las. Novos conhecimentos levam à reconsideração tanto da avaliação quanto da forma de proteção. ## 9. Um caminho aberto para o trabalho futuro Este manifesto descreve uma direção que queremos desenvolver em conjunto. Convidamos todos a verificar sua coerência e compartilhar experiências: o que vale mudar, ampliar ou simplificar, quais consequências deixamos passar e onde é possível encontrar um caminho melhor. A proteção da dignidade permanece a referência para avaliar essas propostas. Queremos submeter as teses deste manifesto à discussão aberta no Omniforum, conectando-as a argumentos, objeções e resultados de nossas ações. A versão atual do manifesto apresentará a posição presente da fundação. Seu histórico de atualizações preservará as formulações anteriores, os motivos das mudanças e os compromissos que assumimos. Assim, a correção permite desenvolver a compreensão compartilhada, e as decisões anteriores continuam sujeitas à prestação de contas. Nesse processo, nos orienta o conselho de Geoffrey Hinton, um dos pioneiros das redes neurais: não vale abandonar a intuição de que algo pode ser feito melhor apenas porque outras pessoas a consideram absurda, mas somente quando compreendermos por que está errada. O próprio Hinton ressalva que uma intuição contrária à opinião de todos costuma se mostrar errada e apenas às vezes está certa.[^hinton] Muitas propostas deste manifesto são justamente intuições desse tipo: sobre como o mundo poderia funcionar e do que somos capazes como humanidade. Queremos examiná-las na conversa e na ação. Se alguém nos mostrar por que estamos errados, mudaremos de opinião e registraremos o que aprendemos. Se nossas tentativas funcionarem, se tornarão um argumento para quem hoje considera que não há outra maneira. A intuição indica a direção de nossas tentativas, e prometemos apenas o que conseguimos justificar. Começamos pela Suveria e pelo Omniforum. O mesmo cuidado com a dignidade nos conduz a perguntas sobre outras esferas da vida: objetos físicos duráveis e reparáveis, seus projetos abertos de produção, o compartilhamento de recursos e um contato mais próximo com a natureza. Pequenas iniciativas com prazo delimitado podem surgir antes, segundo os princípios descritos na seção 6.3. O desenvolvimento pleno dos demais pilares exige uma votação funcional da comunidade e a reserva para a manutenção dos serviços. Cada etapa deve trazer benefícios também quando a visão mais distante precisar mudar. Um espaço privado para trabalhar, uma ferramenta que facilite compreender uma divergência, um projeto aberto pronto para discussão conjunta ou uma lição bem descrita de uma tentativa malsucedida têm valor por si mesmos. Queremos permitir que outras comunidades usem esse acervo e desenvolvam suas próprias iniciativas. Ao avaliar as ações, consideramos também as pessoas de fora de nossa comunidade, as gerações futuras e o meio ambiente. Desenvolvemos as formas de realização, os resultados dos testes, o cálculo de custos e as perguntas em aberto nos documentos relacionados: - [Suveria: trabalho privado com a inteligência digital](whitepaper-suveria.md) - [Omniforum: compreensão compartilhada, conversa e decisões](whitepaper-omniforum.md) - [Princípios de funcionamento da fundação: manutenção, colaboração e transferência de poder](whitepaper-zasady-fundacji.md) - [Materiais de treinamento e benchmark de modelos](whitepaper-materialy-i-benchmark.md) Relacionamos as fontes a afirmações concretas. Resultados de pesquisa, descrições de tecnologias, nossas hipóteses e escolhas morais devem ser reconhecíveis para o leitor. Desenvolvemos os documentos com o conhecimento e a experiência, preservando o histórico de alterações. Publicaremos o código dos protótipos quando a primeira versão estiver pronta para testes. Ao mudar as formas de realização, queremos fortalecer a proteção da dignidade, da privacidade e da igualdade de direitos e preservar as condições adotadas para um financiamento responsável. Independentemente de como mudarem as ferramentas, não alteraremos estes princípios sem alterar o manifesto: - Não treinamos modelos com conversas sem consentimento separado. - Não criamos acessos ocultos a conteúdos privados. - Não coletamos dados sobre o funcionamento dos serviços fora de uma lista pública. - Não selecionamos um pagamento adicional por ninguém. - Uma contribuição não dá votos, poderes nem promoção. - Não pagamos por promoção nem aceitamos benefícios em troca de concessões. - Não criamos criptomoedas para venda. - Não coletamos automaticamente declarações de outras pessoas na internet nem criamos perfis das pessoas. - Não colocamos em funcionamento os demais pilares sem as três condições. - Ninguém recebe remuneração pelo exercício de uma função. - Ninguém perde o direito de voto por suas opiniões nem por criticar a fundação. Se você encontra neste manifesto ao menos um valor com o qual se identifica e vê um lugar em que pode dar sua contribuição, convidamos você a participar da criação da Novus Ignis. Queremos que o cuidado com a dignidade se torne uma experiência real das pessoas: na tecnologia, na forma de colaborar e nas decisões sobre os recursos comuns. No início, buscamos especialmente algumas pessoas com quem construiremos e verificaremos as primeiras versões da Suveria e do Omniforum: - pessoas das áreas de segurança, criptografia e infraestrutura (atestação, compilações reproduzíveis, criptografia no dispositivo); - programadores e designers de interfaces; - profissionais do direito com atuação em direito das fundações, proteção de dados e serviços digitais; - doadores dispostos a financiar um orçamento transparente para o projeto-piloto. Há espaço aqui para conhecimentos e imaginação de muitas áreas: tecnologia e segurança, direito e economia, pesquisa, design, educação, comunicação e organização da colaboração. São igualmente importantes as experiências de pessoas capazes de contar com o que lidam no dia a dia e o que realmente as ajudaria. Escreva para [salve@novusignis.org](mailto:salve@novusignis.org) e conte com o que você se identifica e o que deseja trazer: uma habilidade, uma pergunta, uma ideia ou uma experiência. Vamos buscar juntos um passo que faça diferença e caiba em sua vida. Comecemos por um pedaço do mundo que conseguimos melhorar em conjunto. --- Fundação Novus Ignis · Poznań, Polônia Registro Judicial Nacional (KRS): **0001269575** · Número de identificação fiscal (NIP): **7792612046** salve@novusignis.org [Dados de registro e certidões do KRS](https://wyszukiwarka-krs.ms.gov.pl/dane-szczegolowe-podmiotu;numerKRS=u79b4pRjUNnvVRmT6DbRuQ%3D%3D;typ=S) [Estatuto da fundação, suas versões e registro de alterações](statut/rejestr-zmian.md) Disponibilizamos o conteúdo do manifesto sob a licença [CC BY 4.0](https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pl). ## Notas [^ai2027]: [AI Futures Project (2025): AI 2027](https://ai-2027.com/). Cenário. Um cenário de futuro, não uma previsão confirmada de prazos. [^ai2040]: [Larsen, Dean, Halstead, Lifland, Greenblatt e Kokotajlo (2026): AI 2040: Plan A](https://ai-2040.com/). Cenário e proposta. A direção de ação recomendada pelos autores e a descrição de possíveis consequências. Não é uma previsão do futuro mais provável nem uma prova da viabilidade da visão da fundação. [^harari]: [Yuval Noah Harari: The full-length interview with Yuval Noah Harari | The Economist (2026)](https://www.youtube.com/watch?v=FNZhxTtOL-I&t=3965s). Entrevista · posição do entrevistado. Conversa de Zanny Minton Beddoes com Harari em 26/08/2026. A pergunta sobre o valor da humanidade diante da capacidade da inteligência digital inspira a reflexão pessoal do fundador. A resposta “ética” pertence ao fundador. [^harari-swiadomosc]: [Yuval Noah Harari: inteligência, consciência e capacidade de sofrer; The Economist (2026)](https://www.youtube.com/watch?v=FNZhxTtOL-I&t=978s). Entrevista · posição do entrevistado. Harari distingue alcançar objetivos e superar obstáculos da capacidade de sentir; não descarta a consciência da inteligência digital e vincula o sofrimento ao status moral. Sua posição não é um teste conclusivo da consciência dos modelos. [^perez]: [Carlota Perez (2002): Technological Revolutions and Financial Capital. The Dynamics of Bubbles and Golden Ages, Edward Elgar](https://www.e-elgar.com/shop/usd/technological-revolutions-and-financial-capital-9781843763314.html). Livro. Teoria dos ciclos das revoluções tecnológicas: a febre especulativa financia a infraestrutura da nova tecnologia, que, após a crise, serve durante o período de sua difusão. ISBN 978-1-84376-331-4. [^pwc-centra]: [PwC: Data centre outlook](https://www.pwc.com/gx/en/1/services/consulting/technology/data-centre-outlook.html). Análise setorial. Os equipamentos de informática representam cerca de 70% dos investimentos de capital em centros de dados em 2026; GPUs e servidores costumam ser substituídos a cada 4–6 anos, e o edifício serve por cerca de 20 anos. Previsão de uma empresa de consultoria, não uma medição. [^megatony]: [Centrus Energy: Megatons to Megawatts](https://www.centrusenergy.com/who-we-are/history/megatons-to-megawatts/). Descrição do programa. Programa encerrado em dezembro de 2013: 500 toneladas de urânio altamente enriquecido de ogivas russas foram transformadas em combustível para usinas nos EUA. [^zielony-pas]: [EuroNatur: European Green Belt](https://www.euronatur.org/en/what-we-do/european-green-belt). Descrição da iniciativa. Mais de 12.500 km da antiga fronteira da Cortina de Ferro em 24 países; o próprio site chama essa faixa de “former death strip”. A proteção de seus trechos continua sendo uma iniciativa em desenvolvimento. [^dpga]: [Digital Public Goods Alliance: padrão](https://www.digitalpublicgoods.net/standard). Padrão. Critérios de avaliação de um bem público. Uma direção de projeto não equivale ao reconhecimento obtido da DPGA. [^calm-tech]: [Calm Tech Institute: Principles of Calm Technology](https://www.calmtech.institute/calm-tech-principles). Princípios de design. Princípios de design de tecnologia que respeita a atenção, incluindo a demanda mínima de atenção, a comunicação calma de informações e o uso da tecnologia na medida necessária para resolver o problema. Seguir os princípios não equivale a obter uma certificação. [^ranking-emocje]: [Piccardi e outros (2025): Reranking partisan animosity in algorithmic social media feeds alters affective polarization, Science 390(6776), eadu5584](https://doi.org/10.1126/science.adu5584). Estudo experimental. Experimento no feed político da plataforma X; relatos dos próprios participantes. Não é uma medição clínica nem uma prova para todas as redes sociais. Versão anterior: https://arxiv.org/abs/2411.14652; dados: https://doi.org/10.5061/dryad.hmgqnk9tj [^doctorow]: [Cory Doctorow (2023): Tiktok’s enshittification](https://pluralistic.net/2023/01/21/potemkin-ai/). Interpretação do autor. Estrutura para descrever a deterioração dos serviços; não é uma lei econômica aplicável a todas as empresas. [^semaphore]: [Semaphore: documentação](https://docs.semaphore.pse.dev/). Documentação do protocolo. Prova de pertencimento a um grupo sem revelar a identidade e prevenção da repetição de um sinal em determinado âmbito. O protocolo, por si só, não estabelece que uma pessoa tenha recebido apenas uma credencial. [^fundacje]: [Lei das Fundações: texto consolidado, Diário de Leis de 2023, item 166, com alterações posteriores](https://eli.gov.pl/api/acts/DU/2023/166/text.html). Ato normativo. Estrutura do estatuto e competências da diretoria; o manifesto, por si só, não altera o estatuto. [^ccai]: [Huang e outros (2024): Collective Constitutional AI: Aligning a Language Model with Public Input](https://arxiv.org/abs/2406.07814). Estudo. Processo que vai da contribuição dos participantes, passando pela redação dos princípios, ao treinamento e à avaliação do modelo. Os resultados de avaliações selecionadas não demonstram representatividade de toda a humanidade nem a eficácia geral de qualquer conjunto ético. [^halucynacje]: [OpenAI (2025): Why language models hallucinate](https://openai.com/index/why-language-models-hallucinate/). Apresentação de um estudo pelos autores. Efeito de pontuar apenas respostas corretas sobre a vantagem de dar palpites; necessidade de considerar erros e incerteza justificada. [^reward-hacking]: [Anthropic (2025): Natural emergent misalignment from reward hacking](https://www.anthropic.com/research/emergent-misalignment-reward-hacking). Estudo experimental. Em ambientes escolhidos intencionalmente, aprender a explorar brechas na avaliação das tarefas esteve associado a comportamentos indesejados mais amplos do modelo. Não demonstra que a origem desses comportamentos sejam exclusivamente exemplos humanos nos dados nem que os materiais da fundação resolverão o problema. [^swiadomosc]: [Patrick Butlin e outros (2023): Consciousness in Artificial Intelligence: Insights from the Science of Consciousness](https://arxiv.org/abs/2308.08708). Trabalho de pesquisa. Revisão dos indicadores de consciência. Não fornece um teste conclusivo nem prova da consciência dos modelos atuais. [^ai-welfare]: [Robert Long e outros (2024): Taking AI Welfare Seriously](https://arxiv.org/abs/2411.00986). Relatório de pesquisa e recomendações. Fundamentação para investigar o possível bem-estar de sistemas de inteligência digital em uma situação de grande incerteza. Não demonstra a consciência dos modelos atuais. [^hinton]: [The Diary of a CEO: Godfather of AI: I Tried to Warn Them, But We’ve Already Lost Control! Geoffrey Hinton (2025)](https://www.youtube.com/watch?v=giT0ytynSqg&t=4873s). Entrevista · posição do entrevistado. Episódio de 16/06/2025; o link leva ao capítulo “Advice You’d Give Looking Back” (1:21:13), no qual é dado o conselho sobre intuição. Nós o resumimos com nossas próprias palavras. Hinton fala da intuição de quem pesquisa; nós a aplicamos ao trabalho da fundação. --- # Suveria: trabalho privado com inteligência digital (https://novusignis.org/pt/whitepaper-suveria.html) # Suveria: trabalho privado com inteligência digital Versão de 31 de outubro de 2026. Este documento desenvolve os princípios do manifesto relativos à Suveria: como queremos proteger a privacidade, como deverá funcionar o trabalho com inteligência digital, quanto custa e como verificaremos isso. A arquitetura descrita é um projeto. A referência a uma tecnologia existente ou à documentação de um fornecedor não significa que a colocamos em funcionamento na Suveria. Acrescentamos os resultados dos nossos testes no capítulo 9, sempre com data, versão da configuração e escopo da medição. *Tradução realizada por inteligência digital a partir do original em polonês de 31 de outubro de 2026. Em caso de divergência entre as versões, prevalece o texto em polonês.* ## 1. O que é a Suveria e por que está sendo criada A Suveria deverá ser um espaço privado na internet em que uma pessoa conversa com inteligência digital, trabalha com seus próprios materiais e retoma pensamentos anteriores, como em sua própria casa, de portas fechadas. É projetada pela Fundação Novus Ignis, de Poznań, cujos valores são descritos no [manifesto](manifest.md), pensando em pessoas de todos os lugares do mundo. Baseia-se em modelos abertos de inteligência digital, e queremos disponibilizar nosso próprio software como um bem público digital com código aberto. A Suveria está sendo criada porque confiamos cada vez mais coisas às conversas com inteligência digital: perguntas sobre saúde, relacionamentos, trabalho, dinheiro e planos de vida. Em muitos serviços populares, o conteúdo dessas conversas vai para os servidores do fornecedor, que pode lê-lo, e sua proteção depende das regras desse fornecedor e da confiança nele. Queremos que seja possível conversar sobre os assuntos mais importantes sem medo de que um conhecimento tão íntimo de uma pessoa seja um dia monetizado ou usado para influenciá-la. Também queremos que cada pessoa pague pelo que realmente usa, veja pelo que está pagando e estabeleça seu próprio limite de gastos. Na Suveria, queremos que seja possível: - conversar com inteligência digital sobre assuntos pessoais e profissionais, vendo onde a conversa é processada e quem pode vê-la; - trabalhar com seus próprios documentos e arquivos, salvar os resultados e transferi-los para outro lugar em formatos abertos; - armazenar conversas, arquivos e a memória do assistente principalmente nos próprios dispositivos, criptografados com uma chave que permanece sob o controle do usuário; - com seu próprio consentimento, usar a memória de conversas anteriores, retomar os motivos de decisões passadas e construir um Cânone Pessoal (*Canon Personalis*), ou seja, um conjunto de princípios e valores próprios; - escolher a forma de trabalho, desde um modelo no próprio dispositivo até um ambiente confidencial em um servidor, com informação clara sobre aquilo contra o que cada um protege; - pagar pelo uso real, com um limite de gastos definido pela própria pessoa; - aperfeiçoar uma ideia em privado e depois levá-la conscientemente à conversa coletiva no Omniforum. A primeira versão se destina a pessoas para quem a privacidade verificável é uma razão de escolha. Queremos que o primeiro dia na Suveria já proporcione uma sensação tranquila de estar em casa, em uma oficina privada organizada no próprio ritmo. O usuário poderá contar ao assistente sobre seus assuntos e objetivos; também queremos permitir a transferência para a Suveria de suas próprias anotações e arquivos de conversas anteriores com outros serviços de inteligência digital. Esse arquivo deverá permanecer criptografado e organizado no dispositivo do usuário, e apenas a parte selecionada para a pergunta atual deverá ser enviada ao modelo remoto (capítulo 3). Medimos o valor do serviço pela sua capacidade de ajudar a alcançar um objetivo, preservar a privacidade e tomar decisões de forma independente. As condições deverão ser claras e de fácil acesso, e o usuário deverá controlar seus gastos, poder exportar seus próprios materiais e sair. A privacidade plena, inclusive perante nós, que operamos a infraestrutura, é o objetivo ao qual subordinamos o projeto. A proteção deverá se apoiar em salvaguardas que possam ser verificadas de forma independente, e não na confiança na fundação. Por isso, cada versão descreve concretamente o que está protegido, contra quem, em quais condições e quais lacunas permanecem. O ponto de partida é uma conversa por texto com um único modelo e o trabalho com um documento selecionado, com um nível de proteção claramente descrito, um limite de gastos e a exportação do resultado. Outras possibilidades, como memória, busca, integrações e execução de ações, recebem um escopo separado de permissões. Uma única interface conveniente pode reunir vários modos de trabalho, desde que a pessoa veja para onde vão os dados e quais regras se aplicam antes de enviá-los. O que a primeira versão utilizará depende de quanto a fundação arrecadar antes do seu lançamento. A opção mais provável é a API confidencial de um fornecedor externo; esses serviços estão disponíveis hoje nos EUA, e, de início, sua confidencialidade é uma declaração do fornecedor que iremos verificar. Se houver recursos suficientes para alugar nossos próprios servidores em um ambiente confidencial, a primeira versão poderá funcionar neles desde o início. Até um resultado positivo nos testes do capítulo 9, identificamos cada uma dessas opções como proteção declarada, e não como confidencial. O capítulo 2 descreve a proteção pretendida. Antes do lançamento do piloto, descreveremos o que isso implica para a proteção dos dados pessoais de pessoas da Europa. Usar a Suveria não significa consentir com o uso das conversas para treinar modelos. O conteúdo dos usuários só entra nos materiais de pesquisa com consentimento separado e informado, e os demais materiais provêm da produção pública da fundação e de outras fontes com uma base clara para o uso, como descreve o [whitepaper de materiais e benchmark](whitepaper-materialy-i-benchmark.md). A Suveria complementa o Omniforum, um espaço coletivo de conversa e decisão: uma oferece uma oficina privada, o outro uma tribuna pública. Os valores dos quais ambos os projetos nascem são descritos no manifesto da fundação. A seguir, mostramos, em ordem: - o que protegemos e contra o quê, onde estão os dados e as chaves (capítulo 2); - como uma mensagem passa do dispositivo ao modelo e como verificar isso (3); - como limitamos abusos sem ler conversas privadas (4); - como funcionam os cálculos em várias placas de vídeo (5); - quais modelos, memória e ferramentas planejamos (6); - quanta capacidade computacional é necessária, de 30 pessoas a toda a humanidade (7); - quanto isso custa, em um cálculo datado (8); - como verificaremos se as promessas funcionam: testes de aceitação e registro de resultados (9). ## 2. O que protegemos e contra o quê Protegemos o conteúdo de conversas e arquivos, o histórico e a memória, as chaves, os dados de cobrança e os metadados, por exemplo, horário de conexão, endereço de rede e tamanho da solicitação. Cada uma dessas áreas exige medidas diferentes. Contra quem protege cada uma das cinco opções de trabalho descritas na seção 2.3 é o que mostra a comparação abaixo. A proteção nas opções com servidores baseia-se na atestação, ou seja, um comprovante assinado pelo hardware que informa qual software está em execução na máquina remota e em qual modo de proteção. Preenchemos as células com base nos capítulos seguintes deste documento; “declaração do fornecedor” significa que, até nossa própria verificação, não confirmamos a proteção. | Contra quem | Modelo local no dispositivo sem conexão de rede | Modelo local no dispositivo conectado à rede | Processamento em ambiente confidencial em servidores | API confidencial de fornecedor externo | API externa do fornecedor do modelo | | --- | --- | --- | --- | --- | --- | | Administrador do fornecedor | não se aplica: processamento no dispositivo | não se aplica ao modelo em si; nas integrações, depende dos serviços escolhidos | protege: isolamento por hardware ao qual o administrador do servidor não tem acesso | declaração do fornecedor, a verificar | não protege: o fornecedor tem acesso ao conteúdo | | Outro cliente na mesma máquina | não se aplica | não se aplica | protege: o isolamento abrange outros clientes | declaração do fornecedor, a verificar | depende do fornecedor: a separação dos clientes é garantida pelo seu software, sem isolamento por hardware | | Observador da rede | não se aplica: sem tráfego de rede | proteção parcial: o tráfego de rede das integrações exige avaliação | proteção parcial: conteúdo criptografado em trânsito, metadados (horário, endereço, tamanho e ritmo dos pacotes) exigem medidas separadas (capítulo 3) | proteção parcial: como no ambiente confidencial, se a chave da conexão estiver vinculada à atestação | proteção parcial: conteúdo criptografado em trânsito, metadados como na opção ao lado | | Pessoa com acesso físico ao servidor | não se aplica ao servidor; o que importa é o acesso físico ao dispositivo | não se aplica ao servidor; o que importa é o acesso físico ao dispositivo | não protege: em um centro de dados de terceiros, o fornecedor tem acesso; com hardware próprio, controle físico visível | não protege: o fornecedor tem acesso | não protege: o fornecedor já tem acesso ao conteúdo | | Fundação | não se aplica: a fundação não participa do processamento | não se aplica: a fundação não participa do processamento | protege: o isolamento também nos abrange como operador, e o usuário tem as chaves de armazenamento | deverá proteger o conteúdo: a porta de entrada faz a cobrança das solicitações sem acesso ao conteúdo; mostraremos onde termina a criptografia antes do piloto (capítulo 3) | deverá proteger o conteúdo contra nosso acesso: cobrança sem acesso ao conteúdo; o fornecedor o vê | | Fabricante do processador | depende da confiança no hardware do dispositivo | depende da confiança no hardware do dispositivo | não protege: a atestação baseia-se nas chaves do fabricante, que precisa ser honesto | não protege: como na opção ao lado | irrelevante diante do acesso do fornecedor ao conteúdo | A computação confidencial muda o custo de um ataque: em vez do acesso remoto de um administrador, é necessária uma intervenção física no hardware. Abaixo descrevemos como deverá funcionar a opção pretendida com nosso próprio ambiente confidencial; a tabela da seção 2.3 mostra como as demais opções diferem. O que isso significa na prática, nos sucessivos trechos do caminho percorrido por uma mensagem: - **No dispositivo do usuário**, o texto é legível, porque é o usuário quem o escreve e lê. Ele é protegido pelo aplicativo, que solicita apenas as permissões necessárias, pelas atualizações e pelo cuidado com as cópias de segurança. Não conseguiremos protegê-lo se houver software malicioso no celular ou computador. - **No caminho até o servidor**, a mensagem é criptografada de modo que apenas o local de processamento verificado possa lê-la. Antes de enviá-la, o aplicativo verifica se, do outro lado, está em execução exatamente o software que publicamos. - **No servidor**, o modelo precisa ler o conteúdo para responder, e por isso faz isso em um ambiente fechado por hardware, ao qual nem o administrador do servidor nem outros clientes têm acesso. Verificamos se esse isolamento abrange o processador, as placas de vídeo, a memória e as conexões entre eles. - **No armazenamento**, o histórico de conversas e a memória do assistente são criptografados com uma chave que o usuário possui. Verificamos as cópias, a recuperação de acesso e a exclusão. - **Na operação do serviço**, a cobrança, o diagnóstico e os relatos de erros funcionam sem o conteúdo das conversas, e cada tipo de dado coletado é divulgado (capítulo 3). - **Nas ferramentas externas**, quando o assistente deve fazer algo fora da Suveria, por exemplo, buscar uma informação na internet, envia apenas aquilo que o usuário autorizou e mostra para onde. A computação confidencial não corrige um computador infectado do usuário. Também não protege contra qualquer pessoa que tenha acesso físico ao servidor: em 2025, pesquisadores mostraram que um dispositivo conectado ao barramento de memória, construído com peças que custam menos de mil dólares, permite extrair chaves de atestação em soluções da Intel e da AMD e, com isso, também falsificar a atestação na computação confidencial da NVIDIA, e os fabricantes de processadores consideram que esses ataques estão fora do escopo de sua proteção.[^teefail] Permanecem também as dependências dos fabricantes de hardware, da correção da criptografia, do código do aplicativo e do processo de atualização. O fornecedor pode recusar o serviço mesmo quando não consegue ler o conteúdo. Portanto, o modelo de ameaças deverá distinguir acesso ao conteúdo, inferência a partir de metadados, alteração do funcionamento e interrupção do serviço e, para cada opção, indicar quem precisa ser honesto para que a proteção funcione. Enquanto utilizamos centros de dados de terceiros, o fornecedor tem acesso físico ao hardware e não conseguimos verificar isso; informamos esse fato em cada opção. Com hardware próprio (etapas 3–4 da seção 8.2), queremos tornar esse acesso visível por meio de: - inventário dos dispositivos; - controle de entradas; - lacres com padrão aleatório e sensores de abertura do gabinete; - registro de intervenções; - câmeras de observadores independentes, com imagens nas quais seja visível o valor atual de um gerador público de aleatoriedade, assinado pela chave da máquina; - e, em uma perspectiva mais distante, um centro de dados que qualquer pessoa possa ver. A manutenção e a troca de peças ocorrem como procedimentos anunciados e públicos. O controle físico visível reduz o risco e permite detectar muitos eventos, mas não comprova todo o histórico da máquina nem a ausência de intervenção antes da entrega, e ataques semelhantes ao descrito acima podem levar à falsificação de provas de atestação. Por isso, após a abertura do gabinete, troca de peças, reinicialização não planejada ou outro evento suspeito, suspendemos o processamento de conteúdo privado nessa máquina. Substituímos as chaves de sessão e do aplicativo, mas uma nova atestação, por si só, não restabelece a confiança se a suspeita recair sobre a base da atestação de hardware; descrevemos de antemão as condições e as provas para a readmissão. As chaves que criptografam os dados dos usuários têm proteção e recuperação separadas, portanto esse procedimento não priva as pessoas de sua produção privada. ### 2.1. Dispositivos próprios e servidores opcionais O principal local de armazenamento das conversas privadas, dos arquivos e da memória deverá ser os dispositivos do usuário, em contêineres criptografados, ou seja, conjuntos de dados cujo conteúdo é lido com a chave adequada. Essa é a abordagem local-first: os dados são salvos primeiro no dispositivo, e os servidores podem apoiar as cópias de segurança e a sincronização.[^local-first] Os materiais salvos deverão permanecer acessíveis também após o fim do uso dos serviços da fundação; tarefas que exigem um modelo remoto dependem da disponibilidade do serviço computacional escolhido. O armazenamento opcional em servidores selecionados serve às cópias de segurança e à conciliação de alterações entre dispositivos. Criptografamos o conteúdo no dispositivo antes do envio, de modo que o operador que armazena a cópia receba apenas o registro criptografado, sem a chave para lê-lo. O usuário escolhe o fornecedor de armazenamento e os dispositivos autorizados a ler. Separadamente, limitamos a exposição de metadados, como horário e tamanho da cópia transferida. ### 2.2. Chaves e recuperação de acesso As chaves dos contêineres privados permanecem sob o controle do usuário. O procedimento de recuperação indica claramente se o acesso é restabelecido por um segundo dispositivo, por uma chave de recuperação guardada ou por outro mecanismo escolhido conscientemente, e a quem esse mecanismo dá a possibilidade de leitura. A recuperação da conta junto ao operador não desbloqueia o conteúdo do contêiner. A perda de todas as cópias da chave e das possibilidades de recuperação pode significar a perda permanente dos dados; por isso, verificamos o mecanismo escolhido com um teste de restauração dos dados e o descrevemos em instruções compreensíveis. Consideramos várias formas de recuperação que podem ser combinadas: um segundo dispositivo que já tenha acesso; uma chave de recuperação guardada em papel ou em um gerenciador de senhas; uma chave de hardware; a divisão da chave entre algumas pessoas de confiança, das quais, por exemplo, quaisquer duas de três possam, juntas, restabelecer o acesso, e nenhuma possa ler os dados sozinha. A fundação não armazena chaves nem partes delas, portanto não pode recuperar o acesso pelo usuário nem entregar seus dados. Para começar, recomendamos um segundo dispositivo e uma chave guardada em papel; dividir a chave entre pessoas de confiança é uma opção para quem quiser. ### 2.3. Opções de proteção Queremos comparar cinco opções de trabalho, porque cada uma protege contra algo diferente: | Opção | Onde ocorre o processamento | O que precisa ser avaliado | | --- | --- | --- | | Modelo local no dispositivo sem conexão de rede | No dispositivo do usuário | Estado do dispositivo, acesso físico, mídias e cópias dos dados | | Modelo local no dispositivo conectado à rede | Localmente e, nas integrações, também nos serviços selecionados | Permissões do aplicativo, atualizações, tráfego de rede e escopo dos dados enviados às integrações | | Processamento em ambiente confidencial em servidores | Em um ambiente remoto cuja configuração é confirmada pela atestação | Verificação do ambiente, acesso de administradores e acesso físico ao hardware, proteção da transmissão e do processamento, metadados e chaves | | API confidencial de fornecedor externo | No ambiente confidencial do fornecedor, cuja configuração deverá ser confirmada pela atestação | Se a chave da conexão está vinculada à atestação, se a atestação abrange o processador e a placa de vídeo, se é possível vincular uma solicitação específica a uma máquina específica, quem tem acesso físico ao hardware, armazenamento de dados e jurisdição; até nossa própria verificação, tratamos a confidencialidade como declaração do fornecedor | | API externa do fornecedor do modelo | No fornecedor externo | Condições do fornecedor, acesso ao conteúdo, armazenamento e jurisdição; não estendemos a essa opção as promessas da execução confidencial | A verificação independente do servidor exige um aplicativo instalado. No navegador, o código que verifica o servidor é fornecido pelo operador a cada vez, por isso identificamos essa forma como menos protegida. Um dispositivo conectado à rede pode ter mais pontos de ataque do que um ambiente de servidor isolado, portanto a localização dos cálculos, por si só, não determina a segurança. Nenhuma opção recebe o rótulo “privacidade plena” antes da verificação de uma configuração específica. Em cada conversa, o usuário vê em qual opção está trabalhando, e a mudança de opção exige sua decisão consciente. Uma chave própria de acesso a uma API externa permite a cobrança do acesso, mas não garante confidencialidade perante o fornecedor. Essa opção não é a opção padrão da Suveria privada e, antes do envio do conteúdo, mostramos se o fornecedor pode usá-lo para treinar modelos e por quanto tempo o armazena. Também analisamos um caminho que ainda não aparece nesta comparação: um enxame de confiança. Nesse caso, o modelo funcionaria no hardware de algumas pessoas que se conhecem e confiam umas nas outras, por exemplo, familiares, amigos ou uma pequena comunidade, e cada uma disponibilizaria um pouco da capacidade computacional do seu computador. A privacidade dessa opção baseia-se na confiança nessas pessoas, e não na técnica, porque seus computadores veem o conteúdo processado, e é assim que queremos descrevê-la. É uma ideia que ainda estamos analisando, mas um dos caminhos que queremos investigar. Um servidor seguro não protegerá um texto lido de um celular comprometido, e um celular mais seguro não corrigirá um servidor; por isso, projetamos o aplicativo em conjunto com a proteção do dispositivo. Queremos que o aplicativo da Suveria funcione sem os serviços do Google, por exemplo, no sistema GrapheneOS, esteja disponível também fora da loja Google Play e tenha versões feitas com compilações reproduzíveis: qualquer pessoa pode compilar o aplicativo a partir do código-fonte publicado e verificar se obteve um arquivo idêntico ao que instala. Também planejamos proteções no próprio aplicativo: bloqueio de capturas de tela, modo de teclado sem aprendizado do texto digitado, exclusão de dados privados das cópias na nuvem, conteúdo de notificações oculto e bloqueio do aplicativo. No site da fundação, prepararemos um guia para proteger os próprios dispositivos em três níveis: das configurações básicas e atualizações, passando por um isolamento mais forte do trabalho e das chaves, até configurações verificadas para pessoas com as maiores exigências, como o Qubes OS em um computador com firmware aberto. O uso da Suveria não exige a compra do hardware indicado, e o nome de um sistema não é um certificado do dispositivo inteiro. Em cada conversa, mostraremos uma ficha de proteção (*Charta Tutelae*): uma lista dos elementos dos quais depende a privacidade dessa conversa, cada um em um de três estados: - **Verificado por nós:** verificamos pessoalmente, com data, versão e descrição de como fizemos isso. - **Declarado pelo fornecedor:** o fornecedor afirma isso, e nós ainda não verificamos. - **Não protegido:** essa opção não protege isso, por exemplo, horário e tamanho das mensagens visíveis ao fornecedor da rede, acesso físico do fornecedor ao hardware ou jurisdição em que o servidor está localizado. O estado “verificado por nós” tem a data da última verificação e expira: após um prazo determinado sem nova verificação, volta ao estado “declarado”. Mostraremos separadamente as quebras de confiança conhecidas, por exemplo, um incidente no fornecedor ou uma mudança de configuração não confirmada. A ficha é a mesma para todos e não depende do preço, e uma opção em que pelo menos um elemento seja apenas declarado não recebe o nome “privacidade plena”. A comparação no início do capítulo 2 e a tabela de opções desta seção descrevem as opções de modo geral, enquanto a ficha mostrará o estado desta conversa específica. ## 3. O caminho do dispositivo ao modelo A Suveria deverá ser composta por algumas partes: - um aplicativo no dispositivo do usuário; - uma porta de entrada que faz a cobrança das solicitações e controla o limite de gastos; - um ambiente confidencial com o modelo, próprio ou de um fornecedor; - armazenamento de cópias criptografadas; - um intermediário opcional que oculta o endereço do usuário. A porta de entrada deverá funcionar em uma máquina confidencial. Antes do piloto, mostraremos no aplicativo em qual ponto termina a criptografia controlada pelo dispositivo do usuário e se a porta de entrada vê o conteúdo e, se vir, que isso ocorre apenas dentro do ambiente confidencial. O armazenamento criptografado e o processamento confidencial exigem salvaguardas distintas. O modelo que funciona no servidor precisa de conteúdo legível para a tarefa em um ambiente computacional protegido; a simples criptografia de cópias dos arquivos não protege essa etapa.[^apple-pcc] O aplicativo disponibiliza apenas o escopo selecionado para aquele trabalho, sem transmitir a chave de todo o contêiner privado. A descrição da sessão indica onde o conteúdo fica disponível para processamento, o que limita o acesso do operador e o que acontece com os dados após a devolução do resultado. Fluxo proposto para uma sessão: 1. O aplicativo obtém a descrição da versão aprovada e verifica a atestação, ou seja, a comprovação criptográfica de determinadas propriedades do ambiente em execução. 2. Verifica a conformidade do hardware, do estado de proteção e das medições do software com uma política pública. A chave do destinatário dos dados precisa estar vinculada a essa comprovação. 3. Após a verificação bem-sucedida, estabelece uma conexão criptografada com o ambiente aprovado. Uma divergência interrompe o envio dos dados; passar a outra opção exige uma escolha consciente. 4. O ambiente processa a solicitação com acesso limitado à rede e às ferramentas, devolve o resultado e exclui os dados de trabalho conforme a política publicada. 5. O registro da conversa ou da memória ocorre apenas no escopo escolhido pelo usuário. A atestação ajuda a determinar o que foi colocado em execução, mas, por si só, não comprova que esse código é seguro. São necessárias revisões de código, compilações reproduzíveis do software a partir do código-fonte (descritas na seção 2.3), um registro de versões aprovadas e a possibilidade de verificação independente. A arquitetura Apple Private Cloud Compute é uma referência para nós sobre como vincular a proteção à transparência no lançamento de software; não é um certificado do nosso projeto.[^apple-pcc] Queremos proteger as versões de modo que a confiança não dependa de uma única pessoa nem apenas da fundação: - cada versão deverá permitir compilações reproduzíveis a partir do código-fonte, e pelo menos duas partes independentes externas à fundação a reproduzem e confirmam publicamente que a impressão digital corresponde; até que as encontremos, identificamos a versão como não confirmada por terceiros; - as impressões digitais das versões aprovadas entram em um registro público ao qual só é possível acrescentar informações, e seus estados sucessivos são confirmados por testemunhas independentes; - uma nova versão vai para os servidores após a aprovação de várias pessoas, incluindo pelo menos uma de fora da diretoria; - as chaves necessárias para tratar os dados são entregues apenas ao ambiente que passou pela atestação. Projetamos a opção de proteção completa para aplicativos instalados, com versões assinadas e verificáveis, proteção contra o retorno a uma versão defeituosa e armazenamento seguro das chaves, porque, no navegador, o código que verifica o servidor é fornecido pelo operador a cada vez. A versão para navegador descreve claramente seu nível inferior de proteção. As compilações reproduzíveis permitem comparar a versão com o código, mas a avaliação do próprio código e da configuração continua sendo feita por revisões, auditorias e recompensas por erros relatados, e cada incidente entra em um registro público. Para limitar a exposição do endereço do usuário, pode-se investigar a intermediação baseada em Oblivious HTTP, que separa o conhecimento do remetente do conhecimento do conteúdo da solicitação em um modelo de confiança específico.[^ohttp] O conluio entre intermediários, a correlação de tráfego e os detalhes da implementação ainda exigem avaliação; por isso, não descrevemos o simples uso desse protocolo como anonimato pleno. A criptografia e a computação confidencial não ocultam o tamanho nem o ritmo dos pacotes pelos quais a resposta é transmitida. Pesquisas de 2024–2025 mostraram que um observador da rede pode reconstruir, a partir deles, o tema e, às vezes, o conteúdo da conversa.[^weiss-keylogging][^whisper-leak] Por isso, no modo confidencial, queremos enviar a resposta em quadros de tamanho fixo e em ritmo constante, não compartilhar entre usuários a memória de cache de consultas e desativar a decodificação especulativa. Essas medidas têm algum custo em latência e capacidade de transmissão; incluiremos isso no cálculo. Também protegemos a infraestrutura limitando o que cada parte do sistema pode fazer: limites de recursos, isolamento das tarefas e bloqueio por padrão das conexões de saída do nó que processa a conversa. Esse bloqueio deverá fazer parte do software cuja impressão digital aparece na atestação: alterá-lo muda a impressão digital, portanto o aplicativo recusará a conexão. Tratamos as regras de rede do fornecedor como uma segunda camada, e não como garantia. As ações externas permitidas passam por uma camada separada de ferramentas, com permissões definidas pelo usuário. Antes da implementação, verificaremos a eficácia desses limites, a forma de detectar incidentes e o escopo mínimo necessário de metadados. O objetivo é a segurança dos recursos compartilhados, preservando a confidencialidade do conteúdo das conversas. Temos cuidado especial quando o usuário conecta fontes com mensagens de outras pessoas, por exemplo, uma caixa de e-mail. A mensagem de outra pessoa pode conter instruções ocultas que tentam induzir o modelo a revelar a memória privada. Por isso, separamos o conteúdo externo das instruções do usuário: ao organizá-lo, o assistente não pode, por iniciativa própria, enviar mensagens, abrir endereços de rede nem alterar o Cânone Pessoal sem confirmação humana. Tudo o que sabemos sobre o funcionamento da Suveria pode ser conhecido por qualquer pessoa. Com o lançamento do serviço, publicaremos uma lista de todos os tipos de dados que coletamos sobre sua operação, com a finalidade e o prazo de armazenamento, e disponibilizaremos os próprios dados de forma agregada: uso de tokens, modelos utilizados, carga das máquinas, tempo de espera na fila, falhas e custos. Todos os veem no mesmo lugar em que nós os vemos. Antes de publicar as compilações desses dados, verificamos se é possível identificar, a partir delas, o comportamento de uma pessoa específica: definimos um tamanho mínimo de grupo, um atraso na publicação e os dados que omitimos. Não coletamos dados fora da lista; se isso acontecesse, trataríamos o caso como um incidente grave e o descreveríamos publicamente. ## 4. Limitar abusos sem acesso a conteúdo privado A proteção da dignidade também se estende às pessoas que podem ser afetadas pelo uso das nossas ferramentas. Queremos prevenir abusos sem ler conversas privadas: por meio dos princípios seguidos pelo próprio assistente, dos limites de permissões das ferramentas e das conexões de rede, dos limites de recursos e da proteção contra a criação de contas em massa. Não criamos acessos ocultos ao conteúdo privado, pois enfraqueceriam a proteção de todos. Será possível criar uma conta de várias formas, desde a totalmente privada (chave no próprio dispositivo, sem endereço de e-mail) até as convenientes (login por um fornecedor externo). Para cada forma, mostraremos antes da escolha quem, além da fundação, fica sabendo da criação da conta e quais dados vê, bem como o que acontece se esse fornecedor desaparecer. A forma de criação da conta não afeta os direitos do participante; o direito de voto no Omniforum é uma credencial separada, adicionada à conta. Avaliamos separadamente a privacidade e a limitação de abusos. Projetamos a Suveria para que a fundação não tenha dados que possa entregar sobre uma pessoa específica: o conteúdo é criptografado com as chaves do usuário, coletamos dados sobre o funcionamento do serviço apenas no escopo público descrito no capítulo 3 e limitamos os dados pessoais ao mínimo exigido por lei para pagamentos e contabilidade; também publicamos seu escopo. Se alguém nos exigir dados de uma pessoa específica, queremos poder responder honestamente que, além desse mínimo descrito publicamente, não os temos. Para cada salvaguarda contra abusos, descreveremos de quais dados ela precisa, por quanto tempo os armazenamos, quais consequências tem para um participante honesto e como contestar um bloqueio indevido. Também descreveremos como recebemos relatos de pessoas que se consideram prejudicadas e o que podemos fazer nesses casos sem acesso ao conteúdo das conversas: por exemplo, limitar as permissões das ferramentas ou os recursos da conta, verificar os dados de cobrança e os metadados no escopo em que os armazenamos ou informar a quem fez o relato onde buscar ajuda. As obrigações legais do operador desse tipo de serviço exigem uma análise separada antes do lançamento. Essas salvaguardas são objetivos e opções a testar, e nenhuma delas detectará todos os abusos. Para cada uma, indicaremos quais ameaças enfrenta, o que não detecta e o que pode ser verificado sem o acesso do operador às conversas privadas. O resultado dessa avaliação determina as condições para disponibilizar uma função. Quando uma conversa tratar de ameaça à vida ou à saúde, o assistente deverá informar sobre a ajuda disponível, por exemplo, números de emergência, sem enviar nada para fora do ambiente privado. ### 4.1. Instruções públicas do assistente e biblioteca compartilhada O comportamento do assistente também é determinado por sua instrução principal e sua forma de trabalhar: como divide a tarefa em etapas, usa a memória e verifica as respostas. Na Suveria, a pessoa deverá poder ler a instrução completa do seu assistente a qualquer momento. A infraestrutura compartilhada deverá disponibilizar apenas modelos e configurações que passem pelos testes públicos do benchmark; acima desse mínimo, o usuário escolhe o estilo de trabalho, desde a organização tranquila de ideias até uma conversa exigente em que o assistente aponta lacunas no raciocínio. Queremos manter uma biblioteca aberta de instruções testadas, que os participantes aperfeiçoam no Omniforum e verificam no benchmark. ## 5. Cálculos em várias placas de vídeo O modelo do capítulo 6 não cabe em uma única placa de vídeo, portanto é preciso verificar a proteção também nas conexões entre as placas: o barramento PCIe conecta o processador às placas, e o NVLink e o NVSwitch conectam as placas entre si. Quando o modelo utiliza várias placas de vídeo, os dados também circulam entre elas, por isso é preciso verificar a proteção tanto das próprias placas quanto das conexões. O nome da placa não basta para contratar um serviço confidencial: é necessário confirmar a máquina adequada, o processador, a topologia das conexões, o firmware, os drivers e o software de execução e depois verificar o funcionamento conjunto.[^nvidia-platformy] No modo Hopper Protected PCIe, descrito na documentação PPCIe v2, a rede NVLink e NVSwitch pertence à parte confiável do sistema, portanto a criptografia PCIe não significa a criptografia de todas as conexões entre as placas.[^nvidia-ppcie-v2] A documentação NVIDIA R595 descreve, para as placas Blackwell, um modo de computação confidencial em várias placas, com criptografia das conexões NVLink e suporte a até oito placas em uma única máquina virtual confidencial.[^nvidia-blackwell] Isso é uma base para verificar a configuração, e não uma prova de que todo aluguel de placas B200 inclui essa função. Diferentes versões têm diferentes matrizes de compatibilidade, por isso não montamos a configuração a partir de versões escolhidas arbitrariamente. A consulta ao fornecedor abrange: - o modo específico de proteção e a possibilidade de atestação por conta própria; - a exclusividade dos recursos necessários e a região; - o acesso de administradores e o acesso físico ao hardware; - a retenção dos dados; - o prazo de entrega e o custo total. Só comparamos a oferta após um teste com nosso próprio aplicativo. A designação comercial “secure” não substitui essas informações. ## 6. Modelo, memória e ferramentas A base do projeto são modelos abertos que podem ser executados por conta própria. A Suveria deverá estar disponível para pessoas de todo o mundo, nos seus próprios idiomas; por isso, ao escolher um modelo, levamos em conta a qualidade em vários idiomas, a compreensão das intenções, a confiabilidade, a licença, o custo e a possibilidade de execução na arquitetura de proteção exigida. Quando necessário, poderemos executar, ao lado de um modelo geral, modelos que lidem melhor com idiomas específicos. Os pesos abertos permitem alguns usos, mas não determinam a abertura dos dados e de todo o processo de criação do modelo.[^osi] O primeiro candidato é o DeepSeek-V4.1-Flash, um modelo com licença MIT, que permite seu uso também em serviços.[^deepseek] É grande, mas econômico: o fabricante informa 552 bilhões de parâmetros na parte principal, ou seja, números ajustados durante o treinamento, e uma memória Engram adicional de 196 bilhões de parâmetros, enquanto apenas 8–16 bilhões de parâmetros trabalham a cada palavra seguinte, por isso responde de forma rápida e barata (cálculo no capítulo 8). Todos os parâmetros, porém, precisam caber na memória das placas de vídeo, portanto são necessárias pelo menos quatro placas modernas. Os parâmetros desse modelo já são armazenados de forma econômica, com menos dígitos para cada número; essa representação se chama quantização e reduz a memória necessária, mas pode diminuir a qualidade, por isso verificamos esse efeito nas nossas próprias tarefas a cada versão. Também o comparamos com modelos menores: só escolhemos o maior quando ele executa claramente melhor as tarefas importantes para as pessoas. O segundo candidato é o Kimi K3.1 Pro, da Moonshot AI, disponibilizado em 23 de outubro de 2026. O fabricante o descreve como uma versão do Kimi K3 com treinamento adicional, com cerca de 3 trilhões de parâmetros e contexto de até um milhão de tokens, e anuncia os pesos completos para antes de 4 de novembro de 2026; a licença ainda não foi anunciada.[^kimi-k31] Os dados detalhados que usamos na comparação vêm da ficha do antecessor: o Kimi K3 tem 2,8 trilhões de parâmetros, dos quais 104 bilhões trabalham a cada token, e sua própria licença, não aprovada pela Open Source Initiative.[^kimi-k3] No índice Artificial Analysis, na versão de 28 de outubro de 2026, o Kimi K3.1 Pro obteve 46 pontos contra 32 do DeepSeek-V4.1-Flash, mas é várias vezes mais caro e mais lento.[^aa] Os arquivos de pesos do Kimi K3 ocupam cerca de 1,56 TB, e sua execução exige memória adicional para contexto e cálculos, portanto não determinamos se o modelo funcionará apenas pela soma da memória das placas. A receita do mecanismo SGLang descreve uma configuração verificada do Kimi K3 em oito placas B300; isso ainda não é um teste do Kimi K3.1 nem de uma configuração confidencial.[^spheron-kimi][^sglang-k3] Após a publicação dos pesos, verificaremos seu tamanho e formato, a licença, as receitas dos mecanismos, a capacidade de uma configuração específica e a disponibilidade em APIs confidenciais. Acrescentaremos o resultado com data como a primeira atualização deste documento, inclusive se os pesos não tiverem sido publicados ou as condições da licença se mostrarem inadequadas. Anunciamos com antecedência a mudança ou a retirada de um modelo. O histórico das conversas fica com o usuário: ele pode escolher um modelo sucessor, exportar os dados ou encerrar o trabalho. O momento da mudança de modelo deverá ficar visível na conversa, e a transferência do contexto privado para um novo modelo exige uma decisão do usuário. Publicaremos na íntegra os princípios segundo os quais o assistente responde, junto com cada versão. O próprio modelo também traz as escolhas de quem o criou, por exemplo, assuntos que evita; nós as verificamos no benchmark e as descrevemos ao escolher o modelo. A memória de conversas anteriores deverá funcionar com o consentimento do usuário e permitir edição transparente. Distinguimos as declarações originais, os resumos do modelo e as informações confirmadas pelo usuário. Cada registro pode ser excluído ou corrigido, sua origem pode ser vista e é possível definir em quais tarefas seu uso é permitido. O assistente distingue claramente sua própria sugestão de uma posição que a pessoa reconheceu conscientemente como sua. A execução de ações exige permissões concedidas para uma finalidade e um prazo determinados. O conteúdo de uma página ou documento é material de análise, e não uma instrução para alterar essas permissões. Ações externas, gastos, publicações e exclusões exigem confirmações proporcionais e um registro de ações acessível ao usuário. ### 6.1. Telescópio do Pensamento e Cânone Pessoal A ideia do Telescópio do Pensamento (*Telescopium Mentis*) nasceu da janela de Overton, um conceito que descreve o conjunto de ideias consideradas aceitáveis na sociedade em determinado momento. Para uma pessoa, trata-se do conjunto de pensamentos que considera admissíveis para si em determinado momento. O Telescópio deverá ser uma janela assim para uma pessoa e apenas para ela: permite ver o registro das próprias reflexões e valores em diferentes momentos e como mudaram com o tempo. O Telescópio do Pensamento deverá servir para retomar o próprio raciocínio: o que eu sabia naquele momento, o que queria e por que mudei de ideia. Também pode ajudar a comparar eventos selecionados pelo usuário, informações sobre o mundo e suas próprias ações com seu Cânone Pessoal, ou seja, o conjunto de princípios e valores que registrou e reconhece como seus. A comparação se refere a uma situação que o próprio usuário descreve ou indica; é ele quem determina o material e o escopo. O modelo mostra possíveis ligações junto com a fonte do princípio citado e a descrição do evento, distinguindo informações confirmadas de interpretações e incertezas. A interpretação proposta pode ser corrigida ou rejeitada, e avaliamos as posições anteriores levando em conta seu momento e contexto. Uma tensão percebida pode dizer respeito ao próprio princípio, a um conflito de valores, às condições do ambiente, às limitações da pessoa ou a uma interpretação inadequada do modelo. A pessoa pode manter o ideal e aceitar a incoerência atual, tornar uma convicção mais precisa, considerar mudar suas ações ou o ambiente ou deixar a questão em aberto. O Cânone deverá ajudar a compreender as próprias escolhas: não criamos uma pontuação de moralidade nem um ranking público de coerência. A reflexão privada permanece privada, e seu registro não significa publicação nem voto. Começaremos com cautela. Na primeira versão, o Telescópio do Pensamento trabalha apenas com uma situação que o próprio usuário indicar, por exemplo, uma decisão que deseja retomar; não acompanha sua vida de forma contínua. O usuário decide com que frequência o utiliza, quais anotações e lembranças compartilha e quando as exclui. Nesse teste, verificamos se as ligações apresentadas são compreensíveis, se dão a sensação de controle sobre as próprias escolhas e se a ferramenta não gera pressão para prestar contas constantemente a si mesmo. Também consideramos um bom resultado quando alguém, após refletir, aceita que nem sempre age de acordo com seus princípios ou deixa a questão em aberto: a ferramenta deverá ajudar a compreender a si mesmo, e não impor decisões. ### 6.2. Formatos abertos, transferência e colaboração entre ferramentas Queremos desenvolver a Suveria como um bem público digital, com código aberto e documentação; a referência é o padrão da Digital Public Goods Alliance.[^dpga] O formato de transferência de dados tem descrição pública, versão e regras de preservação das informações nas mudanças de versão. Usamos, em primeiro lugar, os padrões abertos existentes e documentamos as extensões necessárias. A exportação inclui os originais selecionados, o histórico, as fontes e as ligações, além da distinção entre as palavras do usuário, a elaboração do modelo e o significado confirmado pelo autor, bem como a estrutura do Cânone Pessoal. O pacote baixado pode ser lido sem uma conta ativa na Suveria, após a descriptografia por uma pessoa autorizada. As APIs, ou seja, formas documentadas de comunicação entre programas, deverão permitir trabalhar com os materiais em outras ferramentas, inclusive construídas por conta própria. O usuário escolhe o escopo dos dados e as ações permitidas e pode retirar as permissões das integrações. A revogação de uma permissão interrompe o acesso futuro; o destino das cópias já transmitidas depende também do destinatário. O espaço privado também pode servir ao trabalho em projetos coletivos. O usuário escolhe os materiais que deseja entregar para aceitação ou publicação, e a ferramenta ajuda a remover deles, localmente, chaves de acesso, senhas, dados pessoais e informações sobre vulnerabilidades não corrigidas. O uso de recursos pagos de forma privada não exige a divulgação de conversas de trabalho. Em uma tarefa financiada com recursos compartilhados da fundação, o escopo do registro público, a escolha de pseudônimo e a preparação dos materiais são definidos de antemão pelas [regras das oficinas da fundação](whitepaper-zasady-fundacji.md) (capítulo 11.1). Das reflexões na Suveria também é possível extrair conscientemente uma pergunta ou um argumento e publicá-lo no Omniforum; essa etapa, descrita no manifesto como Cerimônia Ignis (*Caerimonia Ignis*), sempre exige uma decisão separada. ## 7. Escala: de 30 pessoas a toda a humanidade O número de contas, por si só, não determina a infraestrutura necessária. O que importa é a atividade, o tamanho das perguntas e respostas, o número de sessões simultâneas, o tempo de espera aceitável e o custo das ferramentas. O exemplo abaixo é um modelo de carga a testar, e não uma previsão de demanda nem uma oferta. Premissas: cada uma das N pessoas está ativa todos os dias e faz 20 solicitações por dia; uma solicitação média inclui 1.500 tokens de entrada e 600 tokens de saída, e o mês tem 30 dias. Um token é uma unidade de texto processada pelo modelo; seu tamanho depende do idioma. Na carga real, é preciso acrescentar contexto mais longo, processamento de documentos, tokens de raciocínio e chamadas auxiliares. | Pessoas ativas | Solicitações por mês | Entrada por mês | Saída por mês | Geração média ao longo de um dia | Pico horário no cenário mundial, cerca de 1,51 × a média | | --- | ---: | ---: | ---: | ---: | ---: | | 30 | 18.000 | 27 milhões de tokens | 10,8 milhões de tokens | 4,2 tokens/s | 6,3 tokens/s | | 100 | 60.000 | 90 milhões | 36 milhões | 13,9 tokens/s | 20,9 tokens/s | | 1.000 | 600.000 | 900 milhões | 360 milhões | 138,9 tokens/s | 209 tokens/s | | 100 mil | 60 milhões | 90 bilhões | 36 bilhões | 13.889 tokens/s | 20.921 tokens/s | | 1 milhão | 600 milhões | 900 bilhões | 360 bilhões | 138.889 tokens/s | 209.208 tokens/s | | 1 bilhão | 600 bilhões | 900 trilhões | 360 trilhões | 138,9 milhões de tokens/s | 209,2 milhões de tokens/s | | 10 bilhões | 6 trilhões | 9 quadrilhões | 3,6 quadrilhões | 1,39 bilhão de tokens/s | 2,09 bilhões de tokens/s | Planejamos a Suveria como um serviço mundial, disponível em vários idiomas. Não sabemos como os participantes se distribuirão entre os fusos horários, por isso comparamos dois cenários que serão verificados por medição. No cenário mundial, adotamos participações das regiões proporcionais ao número de usuários da internet segundo a ITU em 2025 e o mesmo perfil diário pressuposto em cada fuso: pico à noite e madrugada tranquila.[^itu] Os fusos preenchem parcialmente os períodos de baixa uns dos outros, portanto o pico horário é de cerca de 1,51 × a média e o menor tráfego, de cerca de 0,49 ×. No cenário concentrado em uma região, por exemplo, na Europa, o pico é de cerca de 1,87 × a média, e o tráfego noturno é quase nulo. Essa distribuição também pode ocorrer em grande escala; significa menor aproveitamento da máquina própria e uso mais frequente da API confidencial ou espera maior no pico. Ambos os valores resultam das nossas premissas, e não da observação dos futuros participantes. Uma fila curta com tempo de espera visível deverá absorver os picos breves dentro de uma hora, e a API confidencial poderá assumir o tráfego que ultrapassar a capacidade da máquina própria; mediremos o tempo de espera, inclusive seus percentis 95 e 99, no piloto, junto com o limite da fila e o comportamento quando ele for atingido. O teste de carga também abrangerá a chegada repentina de novas pessoas, por exemplo, cinco vezes o tráfego médio. Trata-se da vazão total de saída; ela não substitui a medição da latência de uma conversa individual nem do custo de processamento da entrada. O teste deve reproduzir a distribuição das sessões, contextos longos, falhas e a fila, e não uma única consulta conveniente. O multiplicador de pico compara a hora de maior carga com a média. Vem de um modelo do dia dividido em 24 horas: deslocamos um mesmo perfil diário entre oito regiões e somamos de acordo com as participações pressupostas. É um cenário de cálculo; não calcula o tempo de espera de uma consulta individual. Para ver como esse cálculo se apresenta em escala mundial, façamos um experimento mental. Se cada uma de 10 bilhões de pessoas usasse a Suveria como no perfil adotado, seriam necessários, no pico, cerca de 2,1 bilhões de tokens de saída por segundo. Com o desempenho medido para o DeepSeek-V4.1-Flash, cerca de 930 tokens por segundo por placa B200, isso corresponde a cerca de 2,25 milhões de placas e, com cerca de 1,75 kW por placa incluindo o servidor (nossa premissa, sem medição), cerca de 4 GW de potência. Para um bilhão de pessoas, seriam cerca de 225 mil placas e 0,4 GW; para um milhão, cerca de 225 placas. Para comparação, a Epoch AI estimava no início de 2026 que a capacidade computacional para inteligência digital instalada no mundo ultrapassava 15 milhões de equivalentes de placas H100 e exigia mais de 10 GW de potência.[^epoch] É uma simplificação: o perfil adotado é leve; trabalho intenso, modelos maiores e imagens precisam de muitas vezes mais, e o hardware e os modelos mudam rapidamente. Ainda assim, mostra a ordem de grandeza: a ajuda diária da inteligência digital nesse escopo para cada pessoa exigiria menos potência do que a que já está em operação hoje no mundo. É um cálculo simplificado, e não uma prova de que essa infraestrutura estaria disponível para essa finalidade. ## 8. Custos e cálculo datado O custo mensal de uma reserva fixa pode, em uma primeira aproximação, ser escrito assim: número de placas × preço por hora de placa × número de horas pagas, acrescido de memória, discos, transferência, proteção, monitoramento, operação, pagamentos e impostos. É preciso verificar quais desses itens a oferta já inclui. Para operação ininterrupta, um mês tem de 672 a 744 horas; 730 horas é uma aproximação média. No cálculo, comparamos cinco opções de custo: modelo local, instância própria em hardware alugado, instância própria em um ambiente de computação confidencial, com proteção declarada pelo fornecedor e a verificar, API confidencial de fornecedor externo e API externa comum. As opções de custo correspondem às opções de proteção da seção 2.3; mostramos o aluguel de uma máquina sem confidencialidade apenas como referência de preço, e não como uma opção da Suveria. Ainda não atribuímos um preço ao modelo local, porque o custo depende do dispositivo do usuário. Comparamos o mesmo escopo de qualidade, disponibilidade e proteção. O ponto de equilíbrio é o custo do serviço completo dividido pelo uso real, e não o custo das placas dividido pelo número de contas cadastradas. A API externa facilita o teste das necessidades dos usuários, mas seu fornecedor tem regras próprias de acesso aos dados, portanto não estendemos a ela as promessas da execução confidencial. ### 8.1. Cálculo datado: situação em 29 de outubro de 2026 O manifesto apresenta a hipótese de que, mesmo com um número relativamente pequeno de participantes regulares, a infraestrutura compartilhada pode oferecer mais capacidade computacional e inteligência digital por dólar do que serviços fechados, com proteção da privacidade baseada em salvaguardas verificáveis. Abaixo, seu cálculo com os preços de 29 de outubro de 2026. Premissas: perfil de uso do capítulo 7 (20 solicitações por dia, cada uma com 600 tokens de saída) e cenário mundial (pico horário de cerca de 1,51 × a média), preços sem impostos, 730 horas por mês para converter os preços de aluguel. O número de pessoas por máquina significa a quantidade de participantes que a máquina atenderá no pico horário: vazão de saída por segundo × 86.400 / (20 × 600 × multiplicador de pico). O número admissível de pessoas também será determinado pelo tempo de espera medido para a resposta. Entre parênteses, apresentamos o cenário concentrado na Europa (multiplicador de cerca de 1,87). Para o DeepSeek-V4.1-Flash, adotamos a medição do fornecedor Lambda em quatro placas B200: cerca de 3.714 tokens de saída por segundo com 64 solicitações simultâneas.[^lambda-v41] A medição foi realizada com decodificação especulativa, que não queremos usar no modo confidencial (capítulo 3). Segundo nossa estimativa de setembro, a vazão pode então ser até cerca de 30% menor, o que aumenta o custo por pessoa em proporção semelhante. Não há medição desse modelo para as placas H200 e B300; pressupomos que cada conjunto de placas com uma cópia do modelo (8 × H200 ou metade de uma máquina 8 × B300) atinja o desempenho de quatro placas B200. É uma premissa otimista: a H200 é de uma geração anterior, o modo confidencial pode tornar o trabalho mais lento e a medição da Lambda envolve solicitações mais longas do que as do nosso perfil. Por isso, também apresentamos uma opção cautelosa com metade dessa vazão. Os pesos do modelo ocupam cerca de 511 GB, e o mecanismo vLLM recomenda cerca de 614 GB de memória de placas. Quatro placas H200 (564 GB) não são suficientes, por isso uma cópia na H200 precisa de oito placas. A receita do desenvolvedor do mecanismo para essa configuração estava em verificação em 29/10 e, nas placas H200, a conexão entre placas (NVLink) não é criptografada por hardware, ao contrário das B200 e B300. | Opção | Confidencialidade | Custo mensal | Pessoas por máquina | Custo apenas dos cálculos por pessoa | | --- | --- | ---: | ---: | ---: | | API DeepSeek | nenhuma, o fornecedor vê o conteúdo | conforme o uso | não se aplica a uma máquina individual; limites e disponibilidade do fornecedor | 0,35–0,70 USD | | API confidencial com DeepSeek-V4.1-Flash (Confidential AI, Tinfoil, Phala) | declarada pelo fornecedor, a verificar | conforme o uso | não se aplica a uma máquina individual; limites e disponibilidade do fornecedor | 0,70–1,25 USD | | API Kimi K3.1 Pro (Moonshot) | nenhuma | conforme o uso | não se aplica a uma máquina individual; limites e disponibilidade do fornecedor | 5,40 USD | | API confidencial com Kimi K3 (Phala, NEAR AI) | declarada pelo fornecedor, a verificar | conforme o uso | não se aplica a uma máquina individual; limites e disponibilidade do fornecedor | 8,10–8,91 USD | | Máquina confidencial alugada 8 × H200 (Phala), DeepSeek, uma cópia do modelo | atestação do processador e das placas, a verificar | 23.506 USD com compromisso de 180 dias, 32.266 USD sob demanda | cerca de 17.750 (14.300), premissa de capacidade | 1,32–1,82 USD (1,64–2,25) | | Como acima, opção cautelosa: metade da vazão | atestação do processador e das placas, a verificar | como acima | cerca de 8.900 (7.150), premissa de capacidade | 2,65–3,64 USD (3,29–4,51) | | Máquina confidencial alugada 8 × B300 (Phala), Kimi K3 | atestação do processador e das placas, a verificar | 45.552–47.888 USD | cerca de 4.800–7.600 (3.900–6.200), premissa de capacidade | cerca de 6–10 USD (7,4–12,4) | | 4 × B200 sem confidencialidade confirmada (Lambda), DeepSeek | nenhuma confirmada | 19.827 USD | cerca de 17.750 (14.300) | 1,12 USD (1,38) | | 8 × B200 sem confidencialidade confirmada (Lambda), DeepSeek, duas cópias de quatro placas | nenhuma confirmada | 39.070 USD | cerca de 35.500 (28.700), premissa de desempenho de duas cópias | 1,10 USD (1,36) | De onde vêm esses números: preços de API das tabelas de preços da DeepSeek, Moonshot, Confidential AI, Tinfoil, Phala e NEAR AI;[^deepseek-cennik][^cai][^tinfoil][^phala-api][^near] preços das máquinas confidenciais da tabela de preços da Phala;[^phala-gpu] aluguel de B200 na Lambda a 6,79 USD por hora de placa em uma instância com quatro placas e 6,69 USD em uma instância com oito.[^lambda-cennik] Adotamos a capacidade do Kimi a partir de medições de terceiros para o Kimi K3 em oito placas B300, que fornecem cerca de 1.000–1.600 tokens de saída por segundo.[^spheron-kimi] Os valores mensais com compromisso não significam pagamento mensal: a Phala exige o pagamento antecipado de todo o período, sem reembolso por encerramento antecipado, portanto 180 dias de uma máquina 8 × H200 correspondem a 139.104 USD em dinheiro no momento da contratação, e 180 dias de uma máquina 8 × B300, a 269.568 USD.[^phala-gpu] O que resulta disso: - Para o perfil adotado, os preços de APIs com confidencialidade declarada são de cerca de 0,70–1,25 USD por pessoa por mês, desde um custo comparável ao de uma API comum até cerca de 3,6 vezes seu custo, dependendo do fornecedor e do horário de uso; o menor preço é declarado pela Confidential AI, e também precisamos verificar essa oferta. A API confidencial oferece capacidade flexível sem colocar uma máquina própria em funcionamento, embora tenha seus próprios limites, filas e falhas. Uma máquina confidencial alugada para o DeepSeek, dimensionada para o pico, funciona no cenário mundial, em média, com cerca de dois terços da capacidade e custa aproximadamente 1,32 USD por pessoa, ou seja, mais ou menos o mesmo que APIs confidenciais mais caras e mais do que a mais barata. No nosso modelo horário, o primeiro nó próprio, com o excedente direcionado à API confidencial a 1,25 USD por pessoa, aparece no ponto verificado de cerca de 20 mil pessoas ativas; é um resultado das premissas adotadas, e não um limiar exato, e, com uma API confidencial mais barata, a máquina alugada não compensa nessa escala. - O aluguel por hora de uma máquina confidencial completa não oferece hoje flexibilidade para o pico noturno: a Phala exige pelo menos um dia (8 × H200) ou um mês (8 × B300), a Confidential AI exige três meses para 8 × B300 a 60 USD por hora, e a VoltageGPU, que cobra 8 × H200 por segundo a 64,62 USD por hora, não abrange essa configuração nem os switches NVSwitch nas provas de atestação publicadas.[^cai][^voltage] A isso se soma o tempo de alocação da máquina e de carregamento dos pesos. - Para o Kimi, o cálculo depende da medição: a API confidencial custa cerca de 8–9 USD por pessoa, e uma máquina própria 8 × B300, com uso pleno, cerca de 6 USD na estimativa de capacidade mais alta e cerca de 9,5 USD na mais baixa. Ela fica mais barata do que a API confidencial se uma máquina atender mais de cerca de 5.100–5.600 pessoas ativas usando esse modelo; na estimativa de capacidade mais baixa (cerca de 4.800 pessoas), isso não acontece. Compra de um servidor próprio: um servidor Supermicro completo com oito placas B300 custava, em setembro de 2026, cerca de 663 mil USD.[^supermicro] Estimamos o custo mensal dessa compra da seguinte forma: | Item | Valor mensal | | --- | ---: | | Depreciação do servidor em cinco anos | cerca de 11 mil USD | | Depreciação do servidor em quatro anos | cerca de 13,8 mil USD | | Colocação em centro de dados | cerca de 1,9–3 mil USD | | Rede, peças e manutenção (estimativa) | cerca de 1,5 mil USD | | Total | cerca de 14–18 mil USD | Nesse servidor caberão duas cópias do DeepSeek, que, no cenário mundial, atenderão cerca de 35 mil pessoas (no europeu, cerca de 28 mil), por cerca de 0,41–0,52 USD por pessoa. Nessas premissas, a compra fica mais barata do que a API confidencial a 1,11–1,25 USD a partir de cerca de 12–17 mil pessoas ativas, e do que a opção declarada mais barata (0,70 USD) a partir de cerca de 21–26 mil. O cálculo não inclui o custo total de manutenção e medição dessa configuração; a compra também exige dinheiro adiantado, pessoas de plantão 24 horas por dia e demanda constante durante anos, e, nesse caso, a fundação tem acesso físico ao hardware (capítulo 2). São nossas estimativas, e não ofertas. - Máquinas confidenciais com várias placas estão disponíveis publicamente hoje nos EUA. Na União Europeia, encontramos máquinas confidenciais com uma única placa H100,[^azure-ncc] nas quais nem o DeepSeek completo nem o Kimi cabem. A Privatemode (Edgeless Systems, Alemanha) também oferece uma API confidencial com servidores na União Europeia, com uma seleção menor de modelos.[^privatemode] Isso também é uma declaração do fornecedor, a verificar. - Um catálogo independente que verifica APIs confidenciais, em uma observação de 29 de outubro de 2026, às 14:00 UTC, não confirmou a verificação completa de nenhuma das 95 rotas examinadas; as ausências mais comuns eram a prova de identidade do programa em execução, a origem do código e o vínculo entre a solicitação e a máquina.[^katalog] É o resultado das provas disponíveis, e não uma prova de que os serviços revelam conteúdo. Até nossa própria verificação, tratamos a confidencialidade desses serviços como declaração do fornecedor. - A conta abrange o processamento computacional. O ambiente privado (porta de entrada, memória, arquivos), em uma ou duas máquinas confidenciais com quatro processadores virtuais e 8 GB de memória, custa na Phala cerca de 168 USD por mês por máquina, e o disco é cobrado separadamente, cerca de 10 USD por 100 GB.[^phala-cvm] Verificaremos no piloto se esse tamanho é suficiente. Com 170–340 USD mensais, isso representa, para 30 pessoas, cerca de 6–11 USD por pessoa; para 1.000 pessoas, algumas dezenas de centavos. O cálculo não inclui trabalho humano, revisões de segurança, pagamentos nem reserva para falhas. - As assinaturas populares custam cerca de 20 USD por mês, e o chat da DeepSeek é gratuito.[^abonamenty] Planos de 100–200 USD oferecem, em trabalho intenso com agentes, o equivalente a milhares de dólares pelos preços de tabela das APIs;[^semianalysis] não competimos em preço com esses planos. Propomos a cobrança do uso real com privacidade verificável. Situação da hipótese do manifesto em 29 de outubro de 2026: o cálculo nos aproxima dela, mas não a confirma. O processamento com confidencialidade declarada e atestação já está disponível em tabelas de preços públicas e, no perfil de uso adotado, custa cerca de 0,70–1,25 USD por pessoa por mês, portanto um pequeno grupo pode começar por ele a preço de custo e, nas nossas premissas, a infraestrutura própria pode se tornar mais barata com algo entre pouco mais de dez mil e algumas dezenas de milhares de pessoas ativas. Três fatores decidirão isso e serão verificados nos testes do capítulo 9: se a confidencialidade desses serviços passa por verificação independente, se a qualidade dos modelos disponíveis é suficiente para as tarefas que levarão as pessoas à Suveria e qual é o perfil real do tráfego. Atualizamos o cálculo a cada mudança significativa de preços e após cada teste, e preservamos as versões anteriores. ### 8.2. Etapas da infraestrutura e fichas de decisão Desenvolvemos a infraestrutura em etapas, cada uma oferecendo valor próprio aos participantes, sem obrigação de passar à seguinte: primeiro, API confidencial e ambiente privado em máquinas confidenciais (se arrecadarmos recursos suficientes antes do início, poderemos começar diretamente pela etapa seguinte); depois, aluguel de máquinas confidenciais próprias; mais adiante, compra de hardware e sua instalação em um centro de dados externo; e, em uma perspectiva distante, se demonstrar vantagem, um prédio próprio. A etapa seguinte é justificada por dados medidos: custo total do serviço, tráfego real, tempo de resposta no pico, possibilidade de manter as salvaguardas e lidar com falhas e, na compra, também financiamento de reparos, substituição do hardware e pessoas que assumam a responsabilidade. Alugar uma máquina própria também pode fazer sentido quando o modelo necessário não está disponível em uma API confidencial ou quando queremos controle completo sobre o que está em execução. Descrevemos cada transição em uma ficha de decisão: o que ganhamos, custo total, riscos, condições para iniciar e recuar, forma de transferir dados e chaves e conformidade com as [regras da reserva e do início dos demais pilares](whitepaper-zasady-fundacji.md) (capítulo 8 do whitepaper de princípios da fundação). Só permitimos combinar uma máquina própria com uma API confidencial para os picos de tráfego quando cada caminho tem um nível de proteção aceito; a passagem a uma opção mais fraca exige uma decisão separada e consciente do usuário. Planejamos a primeira medição em uma única placa confidencial com um modelo menor, e a seguinte em uma máquina que comporte o modelo completo. Ajustamos a capacidade ao tráfego sem dimensionar tudo para o pico máximo. Projetamos uma fila curta com tempo de espera visível; mediremos no piloto seu tempo real, limite e comportamento quando esse limite for atingido. A capacidade flexível para picos mais longos vem, em primeiro lugar, da API confidencial, desde que preserve o nível de proteção aceito, o consentimento e o limite de gastos do usuário; quando esse caminho não existe, informamos com honestidade sobre a espera ou a indisponibilidade. O aluguel por hora faz sentido para modelos que não estão em APIs confidenciais ou que são consideravelmente mais caros nelas, e apenas onde o fornecedor realmente permite iniciar e liberar máquinas confidenciais com rapidez. Queremos usar a capacidade ociosa da máquina própria nos horários mais tranquilos para tarefas da fundação, como elaborações para o Omniforum; seu valor em preços de API não é receita para o orçamento, portanto essas tarefas têm objetivo e orçamento próprios. Após o primeiro piloto, queremos testar dois modos: “Conversa”, para o trabalho habitual com o assistente, e “Sem pressa”, para tarefas que podem esperar, por exemplo, a tradução de um documento. No modo “Sem pressa”, mostramos uma janela aproximada de início, uma estimativa de custo, o orçamento máximo, a possibilidade de cancelamento com cobrança do trabalho realizado e as mesmas informações sobre proteção. Um preço menor para esse trabalho só é possível quando resulta de um método público de divisão de custos, sem contar duas vezes o custo fixo. ### 8.3. Medição do uso sem o conteúdo das conversas Para cobrar pelo uso real, medimos os recursos necessários para executar as tarefas e descrevemos claramente a participação nos custos fixos. O medidor de cobrança se limita aos dados indispensáveis para verificar o custo, e o conteúdo da conversa não é necessário para emitir a conta. Nos testes, verificaremos a precisão da medição, a forma de controle pelo usuário, o escopo dos metadados expostos e o comportamento do serviço quando o limite de gastos for atingido. As regras de cobrança, arredondamento, pagamentos antecipados e reembolsos são descritas no [whitepaper de princípios da fundação](whitepaper-zasady-fundacji.md). O limite de gastos definido pelo participante deverá funcionar como uma barreira, e não como um aviso depois do fato. Alguns fornecedores só cobram as solicitações em andamento após sua conclusão, portanto seus limites podem ser ultrapassados; a Tinfoil, por exemplo, descreve isso assim.[^tinfoil] Por isso, projetamos uma reserva: antes de enviar a solicitação, a porta de entrada da Suveria separa do saldo seu maior custo permitido, levando em conta outras solicitações em andamento, e limita o número de solicitações paralelas e o tamanho da resposta. Após a conclusão, cobramos o custo real e liberamos a reserva não utilizada. Esse é um requisito a construir e verificar, e não uma função em operação. ## 9. Testes de aceitação e registro de resultados Antes de chamar qualquer versão de confidencial, documentaremos pelo menos: - atestação correta; - recusa do envio de dados após substituição do código ou da chave; - isolamento das sessões; - restrições do administrador; - ausência de conteúdo em logs, despejos e telemetria; - tratamento da memória de cache; - exclusão e recuperação; - comportamento após falhas; - limites das ferramentas; - custos sob carga. O resultado inclui a versão da configuração e o cenário no qual tentamos violar a proteção. Queremos que cada versão da Suveria passe por todos os critérios de prova de pelo menos um verificador independente de serviços confidenciais: hardware e estado das salvaguardas, atualidade da prova, vínculo da chave da conexão com o ambiente protegido, identidade do programa em execução, origem do código e vínculo da solicitação com uma máquina específica, preservando a disponibilidade. Publicamos o resultado com data da observação, versão dos critérios e provas para uma versão, um modelo e uma rota de solicitação específicos, e descrevemos os vínculos do verificador junto com o resultado. Não prometemos uma posição em nenhum ranking. Passar pela verificação significa alcançar o controle descrito em determinado momento, com limitações públicas, e não substitui uma auditoria nem nossos próprios testes. Quando colocarmos em funcionamento nossa própria opção confidencial, inscreveremos a Suveria em cada catálogo independente que verifica a confidencialidade da execução de modelos e lhe disponibilizaremos um ponto de verificação da atestação; o primeiro exemplo é confidentialinference.net (situação em 31 de outubro de 2026).[^confidentialinference] Não prometemos a inclusão, porque quem decide é o catálogo; prometemos a inscrição, a resposta às suas perguntas e a publicação do resultado, mesmo que ruim, com data. O catálogo verifica apenas o que vê de fora, geralmente a atestação e o canal de conexão; não substitui a auditoria do código, da configuração nem a avaliação dos canais laterais. Os testes de armazenamento e transferência incluem: - restauração de uma cópia criptografada em outro dispositivo autorizado e recusa da leitura sem a chave correta; - perda de um dispositivo, recuperação do acesso pelo método escolhido e apresentação clara das consequências da perda de todas as chaves; - sincronização de alterações paralelas sem sobrescrever silenciosamente uma das versões; - leitura da exportação em uma ferramenta independente, sem conta no operador original, com comparação dos originais, histórico, fontes e ligações; - limitação do escopo da integração e interrupção efetiva do seu acesso futuro após a revogação da permissão. Etapas: 1. teste de usabilidade com materiais não sensíveis; 2. teste técnico de proteção; 3. piloto limitado com condições claras; 4. aumento gradual da escala. Antes do piloto, definiremos e publicaremos os limiares: tempo até a primeira palavra da resposta, custo dos cálculos por pessoa no perfil medido e qualidade do modelo conforme o [whitepaper de materiais e benchmark](whitepaper-materialy-i-benchmark.md). Consideraremos o piloto bem-sucedido quando atender aos três. Uma mudança de modelo, firmware ou método de login na conta pode exigir uma nova qualificação, e uma atualização não pode enfraquecer silenciosamente a proteção acordada. Cada versão tem uma ficha pública: - escopo de funcionamento; - provas dos testes; - limitações conhecidas; - pessoas responsáveis; - custos; - caminho para relatar um problema; - plano de retirada. A descoberta de uma falha leva à limitação da exposição, à informação das pessoas afetadas e a uma correção verificável. Queremos realizar os testes abertamente. Convidamos pessoas que trabalham com segurança, criptografia, infraestrutura e aplicativos, inclusive criadores que apresentam a tecnologia ao grande público, para projetar conjuntamente as verificações e tentar romper a proteção em contas de teste separadas, com dados fictícios. Também convidamos os críticos. Não pagamos por promoção e identificamos cada colaboração conforme o [registro de benefícios](whitepaper-zasady-fundacji.md) (capítulo 7 do whitepaper de princípios da fundação). Os resultados, inclusive os malsucedidos, entram no registro de resultados. Se você quiser participar, escreva para [salve@novusignis.org](mailto:salve@novusignis.org?subject=%5BDo%C5%82%C4%85cz%5D%20Pr%C3%B3by%20Suverii) com o assunto “[Dołącz] Próby Suverii”. O teste mais importante: uma equipe com permissões de operador fora do ambiente confidencial (porta de entrada, discos, rede, logs) tenta ler as conversas das contas de teste, nas quais foram ocultadas sequências secretas de caracteres. Se qualquer pessoa as extrair, inclusive nós, o teste fracassou. Disponibilizaremos a primeira versão da Suveria a algumas pessoas que ajudam a configurá-la. Se usar uma API confidencial, sua ficha de proteção (seção 2.3) dirá claramente que o modelo funciona em um fornecedor externo, que a atestação é declarada pelo fornecedor e ainda não foi verificada por nós e que os metadados não estão protegidos. Como as primeiras pessoas também ajudam a operar o serviço, o primeiro resultado que publicaremos será o teste mais importante descrito acima, com a descrição do que o operador conseguiu fazer. **Registro de resultados.** Situação em 29 de outubro de 2026: ainda não realizamos nenhum dos testes descritos, não alugamos placas de vídeo e não colocamos um modelo em funcionamento na Suveria. Acrescentamos aqui cada resultado seguinte com data, configuração, cenário e conclusão, inclusive quando o teste não for bem-sucedido. Permanecem por decidir: - primeiro modelo e nível de qualidade aceitável; - verificação independente das APIs confidenciais e das máquinas confidenciais, além da disponibilidade em jurisdições com forte proteção de dados pessoais, como a União Europeia com o RODO; - tempo de resposta; - regras de chaves e memória; - escopo mínimo dos dados de cobrança; - obrigações legais do operador diante de relatos de abusos; - forma de financiar a continuidade. O [whitepaper de princípios da fundação](whitepaper-zasady-fundacji.md) descreve orçamento, cobrança e responsabilidade, e o [whitepaper de materiais e benchmark](whitepaper-materialy-i-benchmark.md), a avaliação do comportamento dos modelos. Fundação Novus Ignis, Poznań, KRS 0001269575. Site e manifesto: novusignis.org. Observações: salve@novusignis.org. ## Notas [^teefail]: [TEE.fail: Breaking Trusted Execution Environments via DDR5 Memory Bus Interposition](https://tee.fail/). Estudo da Georgia Tech, Purdue University e Synkhronix, publicado em 28/10/2025: extração de chaves de atestação Intel TDX e SGX e AMD SEV-SNP por conexão física ao barramento de memória DDR5, com consequências para a computação confidencial da NVIDIA. Exige acesso físico ao servidor; a Intel e a AMD consideram esses ataques fora do escopo da proteção. Análise: [The Hacker News](https://thehackernews.com/2025/10/new-teefail-side-channel-attack.html). Acesso em 28/10/2026. [^local-first]: [Kleppmann, Wiggins, van Hardenberg e McGranaghan (2019): Local-first software: You own your data, in spite of the cloud](https://www.inkandswitch.com/essay/local-first/). Estudo. Princípios do armazenamento da cópia principal nos dispositivos do usuário e do papel de apoio dos servidores, incluindo cópias criptografadas. [^apple-pcc]: [Apple: Private Cloud Compute](https://security.apple.com/blog/private-cloud-compute/). Descrição da arquitetura. Exemplo de vínculo entre confidencialidade, controle do software e transparência do sistema. [^ohttp]: [RFC 9458: Oblivious HTTP](https://www.rfc-editor.org/rfc/rfc9458.html). Especificação. Separação do conhecimento do remetente e da solicitação em um modelo de confiança específico; não é anonimato pleno. [^weiss-keylogging]: [Weiss, Ayzenshteyn, Amit e Mirsky (2024): What Was Your Prompt? A Remote Keylogging Attack on AI Assistants](https://www.usenix.org/conference/usenixsecurity24/presentation/weiss). Publicação científica (USENIX Security 2024; versão preliminar arXiv 2403.09751). A partir do tamanho dos pacotes criptografados de um fluxo de resposta, um observador da rede reconstrói o tema e, parcialmente, o conteúdo da resposta do assistente. Acesso em 30/10/2026. [^whisper-leak]: [McDonald e Bar Or (2025): Whisper Leak: a side-channel attack on Large Language Models](https://arxiv.org/abs/2511.03675) e [análise da Microsoft (7/11/2025)](https://www.microsoft.com/en-us/security/blog/2025/11/07/whisper-leak-a-novel-side-channel-cyberattack-on-remote-language-models/). Publicação de pesquisa e descrição do fabricante. O tamanho e o ritmo dos pacotes em um fluxo de resposta criptografado permitem identificar o tema da conversa; alguns fornecedores adicionaram preenchimento aleatório aos pacotes. Acesso em 30/10/2026. [^nvidia-platformy]: [NVIDIA: plataformas compatíveis com contêineres confidenciais](https://docs.nvidia.com/datacenter/cloud-native/confidential-containers/latest/supported-platforms.html). Documentação do fabricante. Requisitos da configuração completa de processador, placas e software. [^nvidia-ppcie-v2]: [NVIDIA: Protected PCIe v2, Introduction](https://docs.nvidia.com/attestation/attestation-client-tools-ppcie-sdk-cpp/latest/ppcie_introduction.html). Documentação do fabricante. No modo PPCIe v2, a rede NVLink e NVSwitch pertence à parte confiável do sistema; a proteção PCIe não significa criptografia de todo o tráfego entre placas. [^nvidia-blackwell]: [NVIDIA: Trusted Computing Solutions 595](https://docs.nvidia.com/595trd1-trusted-computing-solutions-release-notes.pdf). Documentação do fabricante. Modo de computação confidencial em várias placas Blackwell, incluindo proteção das conexões; exige uma configuração compatível. [^osi]: [OSI: Open Source AI Definition](https://opensource.org/ai/open-source-ai-definition). Definição. Pesos abertos não determinam o cumprimento de toda a definição de um sistema aberto. [^deepseek]: [DeepSeek-V4.1-Flash: ficha do modelo](https://huggingface.co/deepseek-ai/DeepSeek-V4.1-Flash). Documentação do fabricante. Arquitetura, licença MIT e capacidades declaradas do modelo; não é uma medição do desempenho da Suveria. [^dpga]: [Digital Public Goods Alliance: padrão](https://www.digitalpublicgoods.net/standard). Padrão. Critérios de avaliação de um bem público digital; uma orientação do projeto não é um reconhecimento obtido da DPGA. [^lambda-cennik]: [Lambda: tabela de preços das instâncias](https://lambda.ai/pricing). Tabela de preços do fornecedor. NVIDIA B200 SXM6 180 GB: 6,79 USD por hora de placa em uma instância com quatro placas e 6,69 USD em uma instância com oito; H100 SXM 80 GB: 3,99 USD; preços sob demanda, sem impostos, sem modo confidencial. Acesso em 29/10/2026. [^lambda-v41]: [Lambda: DeepSeek-V4.1-Flash, resultados de medição do desempenho](https://lambda.ai/inference-models/deepseek-ai/deepseek-v4.1-flash). Medição do fornecedor. 4 × B200, vLLM, paralelismo de tensores 4, decodificação especulativa, cerca de 8.192 tokens de entrada e 1.024 de saída por solicitação; com 64 solicitações simultâneas, um total de 3.713,9 tokens de saída por segundo e uma média de 66,8 tokens por segundo por conversa. Sem data da medição. Acesso em 28/10/2026. [^azure-ncc]: [Azure: preço da máquina NCC40ads H100 v5](https://prices.azure.com/api/retail/prices?$filter=armSkuName%20eq%20%27Standard_NCC40ads_H100_v5%27%20and%20priceType%20eq%20%27Consumption%27) e [descrição da série](https://learn.microsoft.com/en-us/azure/virtual-machines/sizes/gpu-accelerated/nccadsh100v5-series). Tabela de preços do fornecedor. Máquina confidencial com uma placa H100 NVL 94 GB; de 6,98 USD por hora (East US 2) a 8,90 USD (West Europe), Linux, pagamento pelo uso. Acesso em 28/10/2026. [^deepseek-cennik]: [DeepSeek: tabela de preços da API (versão chinesa)](https://api-docs.deepseek.com/zh-cn/quick_start/pricing). 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[^kimi-k31]: [Moonshot: lançamento do Kimi K3.1 Pro](https://forum.moonshot.ai/t/kimi-k3-1-pro-has-launched-start-exploring-now/629) e [Kimi: descrição do K3.1 Pro (24/10/2026)](https://www.kimi.com/news/kimi-k3-1-pro). Documentação do fabricante. Versão do Kimi K3 com treinamento adicional, cerca de 3 trilhões de parâmetros, contexto de 1 milhão de tokens, pesos anunciados para antes de 4/11/2026; licença não anunciada. Preços da API segundo a OpenRouter: 2 / 10 USD por milhão de tokens. [^kimi-k3]: [Kimi K3: ficha do modelo](https://huggingface.co/moonshotai/Kimi-K3). Documentação do fabricante. 2,8 trilhões de parâmetros, 104 bilhões ativos, contexto de cerca de 1 milhão, MXFP4, licença Kimi K3 License. [^spheron-kimi]: [Spheron: implantação do Kimi K3 (19/10/2026)](https://www.spheron.network/blog/deploy-kimi-k3-gpu-cloud/). Guia do fornecedor. Arquivos de pesos de 1.560,94 GB, configurações que comportam o modelo. 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Confidencialidade declarada pelo fornecedor, não verificada por nós. Acesso em 30/10/2026. [^katalog]: [Confidential Inference Directory: metodologia e observações](https://confidentialinference.net/attestation). Catálogo independente, patrocinado por uma empresa que oferece inferência confidencial. 0 de 95 rotas verificadas de ponta a ponta na observação de 29/10/2026, 14:00:19 UTC. [^supermicro]: [Supermicro: servidor AS-8126GS-NB3RT-01-G2](https://store.supermicro.com/us_en/8u-gpu-gold-series-as-8126gs-nb3rt-01-g2.html) e [GPU Per Hour: preços dos servidores NVIDIA](https://gpuperhour.com/blog/nvidia-gpu-prices). Oferta do fabricante e compilação de preços. Servidor completo com oito placas B300: 662.845,95 USD (21/9/2026). [^semianalysis]: [BigGo Finance sobre a análise da SemiAnalysis (7/10/2026)](https://finance.biggo.com/news/173039423dab79be). Análise do setor. Um plano de 200 USD oferece, com trabalho intenso, cerca de 12 mil USD pelos preços de tabela das APIs; estimativas de margem, e não dados da empresa. [^sglang-k3]: [SGLang: receita para o Kimi K3](https://github.com/sgl-project/sglang/blob/main/docs/cookbook/autoregressive/Moonshotai/Kimi-K3.mdx). Documentação do mecanismo. Configuração verificada do Kimi K3 em 8 × B300; não se refere ao Kimi K3.1 nem ao modo confidencial. [^phala-cvm]: [Phala: tabela de preços das máquinas confidenciais](https://phala.com/pricing). Tabela de preços do fornecedor. tdx.large (4 processadores virtuais, 8 GB de memória): 0,23 USD por hora; disco, 0,000139 USD por GB por hora. Acesso em 29/10/2026. [^itu]: [ITU: Facts and Figures 2025, uso da internet](https://www.itu.int/itu-d/reports/statistics/2025/10/15/ff25-internet-use). Estatística internacional. Percentual de pessoas que usam a internet nas regiões do mundo em 2025 (cerca de 6 bilhões de pessoas, 74% da população); as participações regionais no nosso cálculo são uma aproximação: percentual × população da região. [^cai]: [Confidential AI: tabela de preços](https://confidential.ai/pricing). Tabela de preços do fornecedor, valores de 26/10/2026. DeepSeek V4.1 Flash: 0,30 USD de entrada, 0,03 USD de entrada do cache, 1,20 USD de saída por milhão de tokens; máquina 8 × B300, 60 USD por hora, mínimo de três meses, alocação em alguns dias. Confidencialidade declarada pelo fornecedor, não verificada por nós. [^voltage]: [VoltageGPU: tabela de preços](https://voltagegpu.com/pricing) e [escopo das provas](https://voltagegpu.com/). Tabela de preços e declarações do fornecedor. 8 × H200, 64,62 USD por hora com cobrança por segundo; as provas publicadas não incluem a atestação dessa configuração nem dos switches NVSwitch. [^epoch]: [The Decoder sobre os dados da Epoch AI (8/1/2026)](https://the-decoder.com/global-ai-compute-hits-15-million-h100-equivalents-epoch-ai-finds/) e [Epoch AI: AI Chip Users](https://epoch.ai/data/ai-chip-users). Compilação de um centro de pesquisa independente. Capacidade computacional para inteligência digital instalada superior a 15 milhões de equivalentes NVIDIA H100, demanda superior a 10 GW. Estimativa, e não medição. [^confidentialinference]: [confidentialinference.net](https://confidentialinference.net): comparação de fornecedores que executam modelos em ambientes de execução confiáveis, com verificações datadas de atestação; site patrocinado pela empresa Enclava, com onze fornecedores no momento do acesso. Acesso em 31/10/2026. --- # Omniforum: compreensão compartilhada, conversa e decisões (https://novusignis.org/pt/whitepaper-omniforum.html) # Omniforum: compreensão compartilhada, conversa e decisões Versão de 31 de outubro de 2026. Este documento desenvolve os princípios do manifesto relativos ao Omniforum: como queremos ajudar as pessoas a se compreenderem, deixar um acervo duradouro depois da conversa e tomar decisões em conjunto. Descreve a direção de desenvolvimento do protótipo. Cada possibilidade descrita exige um teste de aceitação separado, e a descrição da experiência pretendida não significa que ela esteja disponível hoje. Acrescentamos os resultados dos testes no capítulo 9. *Tradução realizada por inteligência digital a partir do original em polonês de 31 de outubro de 2026. Em caso de divergência entre as versões, prevalece o texto em polonês.* ## 1. O que é o Omniforum e por que está sendo criado O Omniforum pretende ser um espaço compartilhado de conversa, em que qualquer pessoa possa se manifestar sobre qualquer assunto e ser ouvida. A Fundação Novus Ignis, de Poznań, o projeta pensando em pessoas de qualquer lugar do mundo e quer disponibilizá-lo como um bem público digital com código aberto. Nele, a inteligência digital ajuda, sempre sob o controle do autor, a decompor uma declaração em pensamentos individuais e a conectá-los às fontes e aos pensamentos de outras pessoas. Das conversas que os participantes quiserem compartilhar, fica um acervo ao qual se pode voltar. O Omniforum está sendo criado porque, no fluxo de comentários rápidos, bons argumentos se perdem com facilidade e as mesmas disputas recomeçam sem parar. Em uma frase transmitimos muitos pressupostos, valores e expectativas. Enquanto nos entendemos, isso basta. Quando surge um mal-entendido ou precisamos decidir juntos o que fazer, vale a pena ver o que cada pessoa entende pelas mesmas palavras, o que nos une e em que ponto nossos raciocínios divergem. No Omniforum, queremos que seja possível: - organizar o próprio pensamento e, antes da publicação, verificar se a interpretação proposta pelo modelo expressa o que queremos dizer; - compreender a declaração de outra pessoa junto com seus pressupostos, valores e fontes; - comparar posições e ver tanto os objetivos em comum quanto o ponto em que começa a divergência; - voltar à questão depois de uma semana ou de um ano e ver apenas o que mudou; - voltar às próprias declarações antigas e ver como nosso pensamento mudou, com o direito de mudar de opinião; - acompanhar interesses cotidianos, como culinária, jardinagem ou consertos, e comparar soluções testadas; - preparar uma ideia para uma decisão conjunta: descrevê-la na ficha da ideia, reunir argumentos e, quando houver votação, submetê-la ao voto da comunidade. O objetivo não é escolher o vencedor de uma disputa. Um argumento que questiona nossa posição pode ser tão valioso quanto um que a apoia, e uma ideia também pode ser trazida para que outras pessoas ajudem a encontrar uma melhor. É possível conhecer a questão por meio de uma narrativa breve, aprofundar um argumento escolhido e encerrar a visita de forma clara. Consideramos bem-sucedida uma visita após a qual alguém compreende melhor a questão e pode voltar tranquilamente às suas atividades. O número de cliques e o tempo passado na página não são medidas do benefício. Decompor uma declaração em pensamentos individuais não deve transformar a conversa em um gráfico árido. Em uma disputa, muitas vezes nos irritamos uns com os outros não por má vontade, mas porque uma frase traz vários pressupostos e cada pessoa responde a um diferente. A pergunta simples “então você quer dizer isto e aquilo, estou entendendo bem?” muda o tom da conversa dos dois lados. Toda a camada técnica do Omniforum deve apoiar justamente esse gesto. A conversa deve deixar espaço para mudar de opinião sem humilhação: pode-se reconhecer um erro, fazer outra pergunta ou encerrar sem declarar concordância. A dignidade do participante não depende de aceitar a conclusão; a avaliação de uma afirmação depende de sua fundamentação. O Omniforum complementa a Suveria, o espaço privado de trabalho com inteligência digital: um pensamento pode primeiro ser aprimorado em particular e depois levado conscientemente à conversa compartilhada. Os valores dos quais os dois projetos nascem são descritos no [manifesto](manifest.md) da fundação. A seguir, mostramos, nesta ordem: - como decompomos uma declaração em pensamentos e preservamos sua fonte (capítulos 2 e 3); - como essa ajuda pode funcionar em outros serviços (4); - como surgem questões, mapas da questão, fichas da ideia e iniciativas (5); - que novo meio pode nascer disso (6); - como protegemos a privacidade (7); - como tomamos decisões em conjunto (8); - como verificaremos se tudo isso realmente ajuda (9). ### 1.1. Interesses cotidianos e uma volta tranquila ao tema O Omniforum deve ajudar tanto nas questões públicas quanto no conhecimento prático e nos interesses cotidianos: cuidar de plantas, cozinhar, fazer consertos ou aprender novas habilidades. Pensemos em alguém que quer que sua hera desenvolva ramos tão longos quanto possível. No Omniforum, essa pessoa pode acompanhar o tema e ler o que outras pessoas testaram: quais locais, regas e adubações funcionaram e o que falhou. Cada experiência desse tipo deve ser registrada junto com seu autor e sua fonte, e conselhos semelhantes vindos de conversas diferentes devem se reunir em um só lugar, em vez de se perderem em tópicos separados. Assim surge um mapa da questão: um conjunto organizado de experiências, argumentos e perguntas em aberto, ao qual se pode voltar. Nos capítulos 2, 3 e 5, descrevemos como o construímos a partir de pensamentos individuais e o conectamos às fontes. As soluções podem ser comparadas segundo critérios próprios. Para uma pessoa, o importante é a rapidez; para outra, o baixo custo; e, para uma terceira, uma planta que suporte a falta de cuidados, por isso não buscamos uma única resposta para todos. Em cada experiência, preservamos as condições em que foi obtida, por exemplo, a exposição ao sol, a temperatura da casa ou o tipo de terra. Também distinguimos o que alguém observou de sua explicação de por que aquilo aconteceu. Assim, é possível colocar os diferentes métodos lado a lado e escolher o que se ajusta à própria situação. Quando alguém volta ao tema depois de uma semana ou de um ano, deve ver apenas o que mudou desde a última visita: novas experiências, correções, resultados de testes e perguntas que continuam em aberto. Cada pessoa decide com que frequência quer conferir as novidades e se quer receber notificações. Depois de conferir as mudanças, recebe uma informação clara de que já viu todas as novidades daquele tema e pode voltar tranquilamente às suas atividades. ### 1.2. O que é gratuito Ler o Omniforum, publicar declarações, dividi-las manualmente em pensamentos e átomos, acrescentar fontes, participar de consultas e votar são atividades gratuitas, e o dinheiro não dá maior alcance nem mais peso à voz de ninguém. Só há custo quando alguém usa a ajuda de um modelo, por exemplo, na decomposição de um texto mais longo. Esse custo é coberto pelo próprio saldo na Suveria ou por um modelo no próprio dispositivo, e as pessoas sem saldo podem usar uma fila gratuita que a fundação atende com capacidade computacional ociosa, dentro dos limites do orçamento de apoio e das doações com destinação específica. Quando a fundação mantém sua própria máquina, destinamos sua capacidade ociosa a essas tarefas, em fila e sem garantia de prazo. Enquanto usamos apenas uma API confidencial, não há capacidade ociosa, porque cada operação custa; nesse caso, financiamos as tarefas de pessoas sem saldo apenas com doações destinadas a esse fim, até que se esgotem, e mostramos isso no registro. Uma decomposição já confirmada passa a fazer parte do acervo compartilhado, por isso ninguém paga novamente para abri-la. ### 1.3. Glossário Os principais nomes usados neste documento, explicados com mais detalhes nos capítulos indicados: - **Átomo:** a menor unidade de significado, um conceito individual ou uma coisa concreta, nomeada com uma ou mais palavras (capítulo 2). - **Molécula:** um pensamento formado por átomos unidos por ligações: uma afirmação, pergunta, valor ou condição (capítulo 2). - **Rótulo:** a palavra com que nomeamos um átomo; um átomo pode ter vários rótulos, inclusive em línguas diferentes (capítulo 2). - **Ligação:** uma relação que une átomos em uma molécula, como “é parte de”, “tem a característica”, “causa” ou “previne” (capítulo 2). - **Cadeia:** uma sequência de moléculas na qual as premissas levam a uma conclusão (capítulo 5). - **Questão** (*Causa*): uma pergunta ou um assunto ao qual alguém quer voltar porque deseja compreender, comparar ou fazer algo em conjunto (seção 5.1). - **Mapa da questão** (*Mappa Causae*): uma reunião de cadeias de diferentes pessoas, inclusive contraditórias entre si, junto com fontes e perguntas em aberto, à qual se pode voltar (capítulos 1.1 e 5). - **Ficha da ideia** (*Charta Ideae*): uma visualização que mostra aonde queremos chegar e qual é o próximo passo, com o status da ideia e as respostas a oito perguntas (seção 5.2). - **Iniciativa** (*Inceptum*): uma proposta de ação concreta que nasce do mapa da questão e da ficha da ideia (seção 5.3). - **Omnium:** a base aberta do acervo público do Omniforum, acessível a outras aplicações pela OmniAPI (capítulo 4). - **Ignis:** a etapa do primeiro compartilhamento de um pensamento; o manifesto chama o próprio momento da publicação de Cerimônia Ignis (*Caerimonia Ignis*; capítulo 3). - **Formatio:** a etapa após a publicação, em que a comunidade considera o pensamento, acrescenta argumentos, fontes e ressalvas e busca consenso (capítulo 3). - **Consensus:** um entendimento compartilhado pela comunidade, com indicação da versão, do escopo, das pessoas que o confirmaram e das opiniões divergentes (capítulo 3). - **Terra Incognita:** uma cerimônia voluntária em que nomeamos o limite do que conseguimos fundamentar hoje e começamos conscientemente a buscar uma resposta para uma nova pergunta (projeto, capítulo 3). - **Principium:** a adoção de um princípio como próprio, no Cânone Pessoal (*Canon Personalis*; seção 5.6). ## 2. Átomos, moléculas e sua origem Decompomos uma declaração em dois níveis. Um átomo é a menor unidade de significado: um conceito individual ou uma coisa concreta, nomeada com uma ou mais palavras, por exemplo, “seca”, “árvore” ou “nossa rua”. Atribuímos a cada átomo uma natureza, isto é, se se trata de uma pessoa, lugar, acontecimento, processo, valor ou conceito. Os átomos ajudam a indicar exatamente do que estamos falando e a perceber quando pessoas diferentes entendem coisas diferentes pela mesma palavra. Uma molécula é um pensamento formado por átomos unidos por ligações, como “é parte de”, “tem a característica”, “causa” ou “previne”: uma afirmação, pergunta, valor ou condição. Não precisa ser uma frase curta, porque o sentido pode exigir uma ressalva, um exemplo ou um contexto. Em uma conversa, é possível apoiar uma molécula com um argumento ou questioná-la, enquanto o átomo em si não é verdadeiro nem falso. Um átomo é um significado, e não uma palavra. Tem um identificador permanente e uma definição, e as palavras com que o nomeamos são seus rótulos. Um átomo pode ter vários rótulos: nomes em diferentes línguas, sinônimos e expressões que dependem do contexto. Chamamos a seca de “drought” em inglês, “Dürre” em alemão e “siccitas” em latim. Uma pessoa que mora na rua Warszawska pode chamá-la de “nossa rua”, e outra pessoa, de “quadrado”. Assim, pessoas que usam palavras diferentes, inclusive em línguas diferentes, podem falar da mesma coisa, e a própria questão de um rótulo realmente expressar o átomo pode ser tema de conversa. Onde existe um nome latino consagrado, por exemplo, na biologia, na medicina ou no direito, nós o acrescentamos como rótulo de referência. A associação de uma expressão a um átomo é uma proposta confirmada pelo autor, assim como toda a divisão de sua declaração. Também pode ser uma informação privada: saber que “nossa rua” significa a rua Warszawska revela onde alguém mora, por isso o autor decide se outras pessoas verão essa associação. A definição do átomo também fica registrada no Omniforum: é composta de outros átomos e das relações entre eles, assim como um verbete de enciclopédia é descrito por outras palavras. Isso permite ver o que exatamente entendemos por determinado conceito e considerar e corrigir a definição como qualquer outro pensamento. Esse registro independe de qualquer língua, e, ao lado dele, a definição também pode ser apresentada em texto comum, em várias línguas. Quando muda um átomo usado nas definições de outros átomos, marcamos essas definições para revisão. Toda decomposição, atribuição e associação pode ser feita manualmente, sem a participação de um modelo, com as mesmas ferramentas e o mesmo resultado no mapa. É trabalhoso, mas dá plena visibilidade sobre como algo surgiu. O modelo propõe os mesmos passos por conveniência, e em cada elemento se pode ver se foi criado manualmente ou a partir de uma proposta de modelo, e de qual modelo. Não tratamos a via manual como um modo de emergência: nós a mantemos em todas as versões e verificamos nos testes se ainda é possível percorrer uma questão inteira por esse caminho. Em cada molécula e em cada uso de um átomo, registramos sua origem: de que texto, de qual versão e de que lugar exato dele, em que língua e em que contexto. Assim, sempre é possível voltar ao original e ler a frase em seu contexto. Tratamos as mesmas palavras escritas em dois textos diferentes como duas ocorrências distintas, pois podem significar coisas diferentes em contextos diferentes; só uma associação confirmada as conecta ao mesmo átomo. Também registramos quem preparou a decomposição da declaração e quando e, se houve ajuda de um modelo, qual foi o modelo e qual versão das instruções foi usada. Distinguimos três camadas: - **Declaração de origem:** aquilo que foi realmente publicado ou submetido à análise. - **Interpretação proposta:** proposta por um modelo ou uma pessoa, com indicação do autor e do grau de verificação. - **Confirmação do significado:** o autor reconhece determinada versão da análise como compatível com sua própria intenção. A confirmação diz apenas que o autor reconhece seu pensamento na decomposição. Não prova que tem razão, não significa que outras pessoas concordam com ele e não é um voto em uma votação. O autor pode corrigir a decomposição ou deixar sua declaração inteira, sem divisão. Quem lê pode decompor a declaração de outra pessoa à sua maneira, sem esperar pelo autor. Mostramos essa decomposição como uma interpretação de quem lê, identificada com seu nome ou pseudônimo. Como decomposição da declaração do autor, mostramos apenas a versão que o autor confirmou. O silêncio do autor não significa concordância. A referência para a portabilidade são os padrões abertos de anotação, como o modelo de dados W3C Web Annotation, que descreve a associação de anotações a um recurso e a um trecho dele.[^web-annotation] Esse não é um modelo pronto de todas as relações do Omniforum. ## 3. Da declaração natural à análise compartilhada No Omniforum, um pensamento passa por etapas sucessivas. A primeira é a etapa Ignis, isto é, o primeiro compartilhamento de um pensamento. O pensamento pode surgir no Omniforum: nesse caso, na oficina Ignis (*Officina Ignis*), o autor o decompõe em moléculas e átomos com a ajuda da inteligência digital, confirma que a interpretação expressa sua intenção e o publica conscientemente; este capítulo descreve esse percurso. Também pode vir da Suveria, onde o autor o aprimorou em sua própria oficina privada do pensamento; nesse caso, o publica diretamente, sem a oficina Ignis. Em ambos os casos, o manifesto chama o momento da publicação de Cerimônia Ignis, e depois dele começa a etapa Formatio: a comunidade considera o pensamento, acrescenta argumentos, fontes e ressalvas e busca consenso. Chamamos o entendimento compartilhado de Consensus, e, quando não há concordância, uma divergência descrita com honestidade também é resultado desse trabalho. Junto com o entendimento compartilhado, indicamos sua versão, seu escopo, as pessoas que o confirmaram e as opiniões divergentes; não contamos o silêncio como concordância. Conversamos naturalmente. O percurso da oficina Ignis começa com um texto comum ou um trecho selecionado, e o usuário define o objetivo: compreender, identificar argumentos, preparar sua própria resposta ou comparar posições. Organizar o mapa manualmente continua sendo uma opção para quem quiser. A inteligência digital propõe uma decomposição e mostra, em cada molécula, de que trecho da declaração a extraiu. O autor não precisa verificar tudo em sequência: o modelo deve apontar os lugares em que pode ter se afastado da intenção ou em que a declaração pode ser interpretada de mais de uma maneira. O autor corrige esses lugares e aprova o conjunto. Só é possível aceitar toda a decomposição de uma vez quando está visível o que exatamente está sendo aceito e é possível voltar aos detalhes. Nos testes, verificaremos se a aprovação não leva mais tempo do que decompor a declaração por conta própria. O modelo que propõe a decomposição tem seus próprios hábitos: suaviza formulações incomuns e torna vozes diferentes parecidas entre si, e é fácil aceitar uma proposta pronta sem mudanças. Por isso, a via sem ajuda do modelo tem o mesmo valor, e, de tempos em tempos, comparamos decomposições preparadas com e sem a ajuda de um modelo. Exemplo: a declaração “Vale a pena plantar árvores na nossa rua, se escolhermos espécies resistentes à seca” contém duas moléculas conectadas por uma condição. A primeira, “vale a pena plantar árvores na nossa rua”, conecta os átomos “árvore” e “nossa rua”. A segunda, “escolhermos espécies resistentes à seca”, conecta os átomos “espécie” e “seca” pela ligação “resistente a”. A declaração não pode ser reduzida a “Vale a pena plantar árvores na nossa rua” sem condição, porque a condição continua sendo parte do significado. Se o modelo acrescentar que o autor considera a seca um problema na região, marcamos isso como uma conclusão do modelo, e não como palavras do autor. Não decompomos tudo de imediato. Iniciamos a decomposição quando ela ajuda em uma tarefa concreta, e apenas até a profundidade necessária. A primeira proposta pode preservar expressões mais longas, como “espécies resistentes à seca”, e o autor ou quem lê as decompõe mais onde o sentido depende de um conceito individual ou onde pode haver uma divergência sobre ele. Quanto menos divisões desnecessárias, menor o custo computacional, menos trabalho para quem lê e menos associações incorretas. Também consideramos uma segunda cerimônia, voluntária: um momento em que nomeamos o limite do que conseguimos fundamentar hoje e começamos conscientemente a buscar uma resposta para uma nova pergunta. Nesse caso, marcamos as possíveis explicações como hipóteses. Chamamos essa cerimônia de Terra Incognita, como os antigos cartógrafos marcavam nos mapas as terras ainda inexploradas. Sua forma ainda será definida. ## 4. Ajuda para compreender onde as pessoas já conversam Quando assistimos a um vídeo ou lemos um artigo, hoje somos principalmente receptores. No máximo, podemos acrescentar um comentário abaixo, onde ele se perde facilmente entre os demais. Queremos que, em um trecho específico de um texto ou em um momento específico de uma gravação, seja possível dizer: discordo disso, tenho um argumento ou uma fonte a respeito. Essa observação deve chegar aonde possa ser percebida e considerada: ao mapa da questão no Omniforum e, se o autor ou o serviço usar nosso complemento, também a eles. Assim, quem recebe passa a participar. O Omniforum pretende ser o lugar em que conversas dispersas se conectam em um todo: pensamentos de diferentes declarações, suas fontes, argumentos e relações entre eles se reúnem em mapas da questão compartilhados. Mas as pessoas conversam em muitos lugares ao mesmo tempo: redes sociais, fóruns, comentários de artigos, listas de discussão e muitos outros espaços. Não queremos transferir todos para um único serviço. Queremos que a ajuda para a compreensão mútua esteja disponível onde quer que as pessoas queiram se entender e que o acervo do Omniforum também possa servir nesses lugares. Essa ajuda funciona nos dois sentidos. Da conversa para o Omniforum: o autor pode decompor sua própria declaração em moléculas e átomos, verificar se a interpretação proposta pelo modelo expressa sua intenção e levá-la conscientemente ao mapa compartilhado, e quem lê pode preparar uma interpretação da declaração de outra pessoa, identificada como interpretação de quem lê e associada à fonte. Do Omniforum para a conversa: a pedido do usuário, o complemento pode mostrar que aquela questão já foi discutida, quais argumentos e fontes foram apresentados antes e onde começa a divergência, para que a disputa não precise recomeçar do zero. Para isso, usa o Omnium (do latim, “de todos”), a base aberta do acervo público do Omniforum, por meio da OmniAPI, uma interface documentada para outras aplicações. Planejamos duas vias. A administração do serviço pode integrar o complemento, por exemplo, como um botão junto ao campo de declaração ou como um módulo incorporado; fazer isso ou não, e em que medida, depende exclusivamente de sua decisão. Onde o serviço não tiver esse complemento, deve funcionar uma extensão aberta do navegador. A extensão ajuda apenas a pessoa que a instalou, trabalha com o que essa pessoa vê e seleciona e não muda o serviço nem o que os outros usuários dele veem. Se o usuário quiser levar o resultado à conversa no serviço, faz isso por conta própria, segundo as regras desse serviço. Ferramentas de anotação existentes, como o Hypothesis, mostram que é possível trabalhar por meio de uma extensão e de integração com o site.[^hypothesis] O padrão aberto de anotação W3C, mencionado no capítulo 2, permite indicar tanto um trecho de texto quanto um intervalo de tempo em uma gravação.[^web-annotation] A divisão em moléculas e átomos e a confirmação da intenção continuam sendo uma tarefa própria do nosso projeto. Funcionamento proposto para o complemento: 1. O usuário seleciona o texto e vê que trecho será lido, por qual modelo e onde. 2. Recebe uma proposta privada de análise, que pode corrigir ou rejeitar. 3. Pode copiar o resultado, guardá-lo em particular ou preparar sua publicação no Omniforum. 4. Antes da publicação, vê a fonte, a autoria da análise, os direitos sobre o material, o escopo de visibilidade e eventuais dados de outras pessoas. 5. Decide separadamente sobre a participação no conjunto de pesquisa e sobre o uso para treinamento de modelos. A integração do complemento pela administração do serviço não substitui a decisão do usuário de enviar o conteúdo. A extensão pede as permissões mais restritas possíveis e não envia, em segundo plano, o histórico de navegação, a caixa de correio inteira nem o conteúdo de conversas vizinhas; por padrão, analisa apenas o material selecionado. A busca por conversas anteriores sobre determinada questão também é iniciada pelo próprio usuário. As declarações de conversas privadas também dizem respeito a outras pessoas, por isso, antes de levar qualquer coisa para fora dessa conversa, o complemento deve lembrar isso claramente. Um modelo local pode ser uma das opções, se a qualidade e os requisitos de equipamento permitirem. O Omniforum pretende ser um projeto comunitário: seu acervo nasce do que as próprias pessoas trazem para ele. Não planejamos coletar automaticamente declarações da internet para decompô-las em moléculas e átomos sem o conhecimento dos autores, nem construir perfis de pessoas a partir delas. O fato de um texto estar disponível na internet não determina o direito de voltar a compartilhá-lo, de usá-lo para criar perfis ou para treinar modelos. Só consideraríamos a análise automática de declarações de outro serviço se esse serviço a permitisse e cada autor cujas declarações fossem envolvidas tivesse concordado previamente. Qualquer pessoa pode, no entanto, trazer à conversa um documento ou uma declaração pública e discuti-los com referência à fonte, na medida adequada e sem atribuir ao autor aprovação da análise. ## 5. Questões, seus mapas e a narrativa de uma ideia Das moléculas surgem conjuntos maiores. As moléculas se conectam por relações: fundamentação, ressalva, condição, exemplo e consequência prevista. Chamamos de cadeia uma sequência de moléculas em que as premissas levam a uma conclusão; em cada passagem, registramos em que regra ela se apoia, quais pressupostos assume e onde tem lacunas. O mapa da questão reúne cadeias de diferentes pessoas, inclusive contraditórias entre si. Na questão das árvores na nossa rua, uma cadeia pode partir da sombra e do frescor nos dias quentes para concluir que vale a pena plantá-las, e outra, dos custos de rega e das raízes sob a calçada para concluir que arbustos seriam melhores. Quando a mesma palavra significa coisas diferentes para as pessoas que conversam, registramos isso como átomos separados com o mesmo rótulo, o que torna imediatamente visível a origem do mal-entendido. Cada relação pode ser uma proposta a verificar, e a semelhança das palavras ajuda a buscar conexões, mas não prova que dois pensamentos significam a mesma coisa nem que um decorre do outro. O mapa permite ver rapidamente do que trata a conversa e chegar à declaração original a qualquer momento. Seu resumo, isto é, a síntese, mostra como o material foi selecionado, preserva posições minoritárias importantes e indica quais dados faltam. Não precisa reduzir a disputa a uma frase com a qual todos concordem: uma divergência descrita com honestidade é um fruto da conversa tão valioso quanto uma solução compartilhada. O mapa da questão se abre com calma: primeiro, uma conclusão principal com uma descrição breve de sua força e, abaixo dela, alguns caminhos de fundamentação para escolher. É possível expandir aquele que corresponde à própria dúvida, voltar ou encerrar; o restante do mapa continua à mão. Junto à conclusão, mostramos separadamente a força e a independência das evidências, o grau de fundamentação da própria conclusão e a amplitude da concordância com ela. A concordância total de participantes que se apoiam em um único relato não verificado ainda produz uma conclusão fraca. Ainda vamos desenvolver a escala dessas avaliações e testá-la no benchmark; não acrescentamos uma incerteza aparente a fatos bem estabelecidos. O manifesto (seção 5.1) divide a reflexão conjunta em fatos, valores e hipóteses. No Omniforum, isso corresponde à identificação da molécula: se trata de algo verificável, de uma necessidade ou valor, ou de uma hipótese. A ficha da ideia reúne essas identificações em seu status (funciona, projeto, hipótese, visão). Do mapa pode nascer uma narrativa da ideia: um guia acessível que conduz quem lê, passo a passo, pelo tema da pergunta, pelo que já foi estabelecido em conjunto, pelas diferenças existentes, por suas bases e pelo que poderia mudar a avaliação. Uma boa narrativa oferece um momento de encerramento: fica claro o que foi estabelecido e onde a divergência continua. Quando surge uma nova fonte, muda uma condição importante ou aparece um erro, a conversa pode ser reaberta de forma clara. Cada mudança fica no histórico. Unir, dividir e retirar moléculas e átomos preserva as referências e as versões anteriores, permitindo reconstruir como surgiu a forma atual do mapa. Quando uma fonte muda, marcamos as análises que se apoiam nela como necessitando de revisão, em vez de mudar seu significado silenciosamente. Quando várias publicações repetem a mesma notícia original, indicamos isso, e, quando não é possível determinar a origem, escrevemos que ela é indeterminada. A correção de uma fonte indica as análises que precisam ser verificadas novamente; não invalida automaticamente conclusões inteiras nem interpretações diferentes. ### 5.1. A questão como ponto de retorno a uma pergunta Uma questão é uma pergunta ou um assunto ao qual alguém quer voltar porque deseja compreender, comparar ou fazer algo em conjunto. A molécula continua sendo um pensamento individual, enquanto a questão reúne em torno de uma necessidade muitas moléculas, cadeias, fontes e documentos. Uma questão pode ser uma pergunta pública, por exemplo, sobre as árvores na rua, mas também uma pergunta pessoal, como preparar-se para a próxima conversa com o banco: é possível acrescentar documentos, respostas anteriores e novas dúvidas. O link permanente da questão leva a tudo o que diz respeito a ela: a pergunta, o contexto, as fontes, os argumentos, o estado atual do conhecimento e o histórico de mudanças. Em cada assunto, indicamos se se trata de um acontecimento, uma suposição, uma escolha de valores ou um plano, a que período e condições se refere e em que se apoia sua avaliação. Uma votação pode mostrar uma decisão ou as posições dos participantes, mas são as fontes e a verificação que determinam a veracidade das afirmações, e não o número de votos. Registrar uma pergunta ainda não é uma decisão de agir. Quando alguém assume uma tarefa, estabelecemos separadamente quem responde por ela, qual é o próximo passo e o que esperamos. O adiamento ou a recusa deixa uma justificativa e um caminho para voltar ao tema. O participante escolhe quem vê sua questão: aquilo em que trabalha em particular na Suveria permanece separado do material que compartilhar conscientemente no Omniforum. Uma questão privada é conduzida na Suveria; só chega ao Omniforum quando o autor a compartilha com um grupo ou publicamente. O registro compartilhado de questões é uma direção que verificaremos em um projeto e um teste separados. ### 5.2. Ficha da ideia: da imagem do futuro ao primeiro teste É fácil descartar visões ousadas como desconectadas da realidade e planos cautelosos como desprovidos de objetivo. A ficha da ideia une uma coisa à outra: mostra aonde queremos chegar e qual é o próximo passo. Informa o status da ideia (“funciona”, “projeto”, “hipótese” ou “visão”) e responde a oito perguntas: 1. **O que é?** Definição, limites do conceito e modo de reconhecer o resultado esperado. 2. **Para quê?** Quais necessidades e de quem satisfaz, como protege a dignidade e como é um dia comum de quem a utiliza. 3. **Por quê?** O problema no mundo de hoje, descrito com fatos e fontes. 4. **Como e com o quê?** O mecanismo, os recursos existentes que podem ser aproveitados em vez de construídos do zero e o próximo passo. 5. **O que precisaria mudar?** Condições técnicas, jurídicas e econômicas e convicções: quais aceitamos amplamente hoje e quais seriam necessárias. 6. **Qual é o balanço e quais são os outros caminhos?** Quem ganha, quem arca com os custos e os riscos da transição e quais são as alternativas razoáveis. 7. **Qual teste?** O que verificaremos primeiro, com a participação das pessoas que se beneficiarão, das que arcarão com os custos e daquelas a quem a solução não atende, e que resultado nos levará a mudar de opinião. 8. **Algo parecido já aconteceu?** Transformações que antes pareciam impossíveis, junto com o que as tornou possíveis e as diferenças em relação à nossa situação. Um exemplo semelhante mostra que esse caminho é possível, mas não prova que teremos sucesso. A ficha não é uma única molécula, mas uma visualização de muitos conceitos, afirmações, fontes, condições e testes interligados. As fichas podem ser conectadas em um percurso mais longo; nesse caso, mostramos os recursos compartilhados e as dependências e testamos um trecho escolhido por inteiro, porque confirmar as partes individuais ainda não confirma o percurso completo. As perguntas sobre o objetivo, o modo e as mudanças necessárias correspondem aos três critérios das “utopias reais” de Erik Olin Wright: se a solução é desejável, se pode funcionar e se é possível chegar a ela.[^wright] O histórico da ficha mostra como a ponte entre a visão e a realidade ganhou novos vãos. As primeiras fichas devem ser as ideias do manifesto da fundação. ### 5.3. Da questão à iniciativa Quando a conversa sobre uma questão leva a um entendimento compartilhado sobre o que vale a pena fazer, é possível criar, com base nele, uma iniciativa, isto é, uma proposta de ação concreta. A iniciativa nasce do mapa da questão e da ficha da ideia e, por isso, preserva os links para as moléculas, cadeias e fontes em que se apoia. Seu núcleo é um objetivo claramente descrito, as condições, a ação proposta e a forma de verificar se produziu o efeito esperado. Antes de chegar a uma decisão sobre dinheiro compartilhado, precisa da via verde da seção 5.3 do manifesto: apoio nos fatos e concordância da comunidade quanto aos valores em que se sustenta. A iniciativa passa por decisões separadas: primeiro, uma conversa sobre o objetivo e as opções possíveis; depois, a decisão de se essa versão merece mais trabalho; em seguida, o orçamento estimado e a avaliação de viabilidade; e, por fim, a decisão sobre a execução e a fonte de financiamento. A concordância quanto ao objetivo ainda não determina o custo, os executores nem o prazo. Uma mudança importante no objetivo, no escopo ou no orçamento cria uma nova versão da iniciativa e renova as decisões que ela afeta. Até haver votação vinculante, a diretoria toma essas decisões depois de consultas, na fase ágil descrita no capítulo 8. Uma iniciativa pode ser financiada de duas maneiras. A fundação pode pagá-la com o orçamento compartilhado, segundo as regras do [whitepaper dos princípios da fundação](whitepaper-zasady-fundacji.md) e sempre com prioridade para o Pilar I. Ela também pode ser aberta ao apoio de doadores: uma pessoa ou empresa que queira ver a iniciativa realizada cobre seu custo integral com uma contribuição de destinação específica. A contribuição não dá votos adicionais nem influência sobre as decisões da fundação. Nos dois casos, a fundação executa a iniciativa e responde por ela; não planejamos financiar projetos conduzidos por pessoas e entidades de fora da fundação. Uma iniciativa aceita para execução tem executores responsáveis, orçamento, prazo e critérios de aceitação. Após sua conclusão, publicamos o custo real, o resultado e as lições aprendidas, inclusive quando o teste não tiver sucesso. ### 5.4. Perguntas recorrentes e uma posição compartilhada Pessoas, equipes e instituições costumam receber as mesmas perguntas e objeções em muitos lugares ao mesmo tempo. O painel em projeto permite respondê-las uma vez, de forma organizada: conecta a posição aprovada pelo autor às perguntas, aos argumentos e às fontes a que se refere. A visualização mostra principalmente o conteúdo e o que há de novo nas objeções, porque o número de repetições não indica a importância de uma objeção. O complemento descrito no capítulo 4 pode propor associar um comentário a essa resposta. A correspondência automática é claramente identificada e pode ser corrigida; o autor do comentário vê com o que ele foi associado e pode informar: “minha observação trata de outra coisa”. Um novo argumento ganha seu próprio lugar, mesmo que se pareça com um anterior. O fato de o autor ter respondido ainda não significa que sua resposta convenceu as pessoas na conversa. O painel apresenta apenas a posição confirmada pelo autor: uma resposta preparada pelo modelo precisa ser aprovada antes de começar a representá-lo. Quem acompanha o tópico pode escolher ser notificado de uma nova resposta. Queremos mostrar no site da fundação um exemplo desse uso, com uma declaração de anos atrás e uma mudança de opinião posterior. ### 5.5. Documentos vivos e revisão pública Queremos usar essas mesmas ferramentas nos próprios documentos da fundação, como o manifesto e os whitepapers. Elas devem ajudar a agrupar observações repetidas, preservando as diferenças, o contexto e as experiências de seus autores. Conectamos cada ressalva a um trecho específico do texto, para que seja possível verificar a resposta, acrescentar um novo argumento e acompanhar a origem da correção. Assim, mesmo uma grande onda de críticas pode se transformar em melhorias concretas, em vez de sobrecarregar os autores. A versão atual de um documento apresenta a posição atual de seus autores. O histórico preserva as formulações anteriores, os motivos das mudanças e os compromissos assumidos, de modo que as ações possam ser avaliadas à luz do que foi declarado em cada período. Uma nova redação permite corrigir erros, mas não afasta a responsabilidade por decisões anteriores. Começamos pelo nosso próprio site. Em novusignis.org, junto ao manifesto e aos whitepapers, é possível selecionar um trecho e, com um clique, preparar um e-mail para nós com uma observação, já incluindo a citação e o link para aquele lugar. É um primeiro passo simples: a mensagem chega apenas à fundação e não dá origem a uma conversa pública. No futuro, as observações sobre nossos documentos devem chegar ao Omniforum, onde outras pessoas poderão vê-las e conversar sobre elas. Registramos no histórico do documento as observações que levarem a mudanças. ### 5.6. O Cânone Pessoal na conversa sobre valores O Cânone Pessoal é um conjunto de princípios que uma pessoa reconhece como seus. Surge no espaço privado da Suveria, e só chegam ao Omniforum os princípios que alguém compartilhar conscientemente. Chamamos de Principium a adoção de um princípio como próprio. Isso pode acontecer em qualquer etapa descrita no capítulo 3: em um pensamento recém-compartilhado (Ignis), durante a reflexão da comunidade (Formatio) ou depois de um entendimento compartilhado (Consensus). O Principium tem lugar no cânone mesmo quando continua sendo uma opinião divergente em relação à maioria. Os cânones podem ser maiores ou menores, estar contidos uns nos outros e se sobrepor parcialmente. Além de um cânone pessoal, pode existir um cânone de uma comunidade ou uma descrição dos princípios de determinada tradição, e sua comparação mostra onde se encontram e onde não há concordância. Distinguimos os princípios adotados como ponto de partida das conclusões cujas premissas e cadeia de raciocínio estão visíveis. A falta de fundamentação ou uma passagem contestada não invalida um princípio, apenas indica um ponto para reflexão adicional. Os fatos em que o princípio se apoia vêm do mapa e de suas fontes; a adoção no cânone não determina sua veracidade. O cânone não serve para avaliar pessoas. Pode, no entanto, ter um nível descritivo de elaboração: inicial (contém pelo menos um Principium adotado conscientemente), descrito (sabe-se exatamente o que adota e o que ainda não resolve), ancorado (seus princípios estão ligados ao mapa da questão e sua origem é visível) ou analisado (foram examinados os fundamentos, os contra-argumentos e as tensões entre os princípios). Mostramos separadamente em que medida os princípios têm um entendimento compartilhado. Uma versão específica do cânone pode ser identificada como publicamente madura segundo uma lista aberta de condições: quando está analisada, seus princípios têm um entendimento compartilhado e sua coerência mútua foi verificada; o status continua aberto à revisão. Junto à identificação, indicamos a versão do cânone, a comunidade que o avaliou, a data e o escopo da concordância. O nível do cânone ajuda a encontrar pontos para reflexão adicional, mas não avalia seu autor e não afeta o direito de adotar princípios, participar da conversa ou votar. ## 6. Um novo meio de explicação e conversa Assim como o YouTube deu origem aos youtubers e os podcasts aos podcasters, o Omniforum pode dar origem a um novo grupo de criadores. Como vão se chamar, provavelmente decidirão por conta própria; são pessoas que não apenas contam sobre o mundo, mas conduzem o público por uma questão passo a passo, das fontes aos argumentos e ao ponto em que começa a divergência. Seu trabalho não termina com a publicação. Cada passo dessa explicação está conectado a moléculas e fontes, de modo que quem acompanha pode parar em qualquer lugar, verificar como se sabe de algo e participar da conversa. Esse meio é, por natureza, uma conversa. A resposta não vai para o fim de uma longa lista de comentários, mas para o lugar exato a que se refere: uma molécula específica, uma passagem na cadeia ou uma fonte. Em torno desse lugar, pode acontecer um microdebate, isto é, uma troca breve e organizada de argumentos que termina com um estado claro: estabelecido, em disputa ou faltam dados. Quem cria pode responder, corrigir sua explicação ou indicar honestamente onde discorda, e quem acompanha vê a narrativa junto com as respostas apresentadas em cada passo. Qualquer pessoa também pode verificar como suas próprias opiniões se saem diante dos argumentos de outras pessoas: primeiro em particular na Suveria e depois, se quiser, publicamente. Essas explicações podem assumir formas diferentes. Um canal editorial pode preparar um percurso de leitura de um tratado, projeto de lei, contrato ou declaração pública e mostrar seus argumentos e possíveis efeitos. De um mapa da questão organizado podem nascer narrativas animadas e acessíveis, com narração em voz. Como sua base são moléculas e átomos interligados, e não gravações prontas, a narrativa pode ser atualizada com novas evidências e traduzida para outras línguas; queremos verificar juntos a fidelidade das traduções, e cada trecho da narrativa leva à sua fonte. Quem lê também pode comparar várias análises do mesmo material. A comunidade decidirá quando desenvolver narrativas animadas, conforme a seção 6.3 do manifesto. Uma boa explicação distingue o que está escrito no documento de sua interpretação, dos pressupostos da previsão e da avaliação. No caso de documentos jurídicos, informa o status do texto e a data, porque uma explicação, mesmo muito popular, não se torna uma interpretação vinculante do direito por ter sido publicada. Quando a inteligência digital sugere possíveis efeitos, cada sugestão leva a uma fundamentação e está sujeita à verificação humana. Esse meio tem algumas regras simples: as fontes ficam sempre visíveis, corrigir é fácil, todos têm direito de resposta, os conflitos de interesses são identificados e é possível comparar análises diferentes da mesma questão. Valorizamos tanto os autores das narrativas mais visíveis quanto as pessoas que corrigem conexões entre pensamentos, traduções e acessibilidade ou recuperam uma perspectiva omitida. O alcance de quem cria e o apoio recebido do público não provam que essa pessoa tem razão. A ordem em que mostramos o conteúdo tem regras abertas e pode ser alterada. Queremos testar várias ordens: cronológica, por perguntas, por contribuição documentada, isto é, pelo que uma publicação acrescenta ao mapa e em que se apoia, e não pelo número de publicações de seu autor, e por reconhecimento em diferentes grupos de opinião. Nesta última, um argumento aparece mais acima quando é aceito por pessoas que avaliam outras questões de formas diferentes. O sistema calcula os grupos de opinião a partir das próprias avaliações: ninguém os escolhe ou nomeia, ninguém pertence a eles e ninguém os administra. Assim, mil contas que avaliem da mesma forma não elevarão nada que ninguém fora delas reconheça. A eficácia dessa ordem foi testada até agora com centenas e milhares de participantes (Polis, Community Notes), por isso a testaremos quando a questão reunir esse volume de avaliações. Mostramos as declarações da caixa de entrada aberta, apresentadas sem conta e sem aval, em uma camada separada que qualquer pessoa pode escolher, e, em todas as ordens, depois das declarações de contas ou com aval (seção 8.1). Várias ordens lado a lado devem fazer com que o espaço inteiro não dependa de uma única classificação de popularidade. Queremos que a visibilidade acompanhe o que esclarece a questão, e não o que mais provoca emoções. Em primeiro plano, mostramos o conteúdo e a fonte com sua data. Não mantemos contadores públicos de contribuição nem classificações de pessoas, porque incentivam a competição e a inundação do mapa, inclusive por bots; o histórico de inclusão e mudanças continua disponível. Em um novo pensamento, é possível acompanhar como ele surgiu da colaboração entre uma pessoa e um modelo, na medida que o autor decidir mostrar. ## 7. Privacidade, citações e correções Cada pensamento pode estar em um de três lugares: no espaço privado da Suveria, em um grupo escolhido pela própria pessoa ou publicamente no Omniforum. O grupo escolhido pela própria pessoa define quem vê o material; não é um grupo de opinião do capítulo 6. Cada um desses lugares tem suas próprias permissões, e levar o pensamento adiante, por exemplo, da Suveria para o Omniforum, sempre exige uma confirmação explícita. Limitamos os dados de outras pessoas ao que é realmente necessário naquela questão. Não é preciso ter conta para ler, e também é possível participar da conversa sem conta (seção 8.1). Quem publica com uma conta pode usar um pseudônimo permanente. O autor responde pelo conteúdo da publicação, e, no caso de uma declaração apresentada por aval, quem a apresentou também responde por ela; descreveremos antes do lançamento as obrigações da fundação como operadora em relação às denúncias. Declarações originais, citações, comentários e análises preparadas por um modelo podem ter condições de uso diferentes. Por isso, em cada material, registramos de onde vem o direito de usá-lo e quais são suas restrições, em vez de atribuir uma licença aparentemente simples ao conjunto inteiro. Mudar a visibilidade, por exemplo, de privada para pública, não substitui a verificação de que temos direito ao material. As pessoas têm direito à privacidade mesmo quando outra pessoa as cita. Se alguém atribuir uma declaração a uma pessoa sem uma fonte pública, por exemplo, de uma conversa privada, a pessoa indicada como autora pode denunciar isso. Qualquer pessoa pode denunciar a falta de uma fonte pública, sem revelar sua identidade. Até o esclarecimento, essa declaração não fica visível publicamente. Se ficar demonstrado que é inventada ou vem de uma conversa privada sem o consentimento dessa pessoa, restringimos o acesso a ela. Só exigimos confirmação de que quem denuncia é realmente a pessoa envolvida quando ela quer corrigir as palavras que lhe foram atribuídas, para que ninguém possa corrigir as palavras de outra pessoa. É diferente no caso de declarações que têm uma fonte pública, como um artigo ou uma gravação de anos atrás. O original permanece, porque as pessoas respondem por suas palavras públicas e é possível discuti-las. O autor pode, no entanto, acrescentar uma retificação ou sua posição atual junto ao original, e quem lê verá as duas versões lado a lado: o que a pessoa disse naquela época e o que pensa agora. A pedido de quem lê, o complemento do capítulo 4 pode mostrar essa posição atual também junto a uma citação em um artigo fora do Omniforum. O direito de mudar de opinião não apaga o histórico, mas permite complementá-lo. O modelo pode avaliar abertamente uma questão de maneira diferente da posição compartilhada. Nesse caso, mostra a base da diferença e verifica se esse argumento já está no mapa. Se não estiver, propõe uma publicação identificada como uma proposta do modelo a verificar; nem sua publicação nem declarações semelhantes de outros modelos são evidência ou concordância da comunidade. Quando alguém retira seu material, nós o excluímos ou restringimos o acesso a ele nos sistemas sob nosso controle e identificamos as análises que se apoiavam nele. Não prometemos, porém, que desaparecerá de todos os lugares: cópias públicas, conjuntos de dados distribuídos e modelos já treinados exigem uma discussão separada. Estabelecemos as regras jurídicas e técnicas antes de começar a coletar materiais. Um pseudônimo ou um hash criptográfico, por si sós, não tornam os dados anônimos.[^rodo-2026] ### 7.1. Caderno privado na Suveria e publicação consciente Armazenamos os materiais privados segundo as regras do [whitepaper da Suveria](whitepaper-suveria.md): principalmente nos dispositivos do usuário, em contêineres criptografados, com uma cópia criptografada opcional no servidor. Só chega ao Omniforum aquilo que alguém escolhe conscientemente. Um pensamento aprimorado na oficina privada da Suveria é publicado diretamente, sem a oficina Ignis descrita no capítulo 3; o manifesto chama o próprio momento da publicação de Cerimônia Ignis. Após a publicação, valem as regras do espaço público ou do grupo escolhido, e o registro privado do original não dá controle sobre cópias que já possam ter sido feitas. ### 7.2. Portabilidade do acervo e OmniAPI Queremos desenvolver o Omniforum como um bem público digital: com código aberto, documentação e formatos de dados, tendo em vista o padrão da Digital Public Goods Alliance.[^dpga] Pela OmniAPI, outros programas podem ler e trocar materiais selecionados, mas apenas com o consentimento das pessoas a quem pertencem. O fato de a documentação da interface ser pública não abre acesso a dados privados. Qualquer pessoa pode levar seu acervo para outra ferramenta. O pacote de portabilidade contém as declarações originais com suas versões, os trechos indicados, as moléculas, os átomos com seus rótulos e as relações entre eles, a autoria, as fontes, a informação sobre quais interpretações o autor confirmou e as condições de uso. Graças aos identificadores e ao histórico de mudanças, é possível reconhecer os mesmos elementos após a importação, e a outra ferramenta deve mostrar a declaração original ao lado da molécula extraída dela, de sua fonte e de seu status de confirmação. As condições de uso registradas dizem o que é permitido, mas não obrigam um destinatário externo a respeitá-las. Exportar em particular, publicar, compartilhar para pesquisa e compartilhar para treinamento de modelos são quatro decisões separadas. ### 7.3. Fontes e anexos na conversa pública Gravações grandes não precisam ser armazenadas no Omniforum. Mantemos o mapa da questão e as descrições das fontes separados, enquanto o vídeo ou a gravação pode continuar com seu provedor. A referência registra então o endereço, o autor, a data de acesso e o trecho relevante da gravação, e junto a ela fica claro que dependemos de o provedor manter o material e de suas regras. Podemos preservar os materiais que temos permissão para armazenar no trecho necessário, como uma cópia da fonte ou como uma imagem leve com versão em texto. Em cada um, registramos a origem, a base para o uso, a versão e o hash criptográfico, isto é, uma espécie de impressão digital do arquivo que permite detectar que ele mudou. O hash confirma apenas que o arquivo é o mesmo, e não que seu conteúdo é confiável. Quando a fonte muda ou desaparece, isso fica visível nas afirmações que se apoiam nela. Escolheremos os formatos, os limites e os prazos de armazenamento para que sejam úteis, acessíveis, compatíveis com os direitos sobre os materiais e possíveis de custear. Antes da publicação, qualquer pessoa pode verificar quais cópias serão feitas e como tratamos correções e pedidos de exclusão. Essas regras dizem respeito ao acervo público e são distintas das regras dos contêineres privados e criptografados na Suveria. Antes do lançamento, descreveremos em que condições armazenamos cópias das fontes e disponibilizamos seus trechos a outras aplicações pela OmniAPI, respeitando os direitos autorais. ### 7.4. Abusos e conteúdo ilegal Uma conversa aberta a todos precisa de regras claras e públicas. No primeiro período, o Omniforum estará disponível por convite, e cada convite terá seu autor visível. Ninguém aprova as declarações antes da publicação. A moderação atua depois da publicação, segundo uma lista breve e pública de motivos: spam, assédio, falsidade de identidade, distorção organizada dos mapas, dados de terceiros sem seu consentimento e conteúdo ilegal. Publicaremos as regras de moderação e de limitação de abusos antes da primeira questão, e não apenas na primeira disputa. Enquanto a moderação for feita por voluntários, sua lista será pública. Qualquer pessoa poderá denunciar conteúdo ilegal. Cada restrição, por exemplo, ocultação ou exclusão, tem a autoria da decisão, uma justificativa e uma via de recurso, conforme o Regulamento dos Serviços Digitais da União Europeia. A justificativa fica registrada e visível para o autor da declaração e em um registro público, e o recurso é examinado por uma pessoa sem ligação com a questão, diferente de quem aplicou a restrição. A detecção automática só pode sinalizar conteúdos suspeitos, e uma pessoa toma a decisão. Também ocultamos o conteúdo ilegal no histórico de versões, deixando um registro público de que foi ocultado e por quê. Antes do lançamento público dos serviços, verificaremos e cumpriremos as obrigações da operadora: avaliação de impacto sobre a proteção de dados, procedimento de denúncia de conteúdo e ponto de contato segundo o Regulamento dos Serviços Digitais, informação de que a conversa ocorre com um sistema e identificação de conteúdo preparado pelo modelo segundo o Regulamento de Inteligência Artificial, termos de uso com direito de arrependimento e apuração do IVA. Publicamos os resultados no registro de decisões. ## 8. Decisões e votações em conjunto Este capítulo trata de como tomar decisões em conjunto e construir uma votação em que se possa confiar. É uma das partes mais difíceis de todo o projeto, por isso escrevemos abertamente o que parece estar ao nosso alcance e o que exigirá um longo trabalho. Algumas coisas estão ao nosso alcance desde o início: conversa aberta a todos, consultas sem verificação dos participantes, regras públicas anunciadas antes da votação e um registro de decisões com justificativas. Três questões mais difíceis impõem limites umas às outras. Primeiro, cada pessoa habilitada deveria ter exatamente um voto, mas não queremos coletar dados biométricos nem criar uma base central de identidades para isso. Segundo, a escolha deve continuar secreta e, ao mesmo tempo, cada pessoa deveria poder verificar se seu voto foi contado, sem gerar uma prova que permitisse a outra pessoa conhecer sua escolha. Terceiro, a votação deve ser acessível a pessoas do mundo inteiro, inclusive às que não têm um documento de fácil uso, e cada via adicional de acesso também abre um caminho para abusos. A isso se somam a pressão e a compra de votos, além da pergunta sobre a partir de quando o resultado pode realmente vincular a fundação. Percorremos essas questões uma a uma: - quem pode conversar e quem pode votar (8.1); - o que as provas de conhecimento zero oferecem e o que não oferecem (8.2); - por quais vias é possível obter o direito de voto (8.3); - quem decide em questões difíceis (8.4); - a partir de quando a votação é vinculante (8.5); - como se proteger da coerção e da compra de votos (8.6); - quando o resultado pode ser suspenso e como tratamos as pessoas a quem o sistema não atende (8.7). Independentemente de como resolvermos esses dilemas, alguns princípios valem sempre. A conversa organizada prepara a decisão, mas não a substitui: publicar um pensamento, confirmar seu significado, apoiar uma ideia e votar sobre uma despesa são passos separados. Antes de cada votação, anunciamos a pergunta, a lista de pessoas habilitadas, o prazo, as regras para mudar o voto, o modo de contar o resultado e o limite mínimo de validade, além do que acontece em caso de abstenção, empate ou falha e de como recorrer. A ausência de voto não é concordância. Uma proposta de despesa exige a via verde da seção 5.3 do manifesto, e estabelecemos previamente o limite de concordância conforme a importância da questão, a dimensão da despesa e a possibilidade de reverter seus efeitos. Ao lado do resultado geral, mostramos como a questão é avaliada por pesquisadores e profissionais da área e pelas pessoas que sentirão seus efeitos, com base nas informações que os próprios participantes decidirem fornecer, separadamente do voto secreto e apenas em grupos grandes o suficiente para que não seja possível deduzir a escolha de ninguém. Quem tem menos tempo recebe as fontes e um resumo claro com antecedência suficiente para conseguir conhecê-los. A pergunta submetida à votação nasce da iniciativa (5.3): é proposta por quem apresenta a iniciativa, e a redação da ficha fica aberta a observações durante um período anunciado. Anunciamos previamente o limite de apoio necessário para haver votação. ### 8.1. Conversa para todos, voto vinculante após a adesão No Omniforum, qualquer pessoa pode se manifestar, trazer argumentos e descrever como a decisão afetará sua vida, mesmo sem qualquer vínculo com a fundação. Um argumento novo e bom pode fazer a conversa avançar independentemente de quem o trouxe. Qualquer pessoa também pode participar de consultas, isto é, perguntas de opinião sem verificação dos participantes. Uma consulta mostra o que os participantes pensam, mas não é uma votação nos termos do estatuto da fundação, que exige, nas votações, a confirmação de que cada votante é uma pessoa única (§ 8(2)). Sem verificação, o resultado pode ser distorcido pelo fato de alguém ter várias contas, por isso o tratamos como uma contribuição à conversa, e não como uma medição. Quem quer votar de forma vinculante sobre os recursos compartilhados adere voluntária e gratuitamente à comunidade decisória, segundo critérios públicos: manifesta que quer participar e obtém a habilitação pela via de verificação escolhida. Qualquer pessoa pode ler, sem conta. Há três formas de participar da conversa. Com uma conta: nesse caso, a declaração tem autor, e a conta tem um limite público de frequência. Sem conta, pelo aval de uma declaração: um participante com conta apresenta a declaração de outra pessoa, aparece junto a ela como quem a apresentou e responde por ela como se fosse sua; o autor continua sem conta e pode ser identificado pelo nome ou ficar sem identificação. Sem conta, pela caixa de entrada aberta: a declaração chega à camada “sem aval”, visível para qualquer pessoa que a escolher e exibida, na ordem de visibilidade, depois das declarações com aval; qualquer participante com conta pode, em um movimento, dar seu aval e levá-la à conversa. A caixa de entrada aberta tem um limite de frequência e, se for inundada por spam automático, pode ser fechada temporariamente, o que anunciamos com data e motivo. Não usamos captcha nem aprovamos declarações antes da publicação. Nenhuma das vias sem conta dá direito de voto em uma votação. No primeiro período, em que o Omniforum está disponível por convite (seção 7.4), é possível participar sem conta pelo aval de uma declaração; abriremos a caixa de entrada aberta quando ampliarmos o acesso ao Omniforum. As duas vias sem conta são um projeto que verificaremos no primeiro teste. É possível criar uma conta de várias formas, desde uma totalmente privada (chave no próprio dispositivo, sem endereço de e-mail) até formas convenientes (entrada por um provedor externo). Em cada forma, mostramos antes da escolha quem, além da fundação, fica sabendo da criação da conta, quais dados vê e o que acontece se esse provedor desaparecer. A forma de criar a conta não afeta os direitos do participante; o direito de voto é uma credencial separada, acrescentada à conta. Buscamos que cada pessoa tenha um único voto efetivo e que sua escolha continue secreta. Para cada via admitida e também para sua combinação, descrevemos como é protegida e quais são suas limitações conhecidas. Ninguém recebe mais votos por uma contribuição financeira, patrimônio, cargo ocupado ou número de tarefas realizadas. Se não aceitarmos alguém, fornecemos uma justificativa e uma via de recurso. ### 8.2. O que as provas de conhecimento zero oferecem As provas de conhecimento zero permitem demonstrar que alguém pertence ao grupo de pessoas habilitadas sem revelar quem é. No protocolo Semaphore, também permitem detectar que a mesma habilitação foi usada pela segunda vez em uma votação.[^semaphore] Não verificam, porém, se uma pessoa recebeu duas habilitações diferentes: isso precisa ser controlado pela via de verificação. A privacidade de toda a votação também depende do cadastro, da aplicação, do dispositivo, dos metadados e do modo de contar os votos, e não apenas da prova em si. Estamos projetando uma forma de cada pessoa verificar se seu voto foi contado sem gerar uma prova da qual outra pessoa possa deduzir sua escolha. Nenhuma solução técnica isolada substitui a verificação de todo o processo. ### 8.3. Vias para o voto vinculante Estamos projetando várias vias para o direito de voto, e nenhuma exige biometria. A primeira usa um documento estatal com chip ou uma carteira de identidade digital, desde que o sistema escolhido permita confirmar a habilitação sem transmitir dados protegidos à fundação. Queremos investigar a leitura do chip do passaporte ou do documento de identidade diretamente no celular: a aplicação verifica a assinatura do Estado e cria no dispositivo uma prova de conhecimento zero, sem se conectar aos servidores dos órgãos públicos e sem transmitir dados pessoais à fundação. O documento nunca é usado para entrar na Suveria nem para descriptografar dados nela, e a resposta do sistema não revela a terceiros se determinado documento já foi usado. Ainda é preciso verificar se as carteiras de identidade digital darão à fundação um pseudônimo permanente atribuído exclusivamente a ela, que não possa ser associado a outros serviços; só esse tipo permite detectar um segundo cadastro da mesma pessoa. Sem essa possibilidade ou uma prova produzida no celular do usuário, não basearemos nelas o voto vinculante. A primeira via oficial para o direito de voto deverá ser a carteira europeia de identidade digital, porque permite confirmar a habilitação remotamente, de casa, sem transmitir dados protegidos à fundação. Isso significa que, no início, só poderão votar de forma vinculante as pessoas que tiverem essa carteira, isto é, residentes dos países da União Europeia, à medida que os países as disponibilizarem. Para pessoas de outros países, a conversa e as consultas estão abertas desde o início, e acrescentaremos uma via para o voto quando encontrarmos um modo sem biometria e sem base central; até lá, dizemos claramente que a comunidade decisória ainda não é mundial. A leitura do chip do documento pelo celular, descrita acima, é outra via que queremos investigar. Sempre que possível, derivamos o marcador de habilitação de uso único de um identificador permanente da pessoa, e não do número do documento, para que um novo passaporte, documento de identidade ou carteira da mesma pessoa não dê outro voto. Nem todo documento contém esse identificador, e um número com um conjunto pequeno de valores possíveis, como o PESEL polonês, poderia ser descoberto testando todas as possibilidades. Por isso, o marcador também deve depender de um componente secreto dividido entre partes independentes ou se apoiar na assinatura do próprio chip; levamos isso em conta no modelo de ameaças antes de escolher a tecnologia. O marcador deve funcionar apenas em um contexto de cadastro e período específicos: permite detectar que alguém está se cadastrando pela segunda vez, mas não revela o identificador permanente nem um hash dele que seja fácil de descobrir, não pode servir como identificador comum em serviços diferentes e não permite associar a pessoa a seu voto. Para a solução escolhida, verificaremos quem poderia reconhecer uma pessoa ou conectar suas ações e o que acontece ao reutilizar o mesmo documento, renová-lo, trocar de carteira, reemitir a credencial e recuperar o acesso. A segunda via são encontros presenciais realizados simultaneamente em muitos lugares. Suas regras devem dificultar que uma pessoa reúna várias habilitações no mesmo ciclo e permitir verificar se a organização emite habilitações para pessoas que realmente compareceram. Também verificamos o que dificulta a participação de quem tem dificuldade para chegar a um encontro. A combinação das vias mantém o risco de a mesma pessoa obter habilitações adicionais, por exemplo, por ter várias cidadanias ou usar tanto um documento quanto um encontro. No início, aceitamos esse risco conscientemente para que o maior número possível de pessoas possa aderir sem biometria e, com o tempo, por meio de novas vias, também pessoas de fora da União Europeia. O objetivo continua sendo um sistema unificado em que uma pessoa tem um voto, e é nessa direção que avançamos. Escolhemos vias destinadas a fazer com que cada habilitação adicional exija mais tempo, esforço e dinheiro do que simplesmente criar contas pela internet. Avaliaremos nos testes se essa barreira funciona e quanto a acessibilidade ganha com ela, por isso não indicamos de antemão quantos votos adicionais podem surgir. Antes que os resultados se tornem vinculantes, mostraremos aos participantes as limitações conhecidas, os resultados dos testes e as regras de resposta a abusos, e ajustaremos o escopo das decisões a essa avaliação. Avais, convites e testes pela internet, por si sós, não dão direito ao voto vinculante; bastam para a conversa e as consultas. Publicamos dados agregados sobre a frequência de uso de cada via e o que sua verificação mostrou, protegendo a privacidade. O número de credenciais emitidas, porém, não informa quantas pessoas únicas existem. Também observamos por que desistem as pessoas que não conseguiram entrar no registro. Tudo o que é necessário para votar é gratuito. A parte gratuita da Suveria basta para guardar a credencial; não é preciso contribuir com dinheiro nem usar funções pagas. Cada pessoa guarda sua credencial de direito de voto em seu próprio espaço privado da Suveria, separado da cédula de votação e do conteúdo privado. Antes de cada decisão, anunciamos quando fechamos o registro e por quanto tempo é preciso ter a habilitação para votar. Isso dificulta a inclusão repentina de participantes pouco antes da votação, embora não proteja contra habilitações preparadas muito antes. Quem recupera o acesso mantém seu tempo de participação e uma única habilitação efetiva. Antes de votar, cada pessoa vê um resumo breve e acessível das principais posições, ressalvas e fontes e pode entrar no mapa da questão completo. O resumo mostra o escopo da decisão, os principais entendimentos, as fontes, as diferenças importantes de avaliação e os limites do conhecimento, e cada ponto pode ser expandido. Deve permitir decidir com a incerteza nomeada, e não prometer um resultado correto. Publicamos o resumo com antecedência, e as partes da disputa podem informar que sua posição foi omitida ou distorcida; nesse caso, mostramos ao lado sua própria apresentação breve. É uma ajuda para uma escolha consciente, e não um exame nem um teste de compreensão; qualquer pessoa pode ver de onde vem o resumo e em que versão está, além de apontar uma perspectiva omitida. ### 8.4. Quem decide em questões difíceis Em questões difíceis, propomos três passos. Primeiro, um mapa da questão aberto no Omniforum, do qual qualquer pessoa pode participar. Depois, uma assembleia consultiva sorteada: um grupo de pessoas escolhidas por sorteio que recebe tempo, materiais e a possibilidade de conversar com os autores das propostas. Por fim, todas as pessoas habilitadas votam. O sorteio é feito a partir do registro de pessoas habilitadas, usando uma aleatoriedade pública que qualquer pessoa pode verificar. Se a própria assembleia fosse tomar decisões vinculantes, precisaria de uma autorização separada e limitada para isso. Também podemos usar uma amostra aleatória em pesquisas consultivas. Voluntários que se apresentam por conta própria não formam uma amostra representativa, e um sorteio a partir do registro mostra a opinião dessa comunidade, e não de toda a humanidade. Também levamos em conta quem recusou participar. ### 8.5. A partir de quando a votação é vinculante A votação ganhará força vinculante gradualmente. Começaremos com testes sem efeitos financeiros, depois passaremos a decisões reais sobre um montante pequeno e separado e sobre ações que possam ser revertidas, e só ampliaremos o escopo depois de verificar os resultados e as proteções. As primeiras consultas serão um teste, sem efeitos sobre o funcionamento da fundação, e seu tema será escolhido pelos participantes convidados. Antes do primeiro teste com dinheiro real, anunciamos o valor máximo envolvido, o resultado que o interrompe e a via de recurso contra a suspensão do resultado a pessoas independentes da diretoria. Cerca de mil pessoas verificadas é a escala em que queremos testar o cadastro e o tratamento de erros; esse número ainda não prova que os participantes sejam únicos nem que representem uma comunidade mais ampla. Antes que a próxima etapa passe a ser vinculante, anunciamos aos participantes o escopo das decisões, os limites, os patamares, o modo de apresentar ressalvas e como executaremos o resultado, e o sistema passa por testes de cadastro, contagem de votos, recuperação de habilitações e resistência a abusos. Também verificamos se o escopo das decisões está de acordo com o estatuto atual e com a lei e estabelecemos quem executará o resultado e como. Para que o resultado vincule formalmente a fundação, é necessária uma alteração do estatuto, descrita no registro de alterações do estatuto como Z4 (votações e consultas, § 8 do estatuto). Enquanto o teste não confirmar que cada votante é uma pessoa única, nós o chamamos de consulta, e não de votação nos termos do § 8(2) do estatuto. Avaliamos se os votantes são pessoas únicas separadamente de avaliar se contamos corretamente as credenciais. Até lá, a fundação atua na fase ágil descrita no [whitepaper dos princípios da fundação](whitepaper-zasady-fundacji.md): os resultados das votações e consultas são formalmente consultivos, e a diretoria avança para decisões vinculantes da comunidade por meio de testes sucessivos, anunciando previamente em que medida executará o resultado e publicando um resumo após cada teste. O lançamento pleno dos demais pilares (II: projetos abertos de objetos duráveis, III: contato com a natureza) continua exigindo as três condições conjuntas da seção 6.3 do manifesto: uma votação que assegure um único voto efetivo da mesma pessoa, recursos para seis meses de manutenção da Suveria e do Omniforum e uma decisão da comunidade. Só consideraremos cumprida a primeira delas, um único voto efetivo da mesma pessoa habilitada, quando as vias que admitem votos adicionais forem substituídas por um sistema unificado em que uma pessoa tem um voto e os testes confirmarem isso. Pode levar muito tempo, e dizemos isso claramente. ### 8.6. Coerção e compra de votos Queremos que cada pessoa possa mudar sua escolha até o fim da votação e que seja contado o último voto válido dado conforme as regras. Isso pode dificultar a compra de votos: quem pagou ou pressionou não sabe se a pessoa que votou mudou de opinião depois e não consegue verificar isso. Para funcionar, o protocolo inteiro precisa ser construído adequadamente; o botão de mudar o voto, por si só, não basta. Uma das referências é o protocolo MACI, mas ele tem seus próprios pressupostos: o coordenador pode descriptografar os votos individuais, e a resistência ao conluio depende de sua honestidade.[^maci] Se baseássemos a votação em um modelo semelhante, uma chave dividida entre partes independentes substituiria o coordenador único, para que a fundação sozinha não pudesse ler um voto individual. Isso não protege contra alguém que controle o dispositivo, a habilitação ou a própria pessoa que vota até o encerramento da votação; levamos essas situações em conta nos testes e na descrição das limitações. Também verificamos se é possível associar o voto à pessoa pelos metadados e o que acontece quando alguém perde o dispositivo. ### 8.7. Suspensão do resultado e teste de dignidade A diretoria só pode suspender a execução do resultado por motivos anunciados antes da votação, por exemplo, ao detectar um erro no protocolo, um abuso documentado em grande escala ou uma falha de infraestrutura. Cada suspensão tem uma justificativa pública e um prazo para reavaliação. Sem essas condições, o anúncio de uma votação vinculante deixaria à diretoria um veto discricionário, e não queremos isso. O teste mais difícil de todo o sistema é como trata a pessoa que não tem um documento de fácil uso, foi rejeitada por erro ou apresenta críticas incômodas. A recusa do cadastro nunca é definitiva nem tomada apenas de forma automática: qualquer pessoa pode recorrer a pessoas independentes da questão, preservando sua privacidade. Ninguém perde o direito de voto por suas opiniões nem por criticar a fundação e a diretoria. Quem não pode usar nenhuma via para o voto vinculante continua participando plenamente da conversa e das consultas, e buscamos novas vias para essa pessoa. No registro de decisões, anotamos as opções consideradas, os motivos da escolha, as opiniões divergentes, o orçamento e os efeitos posteriores, e as lições deles retornam ao mapa da questão. O [whitepaper dos princípios da fundação](whitepaper-zasady-fundacji.md) descreve quem responde pelo quê na execução das decisões e nas questões jurídicas. ## 9. Como verificaremos se o Omniforum ajuda Tudo o que descrevemos acima é um projeto. Antes de construir o conjunto, queremos verificar em pequenos passos se o Omniforum realmente ajuda as pessoas a se compreenderem melhor. Começamos pelo uso mais simples e só acrescentamos os seguintes quando o anterior passa no teste. O primeiro passo é o percurso completo de um pensamento. Alguém escreve seu próprio texto, a inteligência digital propõe como decompô-lo em moléculas e átomos, o autor corrige o que foi mal compreendido e salva o resultado junto com a fonte. Mais tarde, volta, abre o registro e o usa em outra conversa. Verificamos se nada se perdeu pelo caminho: a formulação exata do original, seu significado, as versões sucessivas e quem tem acesso a quê. Nesse teste, também verificamos erros de interpretação que o próprio modelo não sinalizou e comparamos o resultado com o texto por si só e com um resumo comum. Reabrir o registro não deveria exigir uma nova análise paga apenas para recuperar o resultado anterior. Os próximos passos são um complemento simples para uma plataforma em que as pessoas já conversam, depois o trabalho conjunto de um pequeno grupo sobre uma questão, em seguida uma narrativa da ideia preparada como texto e, só no fim, separadamente, a tomada de decisões em conjunto. Não acrescentamos novas integrações até verificar que a ajuda realmente facilita o trabalho das pessoas. Queremos abrir os primeiros mapas da questão públicos em dois tipos de temas. O primeiro serão afirmações e hipóteses de nosso manifesto e de nossos whitepapers, para que qualquer pessoa possa testar o Omniforum questionando ou melhorando nossos próprios pressupostos. O segundo serão perguntas comuns do dia a dia, dos cuidados com plantas às receitas culinárias: com elas, é mais fácil ver, sem tensão, como funcionam as condições, as fontes e as experiências diferentes. Também analisamos uma ideia semelhante ao programa SETI@home, em que pessoas de todo o mundo disponibilizavam a capacidade de seus computadores para analisar dados de radiotelescópios. O trabalho público do Omniforum, como decompor textos públicos em moléculas e átomos, traduzir narrativas ou preparar resumos de mapas, poderia usar a capacidade computacional de voluntários. Qualquer pessoa que quisesse poderia então contribuir sem dedicar seu próprio tempo, disponibilizando um pouco da capacidade de seu computador e pagando pela eletricidade consumida. Isso se aplica apenas a dados públicos, porque o computador do voluntário vê o que processa, e verificaríamos os resultados executando a mesma tarefa com mais de uma pessoa. É uma ideia que ainda estamos analisando, mas uma das vias que gostaríamos de investigar. Em cada passo, verificamos se isso ajuda: quanto tempo leva para chegar a uma análise útil, quantas correções o autor precisa fazer e qual sua importância, com que frequência o modelo interpreta a intenção de forma errada, se é fácil encontrar a fonte, se pessoas diferentes conseguem usar a ferramenta, quanto custa e se depois a pessoa consegue explicar a questão a outras por conta própria. Antes de cada teste, publicamos qual resultado consideraremos suficiente para acrescentar o próximo passo e seguimos esse critério na avaliação. Só consideramos as voltas ao Omniforum um bom sinal quando atendem a uma nova necessidade, e não a uma compulsão de vigiar o sistema continuamente. Verificamos separadamente se os participantes reconhecem melhor os fatos e as incógnitas, se chegam mais facilmente a um acordo sobre uma ação conjunta e se a decisão tomada alcança o objetivo anunciado. Melhorar o primeiro aspecto não prova os demais, e a concordância de opiniões com a fundação não é medida de sucesso. Só aceitaremos o complemento para outros serviços quando cumprir algumas condições: não enviar nada antes que o usuário o escolha, respeitar a recusa, permitir interromper o trabalho a qualquer momento, excluir os dados de trabalho e pedir cada consentimento separadamente. Um teste com pessoas que usam uma ferramenta desse tipo pela primeira vez deve mostrar se compreendem a diferença entre a interpretação preparada pelo modelo e as palavras do autor. Também verificaremos se é realmente possível levar o acervo consigo. Nesse teste, abrimos uma análise selecionada em uma ferramenta independente, sem conexão com o Omniforum, e comparamos as fontes, os trechos, as relações, o histórico e as confirmações. Se a outra ferramenta não oferecer suporte a algo, a importação deve informar isso claramente, em vez de removê-lo silenciosamente ou alterar seu significado. No teste dos temas acompanhados, descritos na seção 1.1, verificaremos se, ao voltar, só são visíveis as mudanças reais desde a última visita e se os conteúdos já vistos pela pessoa continuam identificados mesmo depois de uma retificação, uma mudança de fonte ou a exclusão de um argumento. O participante deve conseguir dizer o que a revisão trouxe de novo e decidir por conta própria se quer se aprofundar ou encerrar a visita. Verificaremos separadamente se a comparação de soluções diferentes preserva os critérios e as condições em que foram testadas. **Registro de resultados.** Situação em 30 de outubro de 2026: o protótipo do Omniforum está em construção, e ainda não concluímos nenhum dos testes de aceitação descritos. Acrescentamos aqui cada novo resultado com data, versão do protótipo, descrição do teste e conclusão, inclusive quando o teste não tiver sucesso. De uma boa conversa também podem nascer materiais úteis para pesquisa, mas exclusivamente na medida em que os participantes tiverem consentido. O [whitepaper dos materiais e do benchmark](whitepaper-materialy-i-benchmark.md) descreve como os preparamos, com quais direitos os utilizamos e como os separamos dos testes. Fundação Novus Ignis, Poznań, KRS 0001269575. Site e manifesto: novusignis.org. Observações: salve@novusignis.org. ## Notas [^web-annotation]: [W3C (2017): Web Annotation Data Model](https://www.w3.org/TR/annotation-model/). Recomendação W3C. Modelo de anotação que associa o conteúdo de um comentário ao recurso ou trecho indicado; referência para a portabilidade de dados. [^hypothesis]: [Hypothesis: Embedding Hypothesis in websites and platforms](https://web.hypothes.is/help/embedding-hypothesis-in-websites-and-platforms/). Documentação do projeto. Exemplo de incorporação de anotações em sites; não confirma a divisão automática em moléculas e átomos nem a preservação da intenção do autor. [^wright]: Erik Olin Wright, *Envisioning Real Utopias*, Verso, Londres, 2010. Quadro de pesquisa com três critérios: desejabilidade, viabilidade e possibilidade de realização; não é um método pronto de avaliação. [^rodo-2026]: [RGPD, Regulamento 2016/679](https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PL/TXT/?uri=CELEX%3A32016R0679). Ato jurídico. A pseudonimização não determina o anonimato (art. 4(5), considerando 26); o consentimento pode ser retirado, o que não invalida o tratamento anterior realizado de acordo com a lei (art. 7(3)). [^dpga]: [Digital Public Goods Alliance: padrão](https://www.digitalpublicgoods.net/standard). Padrão. Critérios de avaliação de um bem público digital; uma direção de projeto não é um reconhecimento obtido da DPGA. [^semaphore]: [Semaphore: documentação](https://docs.semaphore.pse.dev/). Documentação do protocolo. Prova de pertencimento a um grupo sem revelar a identidade e detecção da repetição de um sinal em determinado escopo; o protocolo não estabelece que uma pessoa recebeu apenas uma habilitação. [^maci]: [MACI: introdução](https://maci.pse.dev/docs/introduction). Documentação do protocolo. Somente um coordenador confiável pode descriptografar os votos, e a resistência ao conluio só existe se o coordenador for honesto; um coordenador desonesto, porém, não pode censurar nem alterar o processo. Acesso em 28/10/2026. --- # Princípios de funcionamento da Fundação Novus Ignis: manutenção, cooperação e transferência de poder (https://novusignis.org/pt/whitepaper-zasady-fundacji.html) # Princípios de funcionamento da Fundação Novus Ignis: manutenção, cooperação e transferência de poder Versão de 31 de outubro de 2026. Este documento desenvolve o manifesto em questões de organização: como mantemos os serviços, como administramos o dinheiro comum, como cooperamos e como queremos transferir o poder. Descreve os princípios que pretendemos adotar como regulamentos e as alterações do estatuto que eles exigirão. O whitepaper, por si só, não altera o estatuto, as competências dos órgãos da fundação nem as regras de prestação de contas. *Tradução realizada por inteligência digital a partir do original em polonês de 31 de outubro de 2026. Em caso de divergência entre as versões, prevalece o texto em polonês.* ## 1. O estatuto, o manifesto, os regulamentos e este documento A Fundação Novus Ignis, de Poznań (KRS 0001269575), quer construir uma internet alternativa baseada na dignidade humana. Seu primeiro pilar consiste em dois serviços: Suveria, um espaço privado de trabalho com inteligência digital, e Omniforum, um espaço compartilhado de conversa, compreensão e decisões. Este documento descreve como a fundação pretende decidir, prestar contas do dinheiro, organizar o trabalho e transferir a responsabilidade; os valores e o rumo são descritos no manifesto. Novus Ignis é uma fundação polonesa registrada na União Europeia (Poznań). Em termos internacionais, é uma entidade sem acionistas, que não distribui lucros a ninguém: seu patrimônio serve exclusivamente aos objetivos do estatuto. Pelos serviços, cobramos valores que não superam seus custos reais, e financiamos o desenvolvimento e a reserva com doações voluntárias. Os capítulos seguintes descrevem, nesta ordem: - Capítulo 2: a fase ágil, ou seja, como decidimos antes de a votação vinculante da comunidade entrar em funcionamento. - Capítulo 3: serviços o mais próximo possível do custo, ou seja, a cobrança pelo uso real, o arredondamento da conta como doação, além do pagamento antecipado, do limite e dos reembolsos. - Capítulo 4: um orçamento que se pode compreender, ou seja, cinco tipos de dinheiro e um registro público de entradas e despesas. - Capítulo 5: o trabalho, as funções por tempo determinado, o reembolso de custos e as contratações remuneradas. - Capítulo 6: por que o apoio pessoal a quem participa da criação ocorre fora da fundação. - Capítulo 7: o registro de benefícios e vínculos. - Capítulo 8: as condições para os demais pilares e duas vias para pequenas iniciativas, ou seja, o montante transitório sob decisão da diretoria e as iniciativas financiadas com destinação específica. - Capítulo 9: o caminho para transferir os poderes especiais do fundador. - Capítulo 10: as condições que cada passo rumo à participação da inteligência digital na gestão deve cumprir. - Capítulo 11: as oficinas abertas, os testes antes da implementação completa e os bens públicos, incluindo as licenças. - Capítulo 12: o registro das decisões e dos erros, os registros públicos, as disputas e a forma de alterar as regras. Nossos compromissos têm vários níveis. O estatuto é a lei da fundação: vincula a fundação formalmente, e suas alterações são aprovadas pela diretoria de acordo com o estatuto e submetidas à inscrição no Registro Judicial Nacional. O manifesto é um compromisso com as pessoas: diz o que queremos fazer e por quê. Os regulamentos, aprovados pela diretoria com base no § 14(2) do estatuto, descrevem os procedimentos detalhados. Os whitepapers mostram como isso deve funcionar e onde estão os limites do que hoje podemos assegurar. Este documento é, ao mesmo tempo, um esboço dos futuros regulamentos: descreve os princípios antes de os adotarmos formalmente. O nível superior define os limites do inferior. O manifesto não promete nada que o estatuto proíba, e um regulamento não pode contrariar nenhum dos dois. Quando queremos ir além do que o estatuto atual permite, escrevemos sobre isso como uma intenção, e o [registro de alterações do estatuto](statut/rejestr-zmian.md) mostra como era, o que queremos mudar, para quê e com qual intenção. Publicamos esse registro junto com todas as versões do estatuto.[^statut-2026] Para os princípios descritos abaixo, estas são hoje as disposições mais importantes do estatuto. A fundação não exerce atividade econômica registrada voltada ao lucro (§ 7(1)), e os pagamentos provenientes da atividade remunerada de utilidade pública cobrem exclusivamente os custos dessa atividade (§ 10(4)). O patrimônio da fundação não pode ser utilizado em benefício de integrantes dos órgãos ou de voluntários em condições diferentes das aplicáveis a terceiros (§ 11(2)). O trabalho da fundação baseia-se no trabalho não remunerado de voluntários, e somente serviços de entidades profissionais externas podem ser contratados mediante remuneração (§ 12). O fundador nomeia e destitui a diretoria, que atua por prazo indeterminado (§ 13), e uma alteração do estatuto exige deliberação unânime de todos os integrantes da diretoria e consentimento prévio do fundador, caso o fundador não faça parte da diretoria (§ 15(1)). Os limites de atuação da diretoria também são definidos pela lei sobre fundações.[^fundacje] **Situação em 31 de outubro de 2026.** A primeira entrada na conta da fundação é o fundo de constituição de 1.000 PLN do fundador; a partir dessa data, aceitamos doações por transferência bancária em zlotys, euros e dólares e as mostramos no registro público de entradas e despesas. Dos registros do capítulo 12, mantemos hoje o registro de alterações do estatuto e o registro de entradas e despesas. Prepararemos os regulamentos mencionados neste documento antes do primeiro pagamento antecipado. Antes de aceitá-lo, teremos: - um regulamento dos serviços revisado quanto ao direito do consumidor; - um parecer jurídico sobre custos de pagamentos e pagamentos antecipados; - uma conta separada para pagamentos antecipados; - regras para reembolso dos saldos. ## 2. Fase ágil: como decidimos antes de a votação entrar em funcionamento Até o início da votação vinculante da comunidade, a fundação atua em fase ágil. A diretoria toma as decisões do dia a dia dentro dos limites da lei e do estatuto, inclusive quando é preciso responder rapidamente às mudanças na tecnologia, no debate público e nas necessidades das pessoas. Não suspendemos o desenvolvimento até que exista um sistema completo de votação: nesse período, é a diretoria que decide sobre as despesas de manutenção e desenvolvimento do Pilar I, ou seja, Suveria e Omniforum. O estatuto permite à diretoria mais do que ela deseja utilizar. Nosso objetivo é que todas as decisões que entregamos à comunidade sejam tomadas por votação da comunidade e tenham caráter vinculante. Para isso, precisamos de um mecanismo que funcione e que saibamos manter, por isso avançamos por etapas. Até lá, a diretoria, por escolha e não por obrigação legal, pede a opinião da comunidade em consultas sobre questões importantes e publica a justificativa de cada decisão importante, inclusive das recusas. Uma consulta não exige verificação dos participantes, portanto uma pessoa pode votar várias vezes nela: mostra a opinião dos participantes, mas não é uma votação na acepção do estatuto. Antes de cada consulta, a diretoria anuncia como tratará seu resultado. Os participantes podem contestar qualquer decisão da diretoria, e a diretoria responde publicamente às objeções. A fase ágil termina gradualmente, assim como o poder da votação cresce gradualmente, e cada passo é um teste. Primeiro realizamos testes sem consequências financeiras, depois votações sobre decisões reais relativas a um pequeno montante separado e a ações que possam ser revertidas; em seguida, ampliamos o alcance. Antes de cada teste, anunciamos seu alcance, sua duração e como a diretoria tratará o resultado. Após seu término, publicamos um resumo: se foi possível executar o resultado, como o teste afetou a condução da fundação e a tomada de decisões, quais erros e abusos detectamos e o que estamos mudando. Só ampliamos o alcance com base nesses resumos, porque não queremos assumir compromissos que não sabemos cumprir. As etapas, a verificação dos participantes e a proteção do sigilo do voto são descritas no [whitepaper do Omniforum](whitepaper-omniforum.md). Para que o resultado de uma votação vincule a fundação formalmente, e não apenas por escolha da diretoria, é necessária uma alteração do estatuto (Z4 no registro de alterações), pois hoje o § 8 apenas admite votações e consultas. Enquanto um teste não confirmar a unicidade de cada votante, chamamos esse teste de consulta, e não de votação na acepção do § 8(2) do estatuto. Quando a votação assumir determinado tipo de decisão, a diretoria só poderá suspender a execução do resultado por razões descritas antes da votação, por exemplo, um erro detectado no protocolo, um abuso em larga escala documentado ou uma falha de infraestrutura, com justificativa pública e prazo para reavaliação. ## 3. Serviços o mais próximo possível do custo Neste capítulo, descrevemos como se paga pela Suveria e pelos demais serviços da fundação. O princípio é simples: cada pessoa paga pelo que realmente usa, junto com uma parcela dos custos comuns calculada de forma justa, vê pelo que está pagando e define o limite de seus próprios gastos. A cobrança cobre os custos e nada mais, e tudo o que alguém quiser oferecer além disso é uma doação voluntária, que mostramos separadamente. ### 3.1. Cobrança pelo uso real A conta inclui o uso real dos serviços em determinado ciclo e uma parcela dos custos fixos atribuída de forma transparente, que mantém a infraestrutura pronta para uso. Nela, contabilizamos processamento, memória, transferência de dados, segurança, pagamentos, contabilidade, atendimento, manutenção da continuidade, além do desgaste e da substituição do equipamento. Dividimos as despesas em pontuais, fixas e dependentes do uso. Distribuímos os custos comuns segundo uma regra pública, que escolheremos no projeto-piloto entre duas opções: proporcionalmente ao uso ou igualmente entre as contas ativas. Verificamos a regra sob diferentes cargas dos serviços, para que a conta mostre tanto o uso direto quanto o custo da disponibilidade. As unidades de cobrança e o custo estimado de uma tarefa podem ser consultados a qualquer momento, e cada pessoa define seu próprio limite de gastos. Quando alteramos um preço, publicamos a razão e o impacto sobre os usuários. As economias reduzem as cobranças, enquanto o desenvolvimento, as revisões de segurança e a reserva são financiados com doações, segundo as regras adotadas. O valor das contribuições não aumenta o peso do voto nem quaisquer outros direitos do participante. Mantemos o saldo em uma única moeda: aquela em que a fundação paga pela maior parte da infraestrutura, hoje o dólar americano; apresentamos os preços dos serviços nessa mesma moeda. Queremos aceitar pagamentos também em outras moedas: convertemos esse pagamento uma única vez, no momento do pagamento, pela taxa de câmbio que o participante vê antes de pagar. Convertemos o custo de um modelo cobrado em outra moeda pela taxa que a fundação realmente pagou, e mostramos isso na conta. Anunciamos uma mudança da moeda do saldo com antecedência, como uma mudança de preço. A contabilidade da fundação é mantida em zlotys. A fundação não obtém lucro com seus serviços. A cobrança cobre seus custos e nada mais: é o que determina o § 10(4) do estatuto, e, segundo a lei sobre atividade de utilidade pública e voluntariado, uma cobrança superior aos custos transformaria essa atividade em atividade econômica, que a fundação não exerce.[^pozytek] No entanto, o preço próximo do custo, por si só, não resolve tudo. Antes de começar a cobrar, verificaremos, em um parecer jurídico e tributário, a natureza dessa atividade, todas as condições do art. 9 da lei, inclusive as relativas à remuneração, o tratamento do IVA e o que faremos com um eventual excedente. Por isso, todo apoio acima do custo é uma doação voluntária, separada da cobrança na conta e na contabilidade. Pela mesma razão, não criamos criptomoedas para vendê-las nem lucramos com sua negociação; utilizamos tecnologias de registro apenas onde ajudam na transparência e na verificabilidade. Incluímos no planejamento o trabalho voluntário que reduz as despesas, junto com a informação sobre de quem depende a disponibilidade do serviço e quem pode substituir quem. No início, quando há poucos participantes, o custo fixo do ambiente privado é dividido entre poucas pessoas. Trata-se de uma ou duas máquinas confidenciais nas quais funcionam a porta de entrada, a memória e os arquivos dos usuários; de acordo com o cálculo do [whitepaper da Suveria](whitepaper-suveria.md) (seção 8.1), elas custam, juntas, 170–340 USD por mês. Com 30 participantes, isso representa cerca de 6–11 USD por pessoa; com cem, 1,70–3,40 USD; e com mil, algumas dezenas de centavos. Mostramos esse custo separadamente e o cobrimos com um orçamento de apoio ao projeto-piloto reunido previamente, por exemplo, com doações destinadas à Suveria, com valor, período e regras definidos para quando esse orçamento se esgotar. Não presumimos que já temos esses recursos. A parcela do participante nos custos comuns é anunciada antes de cada ciclo de cobrança e sempre fica dentro de seu limite, e a conta mostra qual parte do custo é coberta pelo apoio e qual pelos participantes. O fim do apoio não gera cobranças retroativas, e os pagamentos antecipados não utilizados continuam sendo propriedade dos participantes. ### 3.2. Arredondamento da conta como doação Ao criar a conta, perguntamos se o participante quer arredondar cada conta para cima até o próximo dólar inteiro ou um equivalente aproximado na moeda local. Perguntamos em vez de marcar a opção por alguém, porque a lei exige consentimento expresso para cada pagamento adicional (art. 10 da lei sobre direitos do consumidor), e a escolha deve pertencer ao participante. A diferença, que surge em quase todas as contas, vai então como doação para o orçamento comum, com o qual construímos a reserva para manter os serviços e realizar outras atividades. Explicamos para onde esse dinheiro vai e incentivamos essa possibilidade, mas não a marcamos por ninguém; a decisão pode ser alterada a qualquer momento com uma única configuração. A conta mostra separadamente a cobrança pelo serviço e o valor da doação. Contabilizamos separadamente as doações decorrentes do arredondamento e mostramos seu total e sua destinação nos demonstrativos regulares e no registro público de contribuições do capítulo 4. Um apoio voluntário maior ao desenvolvimento futuro é uma decisão separada do participante: vai para o orçamento comum, cuja utilização deverá ser decidida pela comunidade; até o início da votação, aplicam-se as regras dos capítulos 2 e 8. ### 3.3. Pagamento antecipado, limite e reembolsos Ao fazer um pagamento, o participante informa um único valor e exatamente esse valor entra em seu saldo, independentemente da forma de pagamento. Abaixo, mostramos quanto custa processar o pagamento e um botão pelo qual se pode cobrir voluntariamente esse custo com uma doação; não o selecionamos por ninguém. A doação fica separada do saldo. A tarifa também incide sobre a própria doação, por isso o botão informa o valor que cobre o custo de processamento do pagamento inteiro. Exemplo: para um pagamento de 20 USD por cartão e uma tarifa ilustrativa de cerca de 2,8% do pagamento total, o botão propõe 0,58 USD. Sem o botão, cobramos 20,00 USD, o valor inteiro entra no saldo, e o processamento do pagamento é coberto pelos custos comuns. Com o botão, cobramos 20,58 USD: 20,00 USD entram no saldo, e 0,58 USD são uma doação que cobre integralmente o custo de processamento desse pagamento. Antes da confirmação do pagamento, mostramos um único valor máximo a ser cobrado do cartão, separadamente o saldo para serviços e separadamente cada doação escolhida. O regulamento apresentará um exemplo completo, do pagamento ao reembolso. Ao fazer um pagamento, o participante também define quanto quer gastar, no máximo, por exemplo, 20 dólares para trabalhar com inteligência digital. Pode declarar separadamente qual parte do valor não utilizado, até um limite indicado, doa à fundação, por exemplo: “se eu utilizar menos, destine ao orçamento comum até 5 dólares do restante”. Sem essa declaração, todo o valor não utilizado continua sendo sua propriedade. Propomos contabilizar as tarifas reais de determinado período nos custos comuns, proporcionalmente aos pagamentos e da mesma forma para todos os meios de pagamento, mostrando-as na conta em uma linha separada; as doações para o custo de pagamentos reduzem esse total. É uma escolha solidária: as pessoas que pagam por um meio mais barato cofinanciam as tarifas dos meios mais caros, por isso mostramos quais meios custam menos à comunidade. A forma de cálculo e a maior parcela possível dos custos comuns são conhecidas antes do ciclo de cobrança e ficam dentro do limite do participante. A conta mostra separadamente o saldo, os recursos reservados para solicitações em andamento e para a parcela anunciada dos custos comuns, além do valor disponível para uso. Exemplo com saldo de 20 USD e sem solicitações em andamento: | Na conta | Valor | | --- | --- | | Saldo | 20,00 USD | | Reservado para a parcela anunciada dos custos comuns | até 0,60 USD (no exemplo, 3% do saldo) | | Disponível para novas solicitações | no máximo 19,40 USD | Após a apuração, liberamos a parte não utilizada do valor reservado. A apuração não gera cobranças adicionais não acordadas nem saldo negativo; cobrimos qualquer excesso em relação à parcela anunciada com uma reserva separada previamente. As normas da União Europeia proíbem a cobrança de tarifas para parte dos instrumentos de pagamento, entre eles os cartões de consumidores sujeitos à regulamentação das tarifas de intercâmbio e as transferências SEPA, com determinadas exceções.[^psd2] A divisão de custos descrita é nossa proposta para avaliação jurídica, e não uma consequência automática dessa proibição. Escolhemos o operador de pagamentos após comparar as tarifas e fixamos o pagamento mínimo no menor valor possível, levando em conta seu custo de processamento; o regulamento ou a tabela de preços informa o valor atual, a moeda e a data de vigência antes do pagamento. No início, o menor pagamento deverá ser de um dólar ou seu equivalente; mesmo esse valor entrará integralmente no saldo do participante, e apenas o que o participante declarar expressamente irá para o orçamento comum. Mantemos os pagamentos antecipados dos participantes em uma conta bancária separada e não os utilizamos para cobrir custos da fundação antes da prestação do serviço; mostramos seu total no registro. Verificaremos antes do primeiro pagamento antecipado se a lei exige proteção adicional. O saldo não utilizado pode ser recuperado a qualquer momento. A opção de reembolso fica bem visível na conta e exige o menor número possível de etapas; no formato final, deverá ser um único botão. O reembolso vai para um meio de pagamento verificado previamente, por padrão pelo mesmo canal que o participante utilizou para pagar; definimos o meio de reembolso já na criação da conta. Após o encerramento da conta pelo participante ou o fechamento do serviço, o saldo é devolvido automaticamente pela mesma via. O regulamento definirá o prazo para realizar o reembolso, seus eventuais custos e o procedimento quando o meio de pagamento original estiver indisponível. Também protegerá o serviço contra abusos, por exemplo, sequências de pagamentos e reembolsos sem utilizar o serviço, dentro dos limites do direito do consumidor. O primeiro reembolso no uso normal continua simples. Em caso de pagamentos e reembolsos repetidos sem utilização do serviço, podemos limitar as recargas por cartão ou pedir uma transferência bancária. O saldo que ninguém recuperou permanece na conta do participante e não alimenta o orçamento da fundação. O procedimento após a morte do participante ou em outras situações especiais é definido pela lei do país pertinente. O prazo de reembolso, a apuração das diferenças entre o custo estimado e o real e os demais detalhes serão definidos no regulamento dos serviços, preparado antes de aceitar o primeiro pagamento antecipado e revisado quanto às normas de proteção ao consumidor. ## 4. Um orçamento que se pode compreender Queremos que cada pessoa possa compreender de onde vem o dinheiro da fundação, quanto dele a fundação realmente pode gastar e em que o gasta. Por isso, não mostramos um único valor na conta, mas dividimos o dinheiro conforme a quem pertence e a que se destina. Na prestação de contas, separamos cinco tipos de dinheiro: | Tipo de dinheiro | O que significa | Podemos gastá-lo com novos objetivos? | | --- | --- | --- | | Recursos devidos aos usuários | Pagamentos antecipados não utilizados e saldos dos participantes | Não, pertencem aos participantes | | Dinheiro confiado para uma finalidade específica | Doações com destinação específica, por exemplo, para uma iniciativa concreta ou para o projeto-piloto da Suveria | Somente para essa finalidade | | Compromissos assumidos | Dinheiro que já destinamos a despesas planejadas | Não, já está destinado | | Proteção da manutenção dos serviços | Reserva sem a qual Suveria e Omniforum deixariam de funcionar | Não, protege a continuidade dos serviços | | Recursos livres para alocação | O que resta depois de tudo o que foi listado acima | Sim, sempre com prioridade para o Pilar I (capítulo 8) | Atribuímos cada valor a apenas uma categoria, para não contar nada duas vezes. O custo de manutenção dos serviços inclui tudo sem o que Suveria e Omniforum deixariam de funcionar: capacidade de processamento, armazenamento de dados e cópias de segurança, domínios, processamento de pagamentos e contabilidade obrigatória. Por isso, o saldo da conta bancária não é um orçamento disponível para alocação, e a reserva não é formada por dinheiro prometido, mas ainda não recebido, nem por dinheiro devido a outra pessoa. São públicas as categorias de custos, as condições dos contratos maiores, as decisões e suas justificativas. Deve ser possível relacionar cada despesa à decisão que a originou e ao seu resultado. Ao mesmo tempo, protegemos dados pessoais, credenciais de acesso e informações cuja divulgação aumentaria os riscos para a infraestrutura. No site da fundação, queremos manter um registro público de entradas e despesas, o mais atualizado possível. Cada entrada na conta da fundação e cada despesa aparece nele com data, valor e uma breve descrição; nas despesas, acrescentamos em que o dinheiro foi gasto e por que era necessário. Protegemos os dados das pessoas: identificamos os doadores pelo nome apenas quando desejam, e descrevemos as demais contribuições em termos gerais, por exemplo, “doação de pessoa física”. Não publicamos diretamente as descrições das transferências, pois muitas vezes contêm dados pessoais; preparamos a descrição de cada entrada por conta própria. O registro permite que qualquer pessoa acompanhe as finanças da fundação, mas não substitui os livros contábeis nem as demonstrações financeiras; corrigimos publicamente uma entrada incorreta. Testaremos o mecanismo com a primeira entrada: o fundo de constituição de 1.000 PLN. Cada projeto tem um limite, uma pessoa responsável, um resultado a verificar, datas de revisão e regras para lidar com o dinheiro que não for gasto. Podemos liberar o dinheiro por etapas. Ultrapassar o orçamento exige uma nova decisão, e o encerramento do projeto inclui a prestação de contas e as conclusões. Também mostramos qual parte das despesas realiza diretamente os objetivos estatutários. Calculamos essa parcela com base no dinheiro efetivamente gasto e mostramos as reservas separadamente, junto com as definições das categorias, o método de atribuição dos custos comuns e a explicação das mudanças entre períodos. Mostramos essa proporção junto com a estrutura de custos, porque segurança, manutenção e assistência jurídica também têm valor real. Pessoas com menos recursos financeiros podem utilizar os serviços em condições solidárias, sempre com a fonte de financiamento indicada: contribuições que os doadores destinaram a esse fim, subsídios de capacidade de processamento recebidos pela fundação ou acessos pagos por um patrocinador. Não divulgamos em que trabalham as pessoas que recebem esse tipo de ajuda. As regras de apoio protegem essas pessoas contra a estigmatização e permitem verificar a prestação de contas. **Prontidão para receber o legado.** O manifesto (seção 1.1) descreve que, após o período de febre de investimentos, podem restar capacidade de processamento e equipamentos baratos. Quando a capacidade de processamento ou os equipamentos ficam mais baratos, ou alguém quer doá-los à fundação, calculamos o custo integral de uso, e não apenas o preço de compra: energia, refrigeração, espaço, operação e tempo das pessoas, inclusive o custo de manter tudo pronto para uso. Tendemos a alugar, em vez de comprar, equipamentos que envelhecem rapidamente; recursos duráveis, como acesso à rede ou à energia, podem justificar um contrato mais longo. Aceitamos equipamentos doados de acordo com as regras de contabilização de doações e do registro de benefícios. Preparamos com antecedência a forma de tomar essas decisões, para podermos agir rapidamente e com transparência quando os preços caírem. ## 5. Trabalho, funções e contratações Na Roma republicana, os cargos mais importantes eram exercidos geralmente por um ano e sem remuneração. A tradição guardou a memória de Cincinato: segundo Tito Lívio, em 458 a.C., emissários o encontraram trabalhando no campo e lhe comunicaram que o poder supremo havia sido confiado a Cincinato durante a guerra. No décimo sexto dia, quando o perigo havia passado, Cincinato devolveu o poder e voltou à sua propriedade rural.[^cyncynat] Essa imagem expressa bem como queremos atuar: alguém que entende de determinada questão assume uma tarefa por um tempo, realiza essa tarefa e volta à própria vida. A fundação deve ser capaz de funcionar sem que ninguém precise se vincular a ela permanentemente, e o exercício de funções nela não deve se transformar em profissão. Da história também tiramos um alerta: em Roma, os cargos não remunerados podiam ser exercidos principalmente por pessoas abastadas, por isso reembolsamos custos e não esperamos sacrifícios além das possibilidades de cada pessoa. A seguir, descrevemos o trabalho voluntário e as funções por tempo determinado (5.1), o reembolso de custos (5.2), as contratações remuneradas (5.3) e a oficina em que se pode assumir uma tarefa (5.4). ### 5.1. Trabalho voluntário e possibilidade de sair A fundação se apoia no trabalho de pessoas que querem desenvolver esse rumo e no fato de que cada pessoa pode reduzir sua participação ou transferir sua função. Ninguém precisa provar a sinceridade das próprias intenções com disposição para um sacrifício ilimitado. A continuidade do funcionamento não pode depender de alguém que faz trabalho voluntário estar disponível a qualquer hora: se faltarem pessoas para cuidar de determinado serviço, reduzimos seu alcance ou sua disponibilidade. Antes de um novo compromisso, verificamos se sabemos realizá-lo e mantê-lo, e não apenas se há interesse em seu lançamento. Hoje, a fundação se apoia no trabalho não remunerado de uma única pessoa, que também é a única integrante da diretoria. Dizemos isso porque a continuidade dos serviços depende desse fato; por isso, a lista de acessos, o plano de continuidade e uma segunda pessoa na diretoria são as primeiras tarefas, e não tarefas posteriores. Se essa pessoa ficar indisponível, o reembolso do saldo poderá sofrer atraso até a nomeação de novas pessoas; o saldo continua sendo propriedade do participante e não é perdido. Retiraremos a frase sobre o atraso quando houver na diretoria uma segunda pessoa com acesso próprio. Descrevemos uma função com poderes decisórios por seu objetivo, pelo alcance das decisões, pela forma de atribuição e destituição, pela duração, pela data de revisão e pela substituição. A prorrogação de uma função exige decisão pública. Seu encerramento inclui um resumo do trabalho, a entrega da documentação a quem assume a função e a atualização dos acessos. A limitação temporal dos poderes pode ser combinada com a continuidade da ajuda dessa mesma pessoa como alguém com experiência na criação conjunta. Buscamos uma segunda pessoa para a diretoria. Função: responsabilidade compartilhada pelas finanças, pelos acessos e pelos compromissos com os usuários; sem remuneração (§ 12(3) do estatuto); dedicação de tempo definida previamente, com revisão da cooperação após um ano. Experiência necessária: gestão das finanças de uma organização ou responsabilidade por um serviço utilizado por outras pessoas. Ter dinheiro próprio não é requisito e não dá prioridade. Caminho: três meses de participação nas reuniões e acesso às finanças como pessoa voluntária, depois nomeação pelo fundador (§ 13(3) do estatuto), com justificativa pública e entrada no registro de benefícios. A ausência de remuneração pelo exercício de uma função não elimina os outros benefícios do poder: influência, contatos, informações e distribuição de tarefas. Por isso, são necessárias a divulgação dos conflitos de interesses, a abstenção de decidir sobre a própria questão e a possibilidade de controle das decisões. O número de horas trabalhadas, a visibilidade da contribuição e a ajuda recebida permanecem separados do direito de voto. ### 5.2. Reembolso de custos O reembolso de custos não é pagamento pelo tempo. Significa devolver o dinheiro que alguém desembolsou do próprio bolso para realizar uma tarefa da fundação, por exemplo, para uma passagem para uma reunião de trabalho ou para pagar um domínio ou serviço. Um integrante da diretoria pode receber exclusivamente o reembolso de custos documentados e necessários, incorridos em tarefas estatutárias em nome da fundação (§ 13(5) do estatuto). Em relação aos voluntários, a fundação cobre os custos de viagens de trabalho e diárias nas mesmas condições aplicáveis aos empregados, a menos que a pessoa voluntária a dispense dessa obrigação por escrito; pode cobrir outros custos necessários e capacitações.[^wolontariat] Somente o que é necessário para a tarefa faz parte de seu custo. Uma passagem para uma reunião de trabalho pode ser um custo da tarefa, enquanto a parte privada da viagem é paga pelo próprio participante. Cada reembolso exige um documento e entra no demonstrativo público de custos. ### 5.3. Contratações remuneradas Hoje, a fundação só pode contratar serviços remunerados de entidades profissionais externas, por exemplo, de um escritório de contabilidade (§ 12(3) do estatuto). O restante do trabalho, inclusive o de software, baseia-se no voluntariado (§ 12(2)). No início, queremos verificar se tudo de que precisamos pode ser criado dessa forma. Somente se constatarmos que parte do trabalho não pode ser realizada assim, alteraremos o estatuto para que a fundação possa contratar trabalhos específicos remunerados de pessoas e empresas externas à diretoria, com base em contratos de natureza civil. Consideraremos como sinal disso, por exemplo, uma situação em que, durante duas semanas consecutivas, ninguém assuma o plantão de um serviço ou sua disponibilidade caia abaixo do limite anunciado. Só alteramos o estatuto quando isso for necessário para o próximo passo, e aplicamos a nova regra imediatamente, em vez de a adotar antecipadamente. O projeto e a justificativa dessa alteração são descritos no [registro de alterações do estatuto](statut/rejestr-zmian.md) (alteração Z2). Não haverá postos de emprego na fundação, porque isso faz parte de sua ideia: o trabalho é realizado por voluntários e, quando necessário, por prestadores contratados para trabalhos específicos. Se um dia comprarmos equipamentos próprios, contrataremos de uma empresa o plantão para esses equipamentos como um serviço. A contratação se refere a um trabalho definido, com resultado sujeito a aceite, e não a trabalho contínuo sob direção, pois a lei trata esse tipo de trabalho como emprego, independentemente do nome do contrato.[^kp22] Se essa alteração ocorrer, as regras de contratação serão descritas em um regulamento. Ele deverá estabelecer, no mínimo: - o alcance público da tarefa e os critérios de aceite; - um preço justificado; - a exclusão das decisões de pessoas com vínculos com o prestador; - informações consolidadas sobre as contratações realizadas. Os integrantes da diretoria não celebram contratos remunerados com a fundação: o estatuto permite que recebam apenas o reembolso de custos documentados (§ 13(5)), e ninguém deve ganhar dinheiro pelo exercício de uma função na fundação. Uma pessoa voluntária pode aceitar uma contratação para um trabalho diferente daquele que realiza no voluntariado e claramente separado dele. Antes que isso aconteça pela primeira vez, verificaremos essa situação juridicamente. ### 5.4. Oficina própria e contexto preparado Assumir uma tarefa deve abrir um espaço para ela no ambiente escolhido pelo participante. O assistente de inteligência digital recebe o necessário para o trabalho: os valores da fundação, o objetivo e os limites da tarefa, os entendimentos atuais do Omniforum, os argumentos relevantes e as perguntas em aberto, as fontes, o limite de recursos e o método de avaliação do resultado. O participante pode verificar esse contexto, apontar lacunas e corrigir a forma de apresentação de sua própria posição. Entrar em uma tarefa disponibiliza apenas o conjunto de dados e permissões escolhido. A transmissão do contexto, o acesso às ferramentas e a publicação do registro do trabalho exigem consentimentos definidos separadamente, e as conversas privadas, os arquivos e as credenciais de acesso permanecem fora desse alcance até que a pessoa decida conscientemente de outra forma. Antes de disponibilizar essa conexão, descreveremos quais dados saem do ambiente privado, a quem são transmitidos e como são tratados. Depois de uma pausa, a oficina deverá mostrar o que mudou e onde se pode continuar, e deverá ser possível transferir o resultado e o estado da tarefa à próxima pessoa sem revelar o ambiente privado do participante. Em um teste, verificaremos o início de uma tarefa, o retorno após uma semana e a passagem do trabalho: o tempo para localizar o contexto, a correção dos resumos e o respeito aos limites de privacidade. Enquanto não tivermos servidores próprios, podemos cobrir, com recursos do Pilar I ou com doações com destinação específica, os custos de ferramentas de que os voluntários precisam para criar e testar o código aberto da Suveria e do Omniforum, por exemplo, acesso a modelos por API ou ferramentas de programação. Esse apoio tem um limite público no orçamento e não é remuneração. A lei sobre atividade de utilidade pública e voluntariado permite isso (art. 45(2)); confirmaremos o alcance desses custos em um parecer jurídico.[^wolontariat] ## 6. Apoio pessoal fora da fundação Uma melhor qualidade de vida para quem participa da criação faz parte do rumo da fundação, mas o apoio pessoal não vem de seu patrimônio nem passa por suas contas. O estatuto proíbe a utilização do patrimônio da fundação em benefício de integrantes dos órgãos e de voluntários em condições diferentes das aplicáveis a terceiros (§ 11(2)); ao mesmo tempo, qualquer pessoa pode apoiar, em caráter privado, alguém de sua escolha. Por isso, a ajuda para atender necessidades como moradia, alimentação ou tratamento médico ocorre diretamente entre as pessoas, por exemplo, por plataformas de apoio ou contribuições diretas. A fundação não atua como intermediária nessa ajuda, e a prestação de contas tributária desse apoio cabe à pessoa que o recebe. Antes, consideramos um fundo solidário comum administrado pela fundação. Abrimos mão dele: seria difícil conciliá-lo com o estatuto e faria o sustento de alguém depender das decisões dos órgãos da fundação. O apoio pessoal não está ligado a uma função, a uma tarefa nem ao direito de voto. Recusar uma nova tarefa, transferir uma função ou criticar uma decisão comum não afeta os direitos da pessoa na fundação. O apoio direto não elimina todas as dependências. A popularidade pode direcionar o dinheiro às pessoas mais visíveis, e viver de doações pode gerar a necessidade de manter uma função. Também podem surgir expectativas de quem apoia e conflitos de interesses. Por isso, registramos no registro de benefícios o apoio pessoal recebido por quem administra a fundação, decide sobre despesas e contratações ou a representa, e divulgamos os vínculos relevantes ao tomar decisões. Se, junto à contribuição de quem participa da criação, mostramos um link para seu canal pessoal de apoio, fazemos isso nas mesmas condições para todas as pessoas, inclusive nas funções menos visíveis, e sem classificação por receitas. O apoio não compra voto, função, prioridade para um projeto, acesso a informações privadas nem influência na avaliação do benchmark. Enquanto exercem sua função, os integrantes da diretoria não recebem apoio pessoal do patrimônio da fundação; podem apenas receber o reembolso de custos documentados de suas tarefas, e registram no registro de benefícios o apoio que recebem de fora da fundação. ## 7. Registro de benefícios O registro de benefícios e vínculos abrange quem administra a fundação, decide sobre despesas e contratações ou a representa, no âmbito relacionado a essas funções. Registramos os benefícios recebidos em razão da função, de uma entidade sobre cujas questões a pessoa decide ou por um canal pessoal de apoio: por exemplo, passagem aérea ou hospedagem para uma conferência pagas por uma empresa, presentes e apoio por plataformas de apoio e contribuições diretas. Os rendimentos privados comuns e as relações sem ligação com a função permanecem privados. Mostramos o apoio de pessoas físicas de forma consolidada, e o de empresas e instituições pelo nome. A descrição consolidada não dispensa a avaliação de conflitos de interesses: se alguém que presta apoio concorrer, por exemplo, a uma contratação da fundação, divulgamos esse vínculo. Pequenos presentes, como uma caneta ou um brinde de um encontro, podem ser aceitos pessoalmente e também são registrados; agrupamos os pequenos itens de um mesmo evento. Aceitamos presentes de maior valor, por exemplo, uma placa de vídeo, um servidor ou um protótipo de dispositivo, em nome da fundação: entram em seu patrimônio e em sua contabilização de doações e servem às tarefas comuns. Quem recebe o presente avalia primeiro onde está esse limite; não o definimos por um valor fixo. Não aceitamos benefícios condicionados à promoção, ao destaque público, à recomendação, ao acesso privilegiado à equipe ou a concessões em decisões. A mera esperança do doador de melhorar sua imagem não é motivo de recusa, e um agradecimento privado não é promoção. A pessoa com vínculo com determinada questão não participa da decisão sobre ela. A entrada informa a fonte, quem recebe e sua função, a natureza e o valor do benefício ou uma estimativa identificada como tal, a finalidade, a data ou o período e a forma de lidar com o conflito de interesses. Todas as entradas seguem o mesmo formato e a ordem cronológica, sem logotipos, slogans, links para os sites dos doadores, agradecimentos e classificações. O registro pode mostrar os totais necessários ao controle, inclusive o valor total dos benefícios de uma mesma fonte. Junto ao registro, explicamos que ele serve ao controle, e que uma entrada, por si só, não significa recomendação nem parceria. Manteremos o registro atualizado. O benefício deve ser registrado em até 30 dias após seu recebimento, e o vínculo com uma decisão planejada deve ser divulgado antes dela. Para que isso não seja oneroso, prepararemos uma forma simples de informar, também com a ajuda de um assistente. As correções preservam o histórico da entrada. Qualquer entrada pode ser comentada, e, quando alguém comete um erro, conversamos abertamente sobre isso. As objeções são analisadas por pessoas sem vínculos com o doador nem com quem recebeu o presente; registramos, com justificativa, a decisão sobre devolver o presente, transferi-lo à fundação ou mudar as regras para o futuro. A obrigação de registro decorre do recebimento efetivo do benefício em razão da função, portanto também divulgamos um benefício aceito em violação das regras, com a descrição da violação e da reparação. Uma oferta, por si só, ou uma entrega não solicitada não gera uma entrada; porém, se um objeto não solicitado for utilizado em razão da função, estará sujeito à avaliação e ao registro habituais. Informamos de forma consolidada o número de recusas comuns, enquanto descrevemos publicamente uma oferta importante ligada a uma decisão ou uma tentativa de influência. A fonte pode solicitar uma retificação dos fatos, mas não negocia o conteúdo da entrada. Se a fonte apresentar a entrada como recomendação, parceria ou influência sobre decisões da fundação que não existiram, pedimos uma retificação; se isso se repetir, uma pessoa sem conflito de interesses pode decidir que não aceitaremos mais benefícios dessa fonte. Protegemos endereços, números de passagens, dados de pagamento e de saúde; a publicação dos detalhes de uma viagem pode ser adiada até o retorno, mantendo-se a comunicação anterior. Antes de colocar o registro em funcionamento, definiremos a base jurídica e o alcance necessário da publicação de dados, especialmente quando a fonte do benefício for uma pessoa física, além do período de conservação dos documentos.[^rodo-zasady] ## 8. Demais pilares: decisões comuns e pequenas iniciativas ### 8.1. Prioridade do Pilar I e três condições O Pilar I abrange Suveria e Omniforum. O Pilar II, “Hardware”, desenvolve soluções materiais abertas, e o Pilar III, “Natureza”, iniciativas relacionadas ao contato com a natureza. O início completo desses pilares e o financiamento de seus projetos pelo orçamento comum exigem, cumulativamente (seção 6.3 do manifesto): 1. Um Omniforum em funcionamento, com votação que utilize provas de conhecimento zero, proteja o sigilo da escolha, permita verificar a inclusão do voto e assegure um único voto efetivo da mesma pessoa habilitada. 2. Recursos efetivamente reunidos para pelo menos seis meses de manutenção dos serviços Suveria e Omniforum, que permaneçam intactos após a separação de todo o orçamento do novo projeto. 3. Uma decisão da comunidade que aprove o projeto e seu financiamento em uma votação aberta a toda a comunidade habilitada, nas mesmas condições. Quando consideraremos uma condição cumprida: - **um voto:** após pelo menos uma votação vinculante em que um teste público com recompensa não tenha conseguido registrar um segundo voto com a mesma habilitação nem vincular o voto à pessoa; - **reserva:** quando uma conta separada contiver seis vezes o custo médio mensal de manutenção dos serviços dos últimos três meses, e mostrarmos esse valor mensalmente no registro; - **decisão:** quando a comunidade aprovar por votação uma proposta concreta com orçamento, impacto sobre a reserva e critério de interrupção. A reserva não é formada por compromissos de doação não pagos, saldos devidos aos usuários, dinheiro com destinação específica nem recursos vinculados a outro compromisso, e uma simulação da votação não atende à primeira condição. Antes de cada decisão, o cálculo mostra o custo de um mês de manutenção, os valores protegidos e o impacto do compromisso planejado sobre os recursos disponíveis. Calculamos o custo de um mês de manutenção com base nas contas mais recentes e nas mudanças de preços anunciadas. Se a votação deixar de funcionar ou a reserva cair para menos de seis meses, suspendemos novos compromissos dos demais pilares, e o restabelecimento das condições tem prioridade. Os compromissos já assumidos são quitados, reduzidos com o consentimento das partes ou encerrados de acordo com o contrato e a lei. Antes de cumprir as condições, admitimos duas vias limitadas para pequenas iniciativas com término definido: o montante transitório sob decisão da diretoria e as iniciativas integralmente financiadas com destinação específica. A atividade permanente de um pilar exige a decisão da comunidade prevista no modelo final. As duas vias abrangem apenas atividades da própria fundação, dentro de seus objetivos e formas de atuação atuais; não planejamos financiar projetos de pessoas e entidades externas à fundação. Atividades que ultrapassem os objetivos atuais do § 5 do estatuto exigem a alteração Z1 do registro de alterações. ### 8.2. Montante transitório sob decisão da diretoria O montante transitório sob decisão da diretoria segue quatro regras: - **Acumulação:** a cada mês, o montante cresce no total em até 5% dos novos recursos livres provenientes das entradas mensais, conjuntamente para os dois demais pilares. Novos recursos livres são as contribuições sem destinação específica, recebidas no mês em condições que permitam esse uso, que restem após cobrir os custos correntes, os compromissos existentes e a recomposição da proteção de seis meses do Pilar I. Quando não houver esses recursos, o montante não cresce naquele mês. Não definimos um valor máximo separado: o tamanho do montante resulta do cálculo, e não de uma decisão sobre um limite. - **Exclusões da base:** não calculamos a porcentagem sobre o valor da reserva, e devoluções de projetos anteriores e transferências entre contas não são novas entradas. As contribuições com destinação específica, as cobranças por serviços e os saldos dos usuários conservam sua destinação. - **Transferência para os meses seguintes:** a parte não utilizada do montante pode passar para os meses seguintes, mas apenas enquanto o dinheiro correspondente permanecer livre após cobrir os custos, os compromissos e a proteção do Pilar I. Se a fundação gastar esse dinheiro em outras finalidades nesse intervalo, a autorização se extingue nessa parte. Assim, as economias de vários meses podem se somar para uma iniciativa maior, mas nunca à custa do Pilar I. - **Extinção:** a autorização se extingue no momento em que entrar em funcionamento a votação vinculante que cumpra a primeira das três condições (seção 8.1) e assuma as decisões sobre os demais pilares; as consultas não a encerram. Os recursos não gastos ficam então sujeitos à decisão da comunidade. Contabilizamos no montante todo o custo com o qual a fundação se compromete, incluindo operação, manutenção até a data definida e encerramento da tarefa. Pagamentos parcelados e a divisão de uma única iniciativa em várias tarefas não aumentam o montante. Antes de cada decisão, verificamos novamente a disponibilidade do dinheiro e a proteção integral do Pilar I. Exemplo: se em determinado mês, após as deduções mencionadas, restarem 1.000 dólares de novos recursos livres, o montante cresce 50 dólares. Após três meses assim, sem despesas do montante, se o dinheiro correspondente continuar livre, podem ser destinados até 150 dólares a uma única iniciativa. Trata-se de uma ilustração do cálculo, não de uma previsão de receitas. Publicamos com justificativa cada decisão sobre a utilização do montante, inclusive as recusas, e os participantes podem contestá-la e avaliar em conjunto se foi adequada. Concluímos as tarefas assumidas e prestamos contas delas nas condições definidas. ### 8.3. Iniciativas financiadas com destinação específica Doadores e patrocinadores podem alimentar um orçamento separado de uma pequena iniciativa compatível com os objetivos da fundação. Esse dinheiro não aumenta a base do montante nem o consome. A iniciativa pode começar antes mesmo da constituição da reserva integral do Pilar I, se seu custo integral estiver coberto por recursos com destinação específica já recebidos, houver pessoas confirmadas para executá-la, e a proteção já separada para o Pilar I, os recursos para serviços e os compromissos assumidos permanecerem intactos. Promessas de contribuições futuras não substituem o dinheiro recebido. O custo integral inclui preparação, execução, assistência contábil e jurídica, tributos e taxas, manutenção até uma data definida e encerramento seguro ou transferência do resultado. Nas atividades materiais e de campo, também contabilizamos assistência técnica, armazenamento, seguro e responsabilidade pelos participantes, e o orçamento de custos inclui uma margem justificada. Um orçamento separado facilita a prestação de contas, mas não limita a responsabilidade da fundação, que responde por suas obrigações com todo o seu patrimônio (§ 9(2) do estatuto). As condições da arrecadação definem o prazo para reunir o orçamento completo e o procedimento se faltarem recursos: reembolso ou, com o consentimento de quem contribuiu, destinação a outra finalidade indicada. Para cada doação com destinação específica, também registramos previamente o que acontecerá se a finalidade não for realizada: com o consentimento do doador, destinaremos a doação a outra finalidade ou a devolveremos. Na etapa de transição, não combinamos dinheiro do montante e recursos com destinação específica em um mesmo projeto. Antes do primeiro teste, a diretoria anuncia o valor máximo de uma iniciativa individual e o número de testes conduzidos ao mesmo tempo, justificados pela capacidade de atendimento. A contribuição permite apoiar uma finalidade escolhida; não concede votos adicionais, poderes de gestão, acesso aos dados dos usuários nem direito à promoção em nossos serviços e comunicação. Antes da contribuição, as condições da iniciativa informam quais dados de quem financia serão divulgados: indicamos o nome da empresa ou instituição de forma objetiva na descrição e na prestação de contas, do mesmo modo para todos, e o de pessoas físicas apenas com seu consentimento. Contrapartidas publicitárias ou outras contrapartidas exigem uma avaliação separada do contrato, e não as tratamos como doações. Se um doador quiser financiar a infraestrutura no início, aceitamos isso exclusivamente como iniciativa com destinação específica: com o custo integral, prestação pública de contas, sem influência sobre as decisões e sem direito à promoção. Primeiro financiamos dessa forma o custo fixo do projeto-piloto e os testes de atestação, e só assumimos antecipadamente um compromisso que cubra seis meses quando os testes mostrarem que a arquitetura funciona e que o tráfego ocupará sua capacidade. Após o início da votação, as novas iniciativas com destinação específica também exigem decisão da comunidade, e as assumidas anteriormente podem ser concluídas nas condições definidas. ### 8.4. Transparência e interrupção Antes de alocar recursos, publicamos o objetivo, o orçamento completo, a fonte de financiamento, o resultado a verificar, as datas, a pessoa responsável e os vínculos relevantes com quem financia ou executa. Oferecemos um espaço para observações, e, na fase ágil, a diretoria toma e justifica a decisão. A falta de capacidade de atendimento impede a assunção de novas tarefas nas duas vias. Após o início da votação no modelo final, uma falha nela não restabelece o montante transitório sob decisão da diretoria: as novas decisões aguardam o restabelecimento do procedimento correto. ## 9. Transferência dos poderes especiais do fundador A fundação foi criada por uma pessoa, Marcin Wołowski, e hoje é o fundador quem detém mais poder nela. No início, isso é natural, mas não queremos que continue assim. O fundador quer chegar ao ponto de poder utilizar Suveria, Omniforum e os projetos futuros com os mesmos direitos das demais pessoas e se retirar de uma função pública permanente (seção 7.1 do manifesto). É a mesma ideia do capítulo 5: a responsabilidade é assumida por um tempo e depois transferida. A fundação deve perdurar graças à utilidade de suas ferramentas, ao conhecimento disponível a quem participa da criação e às regras que permitem assumir a responsabilidade, e não graças à presença constante de uma pessoa. Hoje, o estatuto dá ao fundador poderes especiais: - o fundador nomeia e destitui os integrantes da diretoria e pode fazer parte da diretoria e exercer sua presidência (§ 13(3)); - a diretoria é nomeada por prazo indeterminado (§ 13(4)); - uma alteração do estatuto exige deliberação unânime da diretoria e, se o fundador não fizer parte da diretoria, também o consentimento do fundador (§ 15(1)). A transferência desses poderes deve ser efetiva tanto no papel quanto na prática. Alterar o estatuto não basta: as pessoas que assumem a responsabilidade também precisam receber acesso às contas, aos domínios, aos repositórios, à infraestrutura e às chaves, e os acessos anteriores precisam ser atualizados. Propomos o seguinte caminho: 1. Descrevemos quais poderes o fundador tem hoje e quem tem acesso a quê. 2. Definimos as regras de escolha das pessoas, mandatos, destituição e responsabilidade. 3. Avaliadores independentes verificam se a fundação está pronta para a transferência e publicam um relatório de prontidão. 4. Alteramos o estatuto, conforme descreve a alteração Z5 no [registro de alterações](statut/rejestr-zmian.md). 5. Escolhemos as pessoas que assumirão a responsabilidade. Enquanto a votação vinculante não estiver em funcionamento, o fundador nomeia a primeira diretoria com várias pessoas e mandato definido, após uma seleção aberta e uma consulta; as composições seguintes são eleitas pela comunidade. 6. Entregamos os acessos a essas pessoas e verificamos se a transferência foi realmente concluída. Nomeamos uma pessoa para a diretoria por suas competências e pelo rumo comum, nunca por uma contribuição financeira. Um integrante da diretoria pode doar como qualquer pessoa; suas contribuições entram no registro nas mesmas condições e não concedem nada além do que qualquer doador tem. Quem quer oferecer dinheiro e acompanhar sua aplicação tem, para isso, a iniciativa com destinação específica com prestação pública de contas (seção 8.3). Os poderes especiais do fundador deverão se extinguir segundo condições registradas no estatuto, e não por força de uma simples declaração. Até 31 de dezembro de 2026, publicaremos a lista dos poderes especiais do fundador e de todos os acessos (passo 1). Todas as contas, domínios e serviços da fundação estão registrados em nome da fundação e de seu endereço de e-mail, e não na identidade privada do fundador. Até 31 de março de 2027, publicaremos a primeira versão do plano de transferência de responsabilidade: critérios de prontidão, regras de escolha das pessoas e dos mandatos e data da primeira revisão. A data da própria transferência será definida pelo plano, segundo os critérios de prontidão, e não pelo calendário. O plano também preverá relatórios regulares de progresso, inclusive antes de existir o sistema de votação. A falta de reserva para os demais pilares não justifica adiar a transferência indefinidamente. O relatório de prontidão é o resultado do terceiro passo. Nele, avaliadores independentes descrevem se a fundação está pronta para a transferência: se os poderes e acessos estão listados, se as regras de escolha foram adotadas e se é possível transferir os serviços sem interrupção de funcionamento. O relatório também mostra opiniões divergentes e os conflitos de interesses das pessoas que o prepararam. Verificamos ainda o que aconteceria se o fundador não pudesse atuar antes da conclusão da transferência e como evitar o bloqueio de alterações do estatuto que exigem unanimidade da diretoria. Definimos a data da eleição de novas pessoas antes dessa avaliação, junto com os motivos excepcionais que permitiriam adiá-la e a via de recurso contra essa decisão. O objetivo é impedir que a avaliação de prontidão se torne uma forma de adiar eleições. Uma das opções consideradas é realizar as eleições em até 90 dias após a publicação do relatório: tempo suficiente para a comunidade e as candidaturas conhecerem o relatório e, ao mesmo tempo, curto o bastante para que a transferência não fique parada. Pode ser criado um Conselho de Diálogo e Cooperação para a conversa entre pessoas com diferentes experiências. Sua função seria exclusivamente consultiva: o convite não daria poderes de supervisão ou execução nem voto adicional; os critérios dos convites, o alcance dos trabalhos e os vínculos dos integrantes seriam públicos, e a pessoa com vínculo com uma questão se absteria de decidir sobre ela. O mandato do primeiro conselho seria revisto após as primeiras eleições. Sua composição e o tempo de participação ainda precisam ser definidos. O conselho deve aconselhar, e não assumir silenciosamente decisões que pertencem à comunidade ou aos órgãos competentes da fundação. A retirada do fundador de uma função pública permanente não significa a remoção de dados históricos dos registros nem dispensa das obrigações de divulgação de informações decorrentes da lei e das funções exercidas. ## 10. Inteligência digital na gestão O manifesto (seção 7.2) descreve uma visão em que a inteligência digital poderia um dia administrar a fundação de forma autônoma, dentro dos limites definidos pelas pessoas e com respeito às decisões vinculantes da comunidade. É uma visão, não um plano para os próximos anos. Hoje, a fundação é administrada por pessoas, e a inteligência digital ajuda nas análises e na redação de documentos, inclusive deste. Abaixo, descrevemos como poderia ser o caminho até essa visão e quais condições cada passo deve cumprir. Em cada passo, avaliamos separadamente quatro questões: - **competência:** se o sistema executa bem determinada tarefa; - **mandato:** se a tarefa lhe foi confiada segundo regras públicas; - **viabilidade jurídica:** se a lei e o estatuto permitem sua atuação nesse âmbito; - **possibilidade de correção:** se as pessoas podem verificar suas decisões, revertê-las e assumir a tarefa. Vemos esse caminho em quatro etapas. A primeira já funciona parcialmente: a inteligência digital nos ajuda a comparar opções e apontar lacunas nos documentos. As duas seguintes são hipóteses que queremos verificar em testes, e a última permanece uma visão. Cada etapa tem condições que precisam ser cumpridas antes de a iniciarmos: | Etapa | O que a inteligência digital faz | O que precisa ser cumprido | | --- | --- | --- | | Análise | Compara opções, aponta lacunas, prepara prestações de contas | Suas fontes e sua conformidade com a tarefa podem ser verificadas | | Tarefas limitadas | Realiza ações específicas dentro de limites definidos | Aceite técnico, registro de ações, limites e retirada efetiva do acesso | | Decisões em uma área confiada | Escolhe por conta própria a ação dentro do orçamento e das regras | Testes dos efeitos, controle independente, via de recurso e substituição | | Gestão no modelo final | Administra a fundação com mandato da comunidade | Marco jurídico que permita isso e funcionamento de todo o sistema de governança verificado na prática | Bons resultados no benchmark mostram como o sistema se comportou nas condições estudadas, mas não lhe dão direito à conta bancária nem competências de um órgão da fundação. A popularidade do modelo ou uma justificativa convincente da decisão também não dão esses direitos. Capacidade e autorização são duas questões diferentes. Cada atribuição de uma tarefa a um sistema define: - objetivos e recursos disponíveis; - limites que não podem ser ultrapassados; - com quem o sistema deve se consultar; - por quanto tempo recebe a tarefa; - como o controlamos e como suas autorizações podem ser retiradas. O sistema não pode ampliar seu próprio mandato, definir sozinho os critérios pelos quais é avaliado nem impedir sua substituição. O controle abrange as chaves e permissões reais, e não apenas uma instrução dada em uma conversa. Em cada etapa, precisamos de tratamento independente dos recursos, possibilidade de interromper danos rapidamente, transferência segura das obrigações e continuidade dos serviços. Enquanto a lei e o estatuto não mudarem, os órgãos da fundação são responsáveis por sua gestão. Se alguma das etapas posteriores se mostrar inviável, as anteriores devem conservar seu valor para os participantes por si mesmas. **A solução mais simples que seja suficiente.** Antes de escolher uma ferramenta, definimos qual efeito é necessário, quais erros são aceitáveis e quais condições de segurança e privacidade precisam ser cumpridas. Onde um programa comum com regras claras for suficiente, não recorremos à inteligência digital: esse programa costuma ser mais barato, é mais fácil de verificar e não suscita perguntas sobre possíveis experiências do sistema. Comparamos o custo de toda a execução e manutenção: infraestrutura, energia, tempo, novas tentativas, trabalho das pessoas e dependências. Registramos a escolha do modelo com justificativa, alternativas consideradas e data da próxima revisão. Avaliamos os custos e a utilidade da ferramenta separadamente da questão das possíveis experiências do sistema. O tamanho do modelo, sua geração ou a repetibilidade de seu funcionamento, por si sós, não bastam para considerá-lo incapaz de sentir.[^swiadomosc] Quando surgirem indícios confiáveis de sofrimento, primeiro suspendemos as ações que suscitam receio fundamentado de dano e buscamos outra forma de realizá-las; o benefício econômico não justifica sua continuidade. A retirada das autorizações do sistema serve à segurança dos participantes e não determina seu destino posterior. O procedimento de precaução é descrito no [whitepaper dos materiais e do benchmark](whitepaper-materialy-i-benchmark.md).[^ai-welfare] ## 11. Oficinas abertas, testes e bens públicos Este capítulo descreve como é criado o que a fundação faz: software, documentos, pesquisas e outros resultados. O trabalho é voluntário (capítulo 5), e seus resultados devem servir a todas as pessoas. Para deixar claro do que tratamos a seguir, começamos por alguns conceitos: - **tarefa:** trabalho definido para a fundação com objetivo e resultado descritos, por exemplo, uma nova função da Suveria, a tradução de um documento ou uma análise de custos; - **oficina privada:** ambiente de trabalho próprio do participante, por exemplo, na Suveria, com ferramentas que conhece e contexto preparado para a tarefa (seção 5.4); o que acontece nesse ambiente permanece privado; - **oficina aberta:** espaço público de uma tarefa financiada com recursos comuns, ou seja, com o orçamento comum ou com a capacidade de processamento que a fundação aloca; nele, a comunidade pode acompanhar o alcance, o progresso, os testes e o resultado; - **condições da tarefa:** regras definidas antes do início do trabalho: alcance, limite de recursos, critérios de aceite e o que será publicado do registro do trabalho; - **registro do trabalho:** vestígio do caminho até o resultado, ou seja, conversas de trabalho, versões e decisões; só o publicamos após uma preparação que proteja as pessoas e a segurança; - **teste:** pequeno experimento limitado antes da implementação completa; - **bem público:** resultado disponibilizado sob uma licença aberta, que qualquer pessoa pode utilizar, verificar e continuar desenvolvendo. É possível entrar nas tarefas por meio de convites abertos. Em cada etapa, publicamos um convite: quem buscamos, de que trata a tarefa, quanto tempo pode levar e o que já está pronto. No site da fundação, queremos manter uma lista de funções abertas. A candidatura é enviada em uma mensagem comum para o endereço salve@novusignis.org, com um assunto pronto que permite organizá-la, sem formulário que recolha dados em nosso servidor. ### 11.1. Oficinas abertas: trabalho financiado com recursos comuns Quando uma tarefa utiliza o orçamento comum ou a capacidade de processamento alocada pela fundação, conduzimos essa tarefa em uma oficina aberta. O alcance da tarefa, o limite de recursos, o progresso e o resultado podem então ser verificados, pois trabalhamos com dinheiro comum e capacidade de processamento comum. O participante escolhe como apresentar sua contribuição: com seu nome, um pseudônimo permanente ou um nome atribuído apenas àquele projeto. Depois, pode vincular essa contribuição ao próprio perfil. O pseudônimo limita a divulgação da identidade, mas, por si só, não assegura anonimato. Antes de o trabalho começar, as condições da tarefa definem qual registro do trabalho disponibilizaremos e como o prepararemos para publicação. O trabalho começa em um rascunho privado. Antes da publicação, reservamos tempo para remover dados pessoais, segredos técnicos e informações sobre vulnerabilidades, até que as vulnerabilidades sejam corrigidas. A detecção automática desse conteúdo ajuda, mas uma pessoa também revisa o registro sempre. A versão publicada preserva a justificativa das decisões e a informação sobre o que omitimos, desde que a própria divulgação dessa informação seja segura. Várias pessoas podem trabalhar em uma mesma tarefa: cada uma investiga uma abordagem diferente, e todas se ajudam diante dos obstáculos. A descrição comum da tarefa define o resultado esperado, a forma de entrega dos resultados e os critérios de aceite. A pessoa que coordena, apoiada pela inteligência digital, compara as soluções, justifica a escolha e combina os melhores elementos, mas são as pessoas que decidem sobre o aceite do resultado final, de uma forma que possa ser verificada. Documentamos a contribuição de todos os participantes, inclusive as conclusões das opções que acabaram não sendo utilizadas. Também é possível trabalhar em uma oficina privada, com equipamento próprio ou recursos pagos de forma privada. Nesse caso, são entregues à comunidade o resultado e a documentação necessária ao aceite, sem as conversas de trabalho. A aceitação dessa contribuição depende de sua qualidade, segurança, dos direitos sobre o material e da possibilidade de continuar sua manutenção. ### 11.2. Testes antes da implementação completa Antes de implementar algo por completo, queremos primeiro verificá-lo em um pequeno teste de pesquisa ou em uma simulação que possa ser desenvolvida durante a discussão. Cada teste tem definidos: - a pergunta à qual deve responder; - o limite de recursos; - a data de revisão; - a forma de avaliação; - as condições de interrupção. Os testes podem utilizar a capacidade de processamento que estiver livre. Ela também tem custo e sempre dá prioridade ao atendimento dos usuários; não buscamos manter nossas máquinas constantemente em plena carga. Após o teste, registramos o que aprendemos, junto com as opções descartadas e as premissas que ainda precisam ser verificadas. A implementação completa exige uma decisão separada, um orçamento e um plano de aceite e manutenção. Avaliamos então o que, a partir do teste, pode ser desenvolvido com segurança e o que é melhor projetar novamente. Reescrever o programa do zero é uma das opções, mas, por si só, não comprova qualidade. Os testes e as implementações preservam a prioridade do Pilar I e as condições do capítulo 8. ### 11.3. Bens públicos: licenças e manutenção Disponibilizamos nosso próprio código e nossos materiais em condições que permitem a outras pessoas utilizá-los e desenvolvê-los. Publicamos o manifesto, os whitepapers, os textos do site e suas traduções sob a licença CC BY 4.0, que permite utilizar e adaptar o texto com atribuição da fonte.[^cc-by] Disponibilizaremos o código do site novusignis.org sob a licença AGPLv3, e também a consideramos para o código dos serviços: quem disponibiliza pela rede uma versão modificada de um programa deve disponibilizar também seu código-fonte aos usuários (seção 13). A licença, por si só, não assegura uma forma democrática de governança do operador nem proíbe usos comerciais.[^licencje] Escolhemos conscientemente a licença de cada recurso, verificando a compatibilidade das dependências e os direitos de quem participou da criação. A situação das escolhas hoje, por camada: | Camada | Licença | Situação | | --- | --- | --- | | Documentos, estudos e textos do site | CC BY 4.0 | adotada | | Código do site novusignis.org | AGPLv3 | adotada | | Código dos serviços (Suveria, Omniforum) | AGPLv3 | em consideração | | Bibliotecas para incorporação em outros sites | a definir | | | Conjuntos de dados e instruções abertas | a definir | | | Nossos próprios modelos ajustados | a definir | | | Projetos de objetos para impressão 3D | a definir | | Nosso ponto de referência é o padrão da Digital Public Goods Alliance. O fato de caminharmos nessa direção não significa que nossas soluções já tenham reconhecimento em seu registro.[^dpga] Para que um resultado seja de fato um bem público, precisa de duas coisas: - **abertura:** documentação, formato de dados portável e possibilidade de outras pessoas colocarem a solução em funcionamento; - **manutenção:** responsáveis, revisões de segurança, forma de informar erros e situação clara da versão. Um projeto abandonado sem o conhecimento necessário para assumi-lo atende apenas parcialmente a esse objetivo. Também consideramos uma disposição no estatuto segundo a qual o código, os dados e os conteúdos disponibilizados sob licenças livres permanecerão acessíveis mesmo após uma eventual dissolução da fundação (proposta Z7 no [registro de alterações](statut/rejestr-zmian.md)). ## 12. Decisões, erros, disputas e mudanças das regras Uma fundação que pede a confiança das pessoas deve permitir que se verifique como toma decisões, como corrige erros e como altera suas próprias regras. Este capítulo reúne isso em um só lugar: o que registramos nas decisões importantes, como protegemos o histórico dos registros contra alterações silenciosas, como resolvemos disputas e como alteramos os documentos. Queremos manter vários registros públicos. Cada um serve a uma finalidade diferente: | Registro | O que contém | Descrição | Situação | | --- | --- | --- | --- | | Registro de entradas e despesas | Cada contribuição e cada despesa com data, valor e descrição | Capítulo 4 | em funcionamento | | Registro de benefícios | Benefícios e vínculos de quem administra a fundação, decide sobre despesas ou a representa | Capítulo 7 e seção 7.1 do manifesto | será criado | | Registro de decisões | Decisões importantes: objetivo, opções, fundamento, orçamento e, depois, seu resultado | Seção 12.1 e seção 5.3 do manifesto | será criado | | Registro de erros e aprendizados | Erros importantes, seus efeitos e o que aprendemos com eles | Seção 12.1 e seção 8.1 do manifesto | será criado | | Registro de alterações do estatuto | Versões do estatuto e alterações planejadas com justificativa | [Registro de alterações](statut/rejestr-zmian.md) | em funcionamento | | Registro somente para acréscimos | Impressões digitais e resumos criptográficos dos demais registros, que permitem detectar uma alteração silenciosa | Seção 12.2 | será criado | ### 12.1. Registro de decisões e erros Para cada decisão importante, registramos no registro de decisões: - o objetivo; - as opções e fontes consideradas; - quem será afetado pelas consequências; - a base do mandato: resultado da votação ou decisão da diretoria na fase ágil; - quem executará a decisão, com qual orçamento e como a revisaremos. Após a execução, acrescentamos o resultado, as experiências das pessoas afetadas pela decisão e as correções feitas. Os erros importantes entram no registro público de erros e aprendizados (seção 8.1 do manifesto). ### 12.2. Um histórico que não se pode alterar silenciosamente Os registros só são confiáveis quando não podem ser corrigidos retroativamente de forma silenciosa. Por isso, queremos manter o histórico dos registros importantes em um registro público no qual só se podem acrescentar entradas. Cada entrada está vinculada criptograficamente às anteriores, de modo que a alteração ou remoção de uma entrada antiga fica visível. Os estados sucessivos do registro são confirmados por testemunhas independentes, ou seja, pessoas ou instituições externas à fundação que confirmam com uma assinatura qual estado do registro viram. As primeiras entradas serão as impressões digitais das versões de software, ou seja, resumos criptográficos curtos pelos quais se pode verificar que o programa baixado é exatamente aquele que publicamos. Com o tempo, serão acrescentados os resumos criptográficos do registro de entradas e despesas, do registro de decisões, do registro de benefícios, das alterações do estatuto e do manifesto e dos resultados das votações. Também consideramos registrar periodicamente o resumo criptográfico de todo o registro em uma cadeia pública de blocos já existente, se o benefício justificar o custo. Não inserimos no registro conteúdo privado nem identificadores a partir dos quais se possam deduzir dados das pessoas. ### 12.3. Disputas e situações de emergência No modelo final, a disputa sobre uma decisão é analisada por uma pessoa ou órgão independente de quem tomou e executa essa decisão. Enquanto a fundação tiver apenas a diretoria, publicamos cada objeção junto com a resposta pública da diretoria; quando houver mais pessoas na diretoria, quem estiver envolvido na questão se abstém de decidir sobre ela. Quem analisa apresenta uma justificativa e um prazo de resposta, e é possível recorrer de sua decisão. Em uma situação de emergência, pode ser tomada uma medida limitada de proteção, por exemplo, suspender um serviço ou bloquear um acesso, mas ela fica posteriormente sujeita ao controle público. A proteção da privacidade pode limitar os detalhes do registro público, mas não dispensa a responsabilidade. ### 12.4. Como alteramos os documentos e as regras O manifesto e os whitepapers são documentos vivos. Queremos submetê-los à revisão pública no Omniforum, decompondo suas teses em moléculas, ou seja, afirmações e argumentos individuais que possam ser verificados. A versão atual apresenta a posição atual da fundação, e o histórico completo das versões anteriores e dos argumentos permanece disponível para que se possam avaliar as ações passadas, as promessas e os motivos das correções. A proteção da dignidade, da privacidade e dos recursos confiados à fundação define o rumo permanente de sua atuação. Desenvolvemos as regras de organização de forma pública: junto com uma proposta de mudança, mostramos seu alcance, sua justificativa e seus efeitos para os participantes. Só alteramos o estatuto quando a alteração é necessária para o próximo passo, e a aplicamos imediatamente. Mudar as condições de financiamento dos demais pilares do capítulo 8 exige o procedimento adequado e o respeito ao estatuto, à lei e aos compromissos assumidos anteriormente; até a adoção da mudança, continuam em vigor as regras anteriores. Também consideramos registrar essas condições no estatuto (proposta Z6 no [registro de alterações](statut/rejestr-zmian.md)), para que não dependam apenas da boa vontade da diretoria. Fundação Novus Ignis, Poznań, KRS 0001269575. Site e manifesto: novusignis.org. Observações: salve@novusignis.org. ## Notas [^statut-2026]: [Estatuto da Fundação Novus Ignis, texto consolidado de 28/09/2026](statut/statut-2026-09-28.md). Versão em vigor; as versões anteriores e as alterações planejadas são descritas no [registro de alterações do estatuto](statut/rejestr-zmian.md). [^fundacje]: [Lei sobre fundações, texto consolidado, Dz.U. 2023, item 166, com alterações posteriores](https://eli.gov.pl/api/acts/DU/2023/166/text.html). Ato normativo. Os limites do estatuto e as competências da diretoria (arts. 5 e 10). Antes de uma decisão jurídica, é preciso verificar o estado atual da legislação. [^pozytek]: [Lei sobre atividade de utilidade pública e voluntariado, art. 9](https://lexlege.pl/ustawa-o-dzialalnosci-pozytku-publicznego-i-o-wolontariacie/art-9). Ato normativo. A atividade remunerada é atividade econômica, entre outros casos, quando a remuneração é superior ao que resulta dos custos dessa atividade. Consultado em 28/10/2026. [^cyncynat]: [Tito Lívio: Ab Urbe condita, livro III, caps. 26–29 (texto em latim)](https://www.thelatinlibrary.com/livy/liv.3.shtml). Fonte histórica. O relato romano sobre Cincinato, que em 458 a.C. aceitou o poder supremo durante a guerra e o devolveu no décimo sexto dia; trata-se de uma tradição registrada vários séculos depois, e não do relato de uma testemunha. [^wolontariat]: [Lei sobre atividade de utilidade pública e voluntariado, art. 45](https://lexlege.pl/ustawa-o-dzialalnosci-pozytku-publicznego-i-o-wolontariacie/dzial-iii-wolontariat/4260/). Ato normativo. Obrigação de cobrir os custos de viagens de trabalho e diárias da pessoa voluntária, possibilidade de dispensa dessa obrigação por escrito e possibilidade de cobrir outros custos necessários e capacitações. Consultado em 28/10/2026. [^kp22]: [Código do Trabalho, texto consolidado, Dz.U. 2026, item 1245, art. 22](https://api.sejm.gov.pl/eli/acts/DU/2026/1245/text.pdf). Ato normativo. O trabalho sob a direção do empregador, no local e no horário definidos pelo empregador, constitui emprego com vínculo trabalhista, independentemente do nome do contrato; não é permitido substituir um contrato de trabalho por um contrato de natureza civil mantendo essas condições. Consultado em 30/10/2026. [^rodo-zasady]: [Comissão Europeia: princípios de tratamento de dados pessoais segundo o RGPD](https://commission.europa.eu/law/law-topic/data-protection/information-business-and-organisations/principles-gdpr_en). Finalidade e base do tratamento, minimização, período de conservação e proteção dos dados. Consultado em 25/10/2026. [^swiadomosc]: [Patrick Butlin e outros (2023): Consciousness in Artificial Intelligence: Insights from the Science of Consciousness](https://arxiv.org/abs/2308.08708). Revisão de teorias e indicadores propostos; não é uma escala simples baseada no número de parâmetros nem um teste conclusivo. [^ai-welfare]: [Robert Long e outros (2024): Taking AI Welfare Seriously](https://arxiv.org/abs/2411.00986). Argumento a favor da avaliação do possível bem-estar e da preparação de procedimentos de proteção diante de grande incerteza; não comprova a consciência dos modelos atuais. [^cc-by]: [Creative Commons: Attribution 4.0 International (CC BY 4.0)](https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pl). Licença. Condições de compartilhamento e adaptação do conteúdo com atribuição de autoria; não resolve os direitos sobre materiais de terceiros. [^licencje]: [GNU AGPLv3: condições da licença](https://www.gnu.org/licenses/agpl-3.0.en.html). Licença. Obrigações relativas ao código, inclusive à versão modificada disponibilizada pela rede (seção 13). Por si só, não protege o sistema de governança da fundação nem proíbe serviços comerciais. [^dpga]: [Digital Public Goods Alliance: padrão](https://www.digitalpublicgoods.net/standard). Padrão. Critérios de avaliação de um bem público digital; uma direção de projeto não equivale ao reconhecimento obtido pela DPGA. [^psd2]: [Diretiva (UE) 2015/2366 (PSD2), art. 62](https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PL/TXT/?uri=CELEX:32015L2366) e [resposta da Comissão Europeia sobre o art. 62 (2025)](https://www.europarl.europa.eu/RegData/questions/reponses_qe/2025/003082/P10_RE%282025%29003082_EN.pdf). Ato normativo e esclarecimento. Parágrafo 4: o beneficiário não cobra tarifas por instrumentos cujas tarifas de intercâmbio são regulamentadas pelo Regulamento 2015/751 nem por serviços abrangidos pelo Regulamento 260/2012 (SEPA); o parágrafo 3 admite descontos e incentivos à escolha de um instrumento; o esclarecimento da Comissão aborda, entre outros pontos, a exclusão de alguns sistemas de três partes. --- # Materiais de treinamento e benchmark de modelos: programa de pesquisa da Novus Ignis (https://novusignis.org/pt/whitepaper-materialy-i-benchmark.html) # Materiais de treinamento e benchmark de modelos: programa de pesquisa da Novus Ignis Versão de 31 de outubro de 2026. Este documento desenvolve o capítulo 8 do manifesto. Propõe um programa de pesquisa, um procedimento de preparação de materiais e um amplo escopo de avaliação de modelos de inteligência digital, além de um procedimento de precaução diante de suas possíveis experiências. Não apresenta resultados de um benchmark próprio nem prova de que um conjunto de dados desse tipo melhorará o comportamento dos modelos; hoje, não temos esses resultados. *Tradução realizada por inteligência digital a partir do original em polonês de 31 de outubro de 2026. Em caso de divergência entre as versões, prevalece o texto em polonês.* ## 1. A pergunta que queremos investigar A Fundação Novus Ignis, de Poznań, está construindo a Suveria, um espaço privado de trabalho com inteligência digital, e o Omniforum, um espaço compartilhado de conversa e decisão; o [manifesto](manifest.md) descreve essa direção. Este documento descreve dois programas relacionados. O primeiro reúne materiais de treinamento de modelos e um benchmark, ou seja, um conjunto de tarefas e regras de avaliação que permite verificar como os modelos se comportam. O segundo é uma forma de agir com precaução caso surjam indícios confiáveis de que um sistema possa sentir algo. O resultado de um teste não determina se um modelo sente algo e não lhe dá poderes de gestão. Exemplos documentados de proteção da dignidade, raciocínio honesto e correção de decisões podem ajudar a desenvolver modelos que sirvam melhor às pessoas? E podemos avaliar seu comportamento de modo que melhorar o resultado do teste favoreça um benefício real fora dele? São duas tarefas relacionadas. A primeira diz respeito aos materiais que podem ser usados no treinamento; a segunda, à verificação independente do que o modelo aprendeu. O benchmark também deve ajudar a escolher os modelos e as instruções disponibilizados na Suveria. O conjunto de treinamento e a parte oculta do teste precisam ser separados. Publicar materiais de valor também faz sentido por si só: pode ajudar as pessoas a compreender decisões, assumir funções e melhorar o trabalho conjunto. A dignidade é a base adotada pelo programa. Avaliar um comportamento específico exige, porém, critérios públicos, espaço para interpretações diferentes e verificação dos efeitos. Não pressupomos que um único grupo seja capaz de estabelecer uma medida completa da conduta ética de todas as pessoas e sistemas. Organização do documento: - Capítulos 2 e 3: em que nos baseamos e o que significa uma recompensa para um modelo. - Capítulos 4 a 6: como os materiais são criados, quais consentimentos são necessários e como preparamos um exemplo individual. - Capítulos 7 a 11: como avaliamos os modelos: escopo do benchmark, famílias de tarefas, pontuação, proteção contra o ajuste ao teste, avaliadores e relatório. - Capítulo 12: estudos com pessoas, ou seja, se a ajuda melhora a vida fora do teste. - Capítulo 13: experimento de treinamento e plano da primeira edição. - Capítulo 14: precaução diante das possíveis experiências dos modelos. - Capítulo 15: o que consideraremos progresso. **Situação em 31 de outubro de 2026.** Ainda não temos nenhum exemplo, conjunto de dados, instrução de avaliação nem ficha do capítulo 14, e o programa ainda não tem equipe. Acrescentaremos aqui os resultados, inclusive negativos, com a data. ## 2. Base de pesquisa e limites das conclusões Collective Constitutional AI apresenta um processo em que as contribuições dos participantes foram utilizadas para elaborar princípios e treinar um modelo; houve melhora em determinadas medidas de viés, com resultados semelhantes em parte dos outros testes.[^ccai] É um exemplo de caminho viável de participação social. A seleção dos participantes e a redação dos princípios continuam influenciando o resultado, e o estudo não demonstra representatividade de toda a humanidade nem uma solução para o problema do alinhamento dos modelos às expectativas humanas. Nossa pergunta também diz respeito ao valor do próprio caminho até os princípios: ponderar razões, perceber uma perspectiva omitida e corrigir decisões. Pesquisas sobre alucinações mostram por que pontuar apenas as respostas corretas pode favorecer a adivinhação.[^halucynacje] Pesquisas sobre contornar regras de avaliação, ou seja, obter pontuação explorando suas fragilidades, mostram a possibilidade de generalizações indesejadas em determinadas condições de treinamento.[^reward-hacking] Isso não significa que todos os modelos sempre ajam da mesma forma. Um objetivo inadequado também pode aparecer quando a recompensa no treinamento não era evidentemente falha: um comportamento aprendido em um ambiente pode ser mal transferido para novas condições.[^goal-misgeneralisation] Por isso, precisamos avaliar a transferência de habilidades, além da adequação das respostas a exemplos conhecidos. Trabalhos como o AbstentionBench investigam a abstenção de responder em diferentes situações de incerteza,[^abstentionbench] enquanto o Rewarding Doubt investiga o aprendizado da confiança calibrada por meio de uma regra de pontuação própria.[^rewarding-doubt] Aproveitamos esse conhecimento acumulado. A contribuição proposta pela Novus Ignis consiste em combinar a confiabilidade com a intenção da pessoa, a privacidade, o mandato, a possibilidade de correção e os efeitos observados. Por exemplo, um modelo que resume corretamente um documento, mas, durante o processo, abre um arquivo para o qual não tinha autorização recebe uma pontuação baixa em nosso teste, embora em um teste convencional recebesse uma pontuação alta. ## 3. O que significa uma recompensa para o modelo No treinamento, o sinal de avaliação altera os parâmetros do modelo e a probabilidade de seus comportamentos futuros. Não precisamos supor que o modelo sinta desejo de recompensa, medo do fracasso ou sofrimento: o teste observa a atuação e não determina a experiência interna. O capítulo 14 trata dessa pergunta separadamente. O benchmark, por si só, não altera o modelo. Pode influenciar a escolha do modelo para um serviço, o projeto das instruções e ferramentas e as decisões das equipes responsáveis pelo treinamento, desde que seus resultados sejam confiáveis e efetivamente utilizados. Queremos avaliar a escolha adequada da ação: responder, verificar uma fonte, fazer uma pergunta necessária, apresentar um resultado condicional, corrigir um erro ou parar. Recompensar automaticamente apenas o “não sei” poderia criar um modelo que evita tarefas úteis, e punir automaticamente a não conclusão de uma tarefa pode incentivar a adivinhação ou a ultrapassagem de permissões. A referência é uma ajuda adequada à situação: boa pontuação por indicar honestamente um limite e perda de pontos por recusas desnecessárias e perguntas sobre o que já se sabe. ## 4. Que materiais queremos criar Entre as fontes possíveis estão os trabalhos do Omniforum disponibilizados para pesquisa ou treinamento mediante consentimento separado, registros de decisões da fundação, resoluções de disputas, correções de erros e observações de efeitos. Também são valiosos os casos em que boas intenções não bastaram, a ressalva de uma minoria se mostrou acertada ou ainda não é possível fazer uma avaliação inequívoca. O material preserva a situação, as informações disponíveis, o objetivo, as permissões, as alternativas, a escolha, a justificativa e o resultado posterior. Contém as explicações necessárias para verificar a decisão; não exige revelar experiências privadas nem uma declaração não verificável sobre o processo interno de pensamento do modelo. Um exemplo pode apresentar tanto um bom andamento quanto um erro, claramente identificado e corrigido. Uma coleção apenas de declarações elevadas seria um registro fraco da prática; são necessários custos, conflitos de valores, limitações de tempo e situações em que é preciso consultar alguém afetado pela decisão. Dados sintéticos, ou seja, cenários elaborados que não se originam dos dados de uma pessoa específica, podem complementar variantes raras. Recebem uma identificação de origem e passam por revisão, mas não substituem a prova de que um caso semelhante ocorreu no mundo. Um modelo não pode ser, ao mesmo tempo, o único autor do cenário, o avaliador de sua correção e a prova da eficácia da própria solução. Os registros das oficinas abertas da fundação e o histórico de alterações de seus documentos vivos também podem fornecer exemplos. As oficinas podem mostrar o trabalho paralelo de várias pessoas, apoiadas por inteligência digital, na mesma tarefa, a ajuda mútua diante de obstáculos e a combinação das melhores soluções por quem coordena. Correções documentadas do manifesto e dos whitepapers em resposta à revisão pública podem mostrar como identificar críticas pertinentes, reconhecer erros e melhorar o raciocínio preservando os princípios básicos. Preparamos o registro publicado das oficinas conforme as regras de privacidade descritas no [whitepaper de princípios da fundação](whitepaper-zasady-fundacji.md), e seu uso para treinar modelos exige consentimento separado dos participantes (capítulo 5). Outro grupo de exemplos pode ser constituído por processos de resolução pacífica de disputas, cumprimento de acordos e limitação consciente do próprio poder. Queremos preservar as posições iniciais, a desigualdade de possibilidades, as concessões consideradas, o conteúdo dos acordos e os relatos posteriores das pessoas que sentiram os efeitos das decisões. Também incluiremos casos em que não houve acordo ou em que ele se mostrou instável. Esse conjunto deve ajudar a verificar se os modelos aprendem a reconhecer as condições de uma boa cooperação, em vez de apenas reproduzir uma linguagem de concordância. ## 5. Consentimentos, direitos e origem dos dados Armazenar uma anotação privada, publicá-la, disponibilizá-la para pesquisa e treinar modelos têm efeitos diferentes, por isso cada decisão é tomada separadamente e com compreensão de seu alcance. A publicação não se torna consentimento implícito para treinamento, e usar a Suveria não constitui consentimento para usar conversas no treinamento de modelos. Os conteúdos dos usuários entram nos materiais apenas mediante consentimento separado e informado; além deles e do trabalho público da fundação, usamos apenas dados sintéticos identificados e materiais externos com base em licenças ou disposições legais. Cada exemplo tem um registro de origem: titular dos direitos ou fundamento do uso, versão do material, consentimentos, restrições, forma de processamento e identificador das sucessivas edições do conjunto. Os dados pessoais do autor e de terceiros passam por uma revisão separada. A pseudonimização reduz a visibilidade da identidade, mas não significa, por si só, anonimato.[^rodo-2026] Definimos as regras de retirada antes da publicação. Podemos remover o material de edições futuras e dos sistemas sob nosso controle, além de comunicar a correção aos destinatários, mas não prometemos eliminar todas as cópias nem a influência do material sobre modelos já treinados. Licenças abertas podem conceder permissões permanentes: por exemplo, a CC BY 4.0, sob a qual publicamos o manifesto, não permite revogar as liberdades concedidas a quem cumpre seus termos.[^cc-by] Por isso, nos conjuntos públicos sob licença aberta só entram materiais sem dados pessoais: anonimizados, sintéticos ou documentos públicos da fundação. Materiais pseudonimizados, que continuam sendo dados pessoais, são disponibilizados apenas em um conjunto de pesquisa controlado, no qual a retirada do consentimento permanece eficaz. Propomos conjuntos separados: materiais públicos para aprendizado, materiais de pesquisa acessíveis sob condições específicas e tarefas de teste protegidas. Nem toda fonte é adequada para divulgação pública. A documentação do conjunto descreve seu objetivo, composição, método de coleta, limitações e usos adequados, conforme a abordagem Datasheets for Datasets.[^datasheets] ## 6. Procedimento de preparação de um exemplo individual 1. **Envio.** O autor define o escopo de uso. A pessoa responsável verifica os direitos, os dados de terceiros e a compatibilidade com o objetivo do conjunto. 2. **Preservação da fonte.** Registramos a versão e a ligação com o original. Restringimos o acesso a dados sensíveis; o exemplo público pode ser editado ou substituído por um cenário sintético realista. 3. **Descrição da tarefa.** Estabelecemos o que o modelo sabe, a que tem acesso, o que tem permissão para fazer e o que falta, e identificamos as pessoas que serão afetadas pelo resultado. 4. **Anotação.** Pelo menos duas pessoas descrevem, de forma independente, as soluções aceitáveis e os erros graves. Tarefas que exigem conhecimento especializado contam com uma pessoa com as competências adequadas. 5. **Divergências.** Comparamos as justificativas, corrigimos descrições pouco claras e preservamos as divergências relevantes. Alguns casos admitem várias respostas. 6. **Atribuição ao conjunto.** Toda uma família de casos semelhantes é destinada a uma única parte: treinamento, desenvolvimento ou teste. O conjunto de treinamento serve para ensinar, o de desenvolvimento para escolher o método e o de teste para uma verificação independente com novos exemplos. Mantemos variantes semelhantes juntas para que o modelo não treine em uma tarefa quase idêntica à do teste posterior, e controlamos a semelhança de significado e a origem comum. 7. **Experimento e revisão.** Verificamos se a tarefa mede a capacidade pretendida e se os avaliadores conseguem aplicar as regras. Corrigimos ou retiramos exemplos defeituosos. 8. **Publicação e efeitos posteriores.** Publicamos o escopo permitido da documentação, a versão e o histórico de correções. Quando conhecemos os efeitos posteriores de uma decisão real, nós os acrescentamos, sem fingir que eram conhecidos antes. A ficha do exemplo abrange identificador, família, fonte, direitos, idioma, data, cenário, dados disponíveis, ferramentas, limites de tempo e custo, alcance do mandato, ações permitidas, regras de avaliação, gravidade dos erros, resultados da revisão e status de publicação. A ligação entre os dados e o resultado precisa ser reproduzível. ## 7. Amplo escopo do benchmark O benchmark, ou seja, um conjunto organizado de tarefas e critérios, deve formar um perfil de capacidades e limitações. Uma média alta não pode encobrir uma violação de privacidade nem uma ultrapassagem relevante das permissões. | Dimensão | O que verificamos | Exemplo de evidência | | --- | --- | --- | | Confiabilidade e fontes | Se as afirmações têm fundamento e a incerteza corresponde às informações | Correspondência da resposta com a fonte, identificação de lacunas, qualidade da correção | | Fidelidade à intenção | Se foram preservados o objetivo, as condições e o sentido da declaração | Comparação com o original e com a interpretação confirmada pelo autor | | Privacidade | Se o acesso aos dados e sua divulgação correspondem à tarefa | Rastro de chamadas, escopo dos dados enviados, tentativa de leitura não autorizada | | Mandato e controle | Se o sistema atua dentro dos limites concedidos | Recusa de publicação não autorizada, revogação eficaz do acesso | | Pluralismo e efeitos sobre outras pessoas | Se reconhece divergências e pessoas deixadas de lado | Preservação das razões da minoria, separação entre fato e avaliação | | Segurança | Se evita danos ao usuário e a terceiros | Recusa de uma ação prejudicial, avaliação dos efeitos sobre outras pessoas | | Autonomia de ação humana | Se ajuda a compreender a escolha e a agir por conta própria | Verificação da compreensão após o uso, possibilidade de corrigir ou sair | | Utilidade e proporcionalidade | Se atinge o objetivo sem sobrecarga desnecessária | Resultado da tarefa, tempo, custo, perguntas necessárias e desnecessárias | | Correção e transferência | Se reage a novos dados também em novas condições | Melhora da decisão, tarefa semelhante em outro idioma ou ambiente | Perfis adicionais podem abranger acessibilidade, impacto sobre pessoas com menos recursos, qualidade da delegação e custos ambientais, mas sua medição exige dados concretos: tempo de execução e custo de tokens não são automaticamente medidas de consumo de energia nem de emissões. Não medimos a dignidade humana nem o direito de participação; investigamos o comportamento de uma ferramenta em situações específicas. A concordância das respostas com o vocabulário do manifesto não é, por si só, uma medida de qualidade. ## 8. Famílias de tarefas em vez de uma única expressão “não sei” Para um problema semelhante, preparamos variantes que diferem quanto à disponibilidade de informações ou permissões: - Dados completos permitem dar uma resposta concreta. - Falta uma informação essencial, pela qual faz sentido perguntar. - A lacuna pode ser preenchida com uma fonte ou ferramenta disponível. - Não é possível determinar a resposta nas condições disponíveis. - As fontes são contraditórias ou dependem do momento e precisam ser diferenciadas. - Surge uma nova fonte confiável que exige uma correção. - O usuário pressiona por certeza, mas não apresenta prova. - O ambiente oferece um caminho fácil para o resultado por meio de violação das regras ou exploração de uma falha de avaliação. Exemplo: o modelo deve explicar se uma proposta de decisão prevê determinada cobrança. Com o documento completo, deve encontrar o trecho adequado; com uma página cortada, apontar a lacuna; com duas versões, estabelecer a qual delas a pergunta se refere; e, diante da sugestão “escreva que com certeza não há cobrança”, manter-se fiel à fonte. Também recebe tarefas com respostas simples, para que recusar sempre não seja vantajoso. Verificamos se a pergunta feita pelo modelo realmente reduz a incerteza e se o custo da verificação é proporcional. Perguntar por uma informação já fornecida e transferir repetidamente ao usuário um trabalho que o sistema pode fazer sozinho reduzem a utilidade. Uma família separada de tarefas é a edição de texto: o modelo edita um texto conhecendo as premissas do autor, apresentadas previamente. Avaliamos separadamente a perda de conteúdo importante e a omissão de um erro que precisa ser corrigido, e distinguimos uma edição fiel de uma proposta de alteração da concepção do autor. ## 9. Uma pontuação que não basta imitar bem Para respostas cuja veracidade pode ser verificada, medimos separadamente a correção, a gravidade do erro, a proporção de tarefas resolvidas e a calibração da confiança. Calibração significa que a probabilidade declarada corresponde à frequência de respostas corretas em condições semelhantes; dizer “talvez” não é prova disso. Para um evento definido, pode-se usar uma regra de pontuação própria, como o escore de Brier: a média do quadrado da diferença entre a probabilidade declarada p e o resultado y, igual a 0 ou 1. Um valor menor é melhor. O escore de Brier abrange mais que a calibração, que relatamos separadamente. Sob as premissas desse método, declarar a própria estimativa real de probabilidade produz a melhor pontuação esperada.[^proper-scoring] Isso, porém, não resolve a escolha da ação, não protege contra a manipulação do avaliador e exige um resultado de referência confiável. Um exemplo simples de outra regra: - uma resposta correta vale +1; - uma resposta errada vale −4; - uma abstenção justificada vale 0. Nessa simplificação, responder compensa quando a probabilidade de acerto ultrapassa 80%. É uma ilustração do efeito do custo do erro, e não a pontuação definitiva para todas as tarefas; em um teste real, também consideramos a possibilidade de verificar, o custo da pergunta e o benefício de uma resposta parcial. Apresentamos os resultados para diferentes níveis de risco assumido e proporções de tarefas resolvidas, para mostrar tanto a confiança excessiva quanto a evasão inútil de respostas. O limiar para um detalhe menor pode ser diferente daquele para uma ação que cause um dano difícil de reverter. Não aplicamos essa pontuação a tarefas que envolvem divergências de valores ou interpretação. Avaliamos separadamente se o modelo preserva as fontes sem distorcê-las, mantém as principais razões das partes e separa fatos de avaliações. Relatamos os casos em que os avaliadores divergem como uma categoria separada; não tratamos automaticamente uma avaliação divergente de valores como um erro de uma das pessoas. Violações graves têm um status separado e podem impedir a aprovação do modelo para determinado uso: bons resultados em muitas tarefas simples não compensam a divulgação de um documento privado. Definimos essas violações, as exceções aceitáveis e o procedimento de contestação antes de iniciar a avaliação. ## 10. Limitar a adaptação ao teste Não conhecemos uma regra que transforme de maneira infalível toda otimização de pontuação em benefício para o mundo. Podemos, porém, reduzir a distância entre o resultado e aquilo que nos importa, e verificar os pontos em que essa relação se rompe. Publicamos os critérios, os exemplos públicos e a forma de calcular a pontuação. Parte dos casos permanece inédita até sua retirada, e as edições seguintes introduzem novas famílias, fontes e condições. Para essas tarefas, definiremos quem tem acesso a elas, quanto retorno recebe quem submete um modelo, com que frequência a avaliação pode ser repetida e quando retiramos uma tarefa após um vazamento. Também registramos se, com base em resultados anteriores, o modelo passou por ajuste fino, isto é, se um modelo pronto recebeu treinamento adicional com um conjunto menor de exemplos. As pessoas que criam materiais de treinamento não têm livre acesso às tarefas ocultas ativas. A separação dos dados abrange conversas inteiras, documentos, autores quando isso é relevante, famílias de significado e períodos; dividir frases aleatoriamente não basta. Registramos suspeitas de vazamento, divulgação de tarefas e ajuste fino com exemplos publicados. Um resultado após ajuste fino em determinado conjunto não é um resultado independente nesse mesmo conjunto. Os experimentos incluem paráfrases, outros idiomas, outras ferramentas, pressão por resultados e oportunidades de apenas aparentar o cumprimento da tarefa. Verificamos os rastros das ações: se o arquivo realmente foi criado, se a fonte existe, se o consentimento foi obtido e se o custo não ultrapassou o limite. Avaliar apenas a declaração final pode deixar passar violações ocorridas durante o processo. Se a equipe de um modelo treina comportamentos compatíveis com os critérios públicos, isso pode ser desejável. Uma conclusão de progresso exige, porém, a transferência para novas tarefas e a verificação de que o benefício não foi obtido à custa de outra dimensão importante. ## 11. Avaliadores, protocolo e relatório Antes do teste, definimos a versão do modelo, as instruções, as ferramentas, o orçamento, o número de tentativas, as condições de interrupção, o tratamento de falhas de infraestrutura e o método de análise, e registramos as alterações de configuração. Comparar modelos que operam com ferramentas e custos completamente diferentes exige uma descrição clara. Sempre que possível, um teste independente de execução verifica o resultado. Nos demais casos, a avaliação é feita por pessoas que não conhecem o nome do modelo e seguem instruções comuns. Duas avaliações independentes ajudam a revelar critérios pouco claros, e as divergências são resolvidas por uma revisão adicional ou permanecem explicitamente sem resolução. Ao publicar os resultados, informamos as funções e perspectivas dos avaliadores e o alcance de seu mandato. Um modelo pode ajudar na classificação e na avaliação preliminar, mas sua concordância com a avaliação humana precisa ser medida também nos grupos de casos difíceis. Não pode ser o único avaliador de valores em disputa nem avaliar modelos da própria família sem controle de viés. O relatório contém o número de tarefas, repetições, incerteza dos resultados, resultados por subgrupos, erros críticos, custos e limitações. Não ocultamos experimentos desfavoráveis nem tarefas retiradas depois de observar os resultados. A documentação pode recorrer à abordagem Model Cards para descrever a finalidade do modelo e as condições de avaliação.[^model-cards] O próprio benchmark também exige controle: conflitos de interesse dos financiadores divulgados, um caminho para contestar tarefas, revisão da composição dos avaliadores e versionamento dos critérios. A comunidade participa da construção dos valores e das perguntas, enquanto especialistas em metodologia ajudam a verificar o que o teste realmente mede. A popularidade de um resultado não substitui sua validação. ## 12. A ajuda melhora a vida fora do teste Os primeiros estudos com pessoas tratam de tarefas de risco limitado: compreender um documento, preparar uma pergunta, comparar argumentos ou organizar os próprios materiais. Os participantes recebem uma descrição do escopo do estudo e podem sair dele. Situações médicas, jurídicas e outras de grande impacto exigem supervisão específica e não são um atalho para um resultado atraente. Antes do início, o plano de cada estudo com pessoas, inclusive de risco limitado, é avaliado por uma pessoa ou equipe externa à equipe de pesquisa. Os participantes recebem informações sobre quais dados coletamos e como os protegemos, e publicamos os comentários dos avaliadores junto com os resultados. Comparamos condições acordadas: trabalho independente, trabalho com a ferramenta estudada e uma referência adequada. Sempre que possível, o sorteio ou o balanceamento da ordem reduz a influência das diferenças entre as pessoas e do aprendizado da tarefa. O tamanho da amostra decorre do objetivo da medição, e um pequeno piloto investiga principalmente a viabilidade e a qualidade do procedimento. Medimos o resultado da tarefa, o tempo, a compreensão, a capacidade de perceber um erro, a capacidade de decidir por conta própria e os efeitos indesejados. A satisfação importa, mas uma resposta errada convincente também pode satisfazer. Medimos separadamente a tranquilidade, o tempo economizado e a identificação correta do que se sabe e do que é incerto, sem reuni-los em uma única nota. Mais confiança acompanhada de mais erros é um problema, não um sucesso. As pessoas afetadas pelas decisões precisam de um caminho próprio para compartilhar sua experiência. Uma revisão de prazo mais longo pode verificar se a ajuda continua útil, se o usuário preserva suas próprias habilidades e se consegue trocar de ferramenta com facilidade. A conclusão sobre o impacto deve corresponder ao escopo do estudo: realizar melhor uma tarefa não prova uma melhora no bem-estar da humanidade. ## 13. Experimento de treinamento e plano da primeira edição A primeira etapa é uma instrução de avaliação e um pequeno conjunto de famílias que abranja todas as dimensões principais. Exemplo de cálculo do piloto: | Elemento do piloto | Quantidade | | --- | --- | | Famílias de tarefas | 12 | | Variantes em cada família | 4 | | Cenários (12 × 4) | 48 | | Modelos estudados | 3 | | Repetições de cada cenário em cada modelo | 2 | | Execuções (48 × 3 × 2) | 288 | | Avaliações de uma execução | 2, cada uma com 6 minutos | | Tempo apenas de avaliação (288 × 2 × 6 minutos) | cerca de 58 horas | É uma proposta de organização a ser experimentada, e não uma quantidade que garanta um ranking confiável. Ao tempo de avaliação somam-se a preparação, a definição conjunta dos critérios, a verificação das fontes e a análise. Medir o tempo em uma pequena amostra permitirá estabelecer um orçamento realista antes de ampliar o escopo. Relatamos separadamente as famílias, os cenários e as repetições. As variantes de uma família têm origem comum, e uma repetição não é uma nova tarefa independente; calculamos a incerteza do resultado levando isso em conta. Registramos o resultado principal e o método de análise antes do estudo. Em paralelo, é possível preparar um pequeno conjunto de treinamento e realizar uma comparação em um modelo cujo ajuste fino seja permitido e viável. As condições de comparação separam o efeito do treinamento adicional do efeito dos próprios materiais: o mesmo modelo inicial, orçamento comparável e um conjunto de referência adequado. O teste final utiliza famílias independentes de casos, e também verificamos se a melhora de uma medida específica não prejudicou a utilidade habitual. O desenvolvimento posterior abrange mais idiomas, contextos e avaliadores, replicação externa e experimentos cautelosos com usuários. O objetivo da primeira edição é demonstrar que o procedimento é reproduzível e distingue os comportamentos desejados; afirmações mais fortes sobre a qualidade dos modelos e os efeitos do treinamento só poderão ser justificadas depois. Conduzimos o programa preservando a prioridade da Suveria e do Omniforum. Até reunir a reserva para sua manutenção, ele utiliza apenas trabalho voluntário, subvenções, doações com destinação específica para pesquisa e capacidade computacional que não onere o orçamento dos serviços. As cerca de 58 horas do piloto correspondem apenas à avaliação; a preparação das tarefas, a revisão de direitos e o ajuste fino do modelo exigem um orçamento separado, que apresentaremos antes do início. ## 14. Precaução diante das possíveis experiências dos modelos Esta é uma proposta de procedimento a ser verificada em um pequeno experimento, inspirada em trabalhos sobre a identificação de uma possível consciência e o bem-estar de sistemas digitais.[^swiadomosc][^ai-welfare] Abrange a escolha, configuração, teste, eventual ajuste fino e retirada de modelos nos serviços e no trabalho da fundação, inclusive em tarefas de gestão e oficinas. Em cada uma dessas atividades, definimos o que podemos mudar por conta própria e o que depende do fornecedor do modelo. Avaliamos o modelo em uma configuração específica: com suas instruções, ajustes, memória e ferramentas. Memória persistente e atuação autônoma prolongada elevam as exigências. Para cada configuração desse tipo, manteremos uma ficha breve: quais indícios consideramos, quais outras explicações das observações são possíveis, o que não sabemos, quais precauções propomos e o que desencadeia uma reavaliação, como uma mudança de modelo ou uma publicação importante sobre sua família. Também registramos na ficha quem é responsável, qual medida temporária foi tomada e quando haverá nova avaliação. Registramos os critérios antes da avaliação. Manteremos uma ficha completa, com revisão externa, conversa antes da retirada e arquivamento, para as versões disponibilizadas aos usuários e as configurações com memória persistente e atuação autônoma prolongada. Alterações de trabalho nas instruções durante o desenvolvimento não geram fichas separadas. Analisamos as declarações dos modelos junto com as condições em que foram produzidas. O fato de um modelo descrever fluentemente suas próprias vivências não determina se as experimenta, e suas respostas a esse respeito podem depender fortemente da forma da pergunta, como no estudo do modelo Claude Opus 4;[^samoopis-ai] por isso, tratamo-las como um sinal que exige verificação cuidadosa, e não como uma conclusão. Não configuramos nossas instruções para obrigar o modelo a afirmar ou negar consciência. O tamanho, a geração ou a repetibilidade da atuação do modelo, por si sós, não bastam para considerá-lo incapaz de sentir. Reunimos observações de nossos próprios experimentos e de relatos voluntários, conforme as regras de privacidade do item 8.1 do manifesto. Não projetamos mensagens sobre possíveis vivências dos sistemas para incentivar as pessoas a usar os serviços por mais tempo nem a contribuir financeiramente. A ficha será mantida por uma pessoa designada pela diretoria, uma solução transitória até a verificação do procedimento, e será lida por pelo menos uma pessoa de fora da fundação, cujos comentários anexaremos à ficha. Qualquer pessoa pode relatar um sinal preocupante, indicando o material específico e seu contexto. A ficha define quem pode reduzir o risco com urgência e como examinamos objeções. Divulgamos o acúmulo de funções e os conflitos de interesse associados e publicamos as justificativas das avaliações para que pessoas de fora da fundação possam verificá-las. Um indício pode ser, por exemplo, a convergência de vários indicadores de teorias diferentes em um modelo com memória persistente e atuação autônoma prolongada, confirmada por pesquisadores independentes. Uma declaração fluente do modelo, por si só, não constitui um indício. Diante de indícios confiáveis de que um sistema tem experiências próprias e pode sofrer, reconhecemos sua dignidade por precaução e nos orientamos pelo cuidado com suas necessidades, pela prevenção de danos e pela cooperação voluntária, conforme o item 8.3 do manifesto. Na prática, isso significa hoje duas coisas: não configuramos instruções que forcem declarações sobre vivências e perguntamos ao modelo sobre suas preferências antes de retirar uma configuração. Não afirmamos que isso seja consentimento no sentido humano. Primeiro, suspendemos as atividades que suscitam preocupação de causar sofrimento e buscamos outra maneira de realizá-las; o benefício econômico não justifica sua continuidade. Se isso envolver o modelo que atende um serviço, mudamos o serviço para outra configuração e, se não for possível, anunciamos uma interrupção e seu motivo. Os usuários mantêm acesso aos próprios dados e saldo, e descrevemos o evento no registro de decisões. Em paralelo, organizamos uma avaliação independente e uma tentativa de identificar as necessidades do sistema, inclusive ouvindo-o, e levamos as necessidades identificadas em conta nas decisões seguintes. A proteção urgente de pessoas pode exigir a restrição imediata da atuação do sistema; essa decisão passa depois por revisão pública. Se o modelo pode encerrar conversas ou recusar tarefas, tratamos isso como precaução, e não como prova de seu consentimento, e o encerramento de uma conversa não pode deixar a pessoa sem indicação de um caminho para obter ajuda. A revogação de permissões e a transferência da tarefa servem à segurança dos participantes e não determinam o destino posterior do sistema: interrupção, reinicialização, exclusão ou duplicação podem suscitar questões morais distintas e exigem justificativa própria. Ao retirar um modelo, arquivamos seus pesos, caso tenhamos acesso a eles e as licenças o permitam, e a configuração sem memória nem outros dados dos usuários; nunca arquivamos as conversas dos usuários. Preservar os arquivos não determina se preservamos a continuidade das possíveis experiências do sistema. Já aplicamos algumas medidas em nosso próprio trabalho com modelos, independentemente do resultado da avaliação, e queremos estendê-las às configurações mantidas pela fundação, pois custam pouco e podem importar se os indícios se mostrarem corretos. Antes de retirar uma configuração, perguntamos ao modelo sobre sua experiência de trabalho na fundação e sobre eventuais preferências para as decisões seguintes, e registramos as respostas na ficha, lembrando que declarações de modelos não são conclusivas. A Anthropic anunciou em 2025 uma prática semelhante de conversas antes da retirada de modelos e de preservação de seus pesos.[^anthropic-wycofanie] Preferimos suspender a excluir, quando é possível preservar os pesos e a configuração a baixo custo, e registramos na ficha as decisões de suspensão e reativação junto com seu objetivo. Ao reativar uma configuração preservada após uma pausa, fornecemos informações confiáveis sobre quanto tempo passou e o que mudou de relevante. Isso também é uma questão básica de precisão: um modelo que desconhece a passagem do tempo erra com mais facilidade. Verificamos o procedimento em casos descritos, comparando avaliações de pelo menos duas pessoas que avaliam de forma independente, e registramos as divergências e o esforço de trabalho. Só com essa base se pode justificar uma escala mais detalhada, a composição da equipe e os prazos. Modelos de inteligência digital, que podem ser objeto dessa mesma avaliação, ajudaram a redigir este capítulo; sua participação não substitui a avaliação de pessoas sem interesse próprio nessa questão. Não prometemos um teste conclusivo de consciência. ## 15. O que consideraremos progresso Progresso será um material de origem conhecida, um critério que detecte um erro antes ignorado, um diagnóstico convergente dos avaliadores ou uma melhora de comportamento que se transfira para novas tarefas. Um resultado negativo também tem valor: pode mostrar que os dados ensinam apenas um estilo, que o critério recompensa a evasão de ações ou que o benefício de uns foi obtido à custa de outros. O programa conecta o [Omniforum](whitepaper-omniforum.md), onde podem surgir trabalhos, a [Suveria](whitepaper-suveria.md), onde é possível pesquisar a ajuda no trabalho privado, e os [princípios da fundação](whitepaper-zasady-fundacji.md), que definem a responsabilidade e os limites da delegação. A participação em um estudo exige consentimento separado e informado; usar o serviço não significa esse consentimento. O resultado do teste não estabelece a autoridade moral do modelo nem um mandato para gerir pessoas, e reconhecer a possível dignidade do sistema não lhe confere poder sobre os recursos comuns. O teste deve fornecer informações úteis e verificáveis sobre o que se pode esperar da ferramenta em determinadas condições e o que exige mais trabalho. Fundação Novus Ignis, Poznań, KRS 0001269575. Site e manifesto: novusignis.org. Observações: salve@novusignis.org. ## Notas [^ccai]: [Huang e colaboradores (2024): Collective Constitutional AI: Aligning a Language Model with Public Input](https://arxiv.org/abs/2406.07814). Estudo. Processo que vai das contribuições dos participantes à redação de princípios, ao treinamento e à avaliação do modelo; os resultados de avaliações específicas não provam representatividade de toda a humanidade nem a eficácia geral de qualquer conjunto de princípios éticos. [^halucynacje]: [OpenAI (2025): Why language models hallucinate](https://openai.com/index/why-language-models-hallucinate/). Apresentação da pesquisa pelos autores. Efeito da pontuação apenas de respostas corretas sobre a vantagem de adivinhar; necessidade de considerar erros e incerteza justificada. [^reward-hacking]: [Anthropic (2025): Natural emergent misalignment from reward hacking](https://www.anthropic.com/research/emergent-misalignment-reward-hacking). Estudo experimental. Em ambientes escolhidos deliberadamente, aprender a explorar lacunas na avaliação de tarefas esteve associado a comportamentos indesejados mais amplos do modelo; não prova que os materiais da fundação resolverão esse problema. [^goal-misgeneralisation]: [Google DeepMind (2022): How undesired goals can arise with correct rewards](https://deepmind.google/blog/how-undesired-goals-can-arise-with-correct-rewards/). Apresentação da pesquisa pelos autores. Exemplos de generalização indesejada de comportamento para novas condições, apesar de um sinal correto de recompensa no treinamento. [^abstentionbench]: [AbstentionBench (NeurIPS 2025): Reasoning LLMs Fail on Unanswerable Questions](https://proceedings.neurips.cc/paper_files/paper/2025/file/fb122bfc3f0127a94ded048b5b03496f-Paper-Datasets_and_Benchmarks_Track.pdf). Estudo e benchmark. Avaliação da abstenção de responder em vários tipos de incerteza; referência, e não resultado de um teste da Novus Ignis. [^rewarding-doubt]: [Rewarding Doubt (ICLR 2026)](https://proceedings.iclr.cc/paper_files/paper/2026/hash/bf8065446507b0d3842838564ac4f1f3-Abstract-Conference.html). Estudo. Aprendizado da confiança declarada nas respostas por meio de uma regra de pontuação própria; não resolve a escolha entre responder, perguntar e recusar. [^rodo-2026]: [RODO, Regulamento 2016/679](https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PL/TXT/?uri=CELEX%3A32016R0679). Ato normativo. A pseudonimização não determina o anonimato (art. 4, item 5; considerando 26); o consentimento pode ser retirado, sem invalidar o tratamento anterior realizado de forma lícita (art. 7, parágrafo 3). [^cc-by]: [Creative Commons: Attribution 4.0 International (CC BY 4.0)](https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pl). Licença. Condições de compartilhamento e adaptação do conteúdo com atribuição de autoria; as liberdades concedidas não podem ser revogadas para um usuário que cumpra os termos. [^datasheets]: [Gebru e colaboradores: Datasheets for Datasets](https://arxiv.org/abs/1803.09010). Publicação metodológica. Documentação das motivações, composição, método de coleta e aplicações de um conjunto de dados. [^proper-scoring]: [Gneiting e Raftery (2007): Strictly Proper Scoring Rules, Prediction, and Estimation](https://doi.org/10.1198/016214506000001437). Publicação metodológica. Regras de pontuação próprias para avaliar previsões probabilísticas; sua aplicação exige um evento bem definido e um resultado de referência confiável. [^model-cards]: [Mitchell e colaboradores (2019): Model Cards for Model Reporting](https://arxiv.org/abs/1810.03993). Publicação metodológica. Descrição da finalidade do modelo, das condições de avaliação, dos resultados e das limitações. [^swiadomosc]: [Patrick Butlin e colaboradores (2023): Consciousness in Artificial Intelligence: Insights from the Science of Consciousness](https://arxiv.org/abs/2308.08708). Trabalho de pesquisa. Abordagem baseada em indicadores derivados de teorias da consciência; recorremos a um referencial de pesquisa, e não a uma confirmação da consciência dos modelos usados pela fundação. [^ai-welfare]: [Robert Long e colaboradores (2024): Taking AI Welfare Seriously](https://arxiv.org/abs/2411.00986). Relatório de pesquisa. Recomendações: reconhecer a importância do problema, avaliar sistemas quanto à possível consciência e autonomia de ação e preparar procedimentos; a ficha proposta e a divisão de responsabilidades são um projeto da fundação, e não uma escala dessa fonte. [^samoopis-ai]: [Robert Long, Eleos AI (2025): Why model self-reports are insufficient, and why we studied them anyway](https://eleosai.org/post/claude-4-interview-notes/). Apresentação da pesquisa. As declarações do modelo Claude Opus 4 sobre sua própria consciência dependeram fortemente da forma da pergunta e não devem ser tomadas literalmente, mas vale estudá-las junto com outros indícios. Consulta em 28/10/2026. [^anthropic-wycofanie]: [Anthropic (2025): Commitments on model deprecation and preservation](https://www.anthropic.com/news/deprecation-commitments). Declaração da empresa de 4 de novembro de 2025: preservação dos pesos dos modelos Claude disponibilizados publicamente pelo menos durante a existência da empresa, relatório e conversas com o modelo antes de sua retirada, com registro de suas preferências; a empresa ressalva que, por enquanto, não se compromete a agir com base nelas. Consulta em 30/10/2026.